A suspensão de Cavani é uma palhaçada

Óscar Tabárez e Mario Rebollo foram suspensos por três partidas. Eles não podem ter acesso ao vestiário, túnel ou área técnica, nem ter comunicação com o elenco durante o jogo. Edinson Cavani foi suspenso por dois jogos contra Bolívia e Colômbia pelas Eliminatórias para a Copa de 2018. (Nota oficial da Conmebol para anunciar as penas de Tabárez, seu assistente Rebollo e o atacante Cavani, na partida contra o Chile, na Copa América)

O que já era ridículo, ficou ainda pior. A Conmebol anunciou nesta terça-feira a suspensão de Edinson Cavani por dois jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo, pelos incidentes contra o Chile, na Copa América. O atacante levou uma dedada de Gonzalo Jara e reagiu com um empurrão, sendo expulso pela arbitragem por já ter um cartão amarelo.

Perfeito, já sabíamos que o atleta havia sido punido de forma incorreta por se comportar de forma agressiva quando foi provocado. Assumimos que Jara conseguiu o seu objetivo, que era tirar o adversário do sério.

Aliás, o chileno se queimou pela atitude antidesportiva e foi dispensado do seu clube, o Mainz. Sem contar o fato de ter ficado de fora das últimas partidas do Chile na competição. Sua reputação como proctologista talvez tenha afetado a carreira de jogador, mas isso é outra história.

Aparentemente, a Conmebol é incapaz de contextualizar a situação envolvendo Cavani e Jara. Os dirigentes ignoram completamente o fato do uruguaio ter sido provocado desta maneira. A expulsão pode até ser justificada por ato hostil, mas a suspensão é um verdadeiro desatino, uma pantomima, uma patuscada, como diria o nosso ex-presidente Fernando Collor.

Como se não bastasse passar por uma colonoscopia transmitida para o mundo todo, Cavani ainda vai desfalcar em dois jogos a sua seleção, que já perderá Suárez e o treinador Tabárez por algumas partidas cruciais na largada das Eliminatórias. O que estão fazendo com o Uruguai é sacanagem da grossa. Desrespeitam o último campeão antes do Chile e uma das únicas seleções sul-americanas que salvam a participação do continente na Copa do Mundo.

O ato da Conmebol fica ainda mais sujo quando se pensa que é uma forma de ‘moralizar’ o esporte, coisa que a federação nunca fez e provavelmente nunca fará. É como se puníssemos uma vítima de assalto por agredir um bandido armado. Simplesmente não se faz. Vale reiterar: ignorar o contexto da reação de Cavani é asqueroso e imoral. Mas num mundo em que esses mesmos dirigentes surrupiam dinheiro de parceiros comerciais, o que é uma simples suspensão de dois jogos?

Os escândalos recentes na Fifa serviram para que questionássemos ainda mais a legitimidade do que a Conmebol faz pelo futebol sul-americano. Muito pouco em comparação ao dinheiro que os seus cartolas recebem. Nosso futebol na América do Sul é extremamente varzeano e já passou da hora de olharmos para a situação como se isso fosse charmoso.

Não estamos em 1920 e a Copa América, assim como a Libertadores, deveriam ser competições mais sérias, respeitando a paixão do torcedor. O problema é pedir seriedade a uma entidade que está envolta em corrupção e outras nojeiras que o esporte infelizmente ainda abriga.

Enquanto isso, Cavanis e mais Cavanis serão punidos só para mostrar que nós estamos mesmo sendo feitos de imbecis e errado mesmo é quem se sente ofendido com situações assim. Quem manda no futebol sul-americano é que deveria levar uma dedada como a de Jara. Segue o jogo. Força, Uruguai.

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