Os 50 anos de Trifon Ivanov, padroeiro dos pernas de pau

No aniversário de 50 anos do maior jogador ruim da história do futebol, resolvemos prestar uma homenagem ao inspirador da Copa Trifon Ivanov. O ex-zagueiro búlgaro Trifon Marinov Ivanov é o grande aniversariante desta segunda-feira e deixou uma marca importante no coração dos fãs de futebol alternativo.

Nascido em Veliko Tarnovo, a cerca de 222 quilômetros da capital Sofia, Trifon deu seus primeiros chutes como profissional em 1983, pelo time da sua cidade natal, o Etar Veliko Tarnovo. Fez carreira no CSKA Sofia de 1988 até 1990, quando foi vendido para o Real Betis, da Espanha. Retornou aos dois clubes búlgaros antes de jogar pelo Neuchatel Xamax, da Suíça, em 1993. Mas o mundo só viria a conhecer a lenda do ‘Lobo de Lipnitsa’ em 1994, na Copa dos Estados Unidos.

A melhor campanha dos búlgaros em Mundiais aconteceu justamente em 1994, consolidando a fama de Stoichkov, Letchkov, Balakov e… Ivanov. Sem falar no goleiro Mihajlov, que utilizava uma gloriosa peruca. Trifon ainda jogou o Mundial de 1998, defendeu Rapid e Austria Viena, passando pelo CSKA Sofia uma quarta oportunidade.

Como chegou a treinar como atacante nos tempos de categoria de base, o defensor tinha aptidão a apoiar os homens de frente e sobretudo para ser um coringa em contragolpes. Seus carrinhos e chutes precisos de longa distância, marcas registradas do Lobo, conquistaram toda uma geração de jogadores frustrados que se encontram semestralmente para jogar o Trifonzão, a nossa Copa Trifon Ivanov.

Enquanto os amigos e ‘atletas’ aguardam ansiosamente a data da próxima edição, a ser revelada pela ótima @TRIFAorg no twitter nesta segunda-feira, exaltamos a lenda responsável pela nossa união. Pois Trifon é um ícone do futebol esforçado e das jogadas sem efeito. Dos chutes errados e das divididas desengonçadas. Da vontade de jogar pelo time e não para impressionar. Do espírito de competição, sem perder a esportiva e aproveitar os amigos e adversários presentes.

Desde 2013, somos Trifon (Não somos todos, porque esse negócio de somos todos isso ou aquilo já encheu o saco). Não é possível que outro jogador sintetize mais os nossos amáveis pernas de pau do que Ivanov. Temos nossas qualidades, assim como ele. E se fôssemos bons, certamente não estaríamos limitados a um torneio entre conhecidos. A nossa competição talvez seja interna, uma autocobrança e o desejo de não passar vergonha, muito embora todos eventualmente acabem pagando um mico no evento.

O legado de Trifon

Foto: Fifa
Foto: Fifa

As duas Copas do Mundo no currículo não deixam mentir: à sua maneira, Trifon foi crucial para a Bulgária na década de 1990. E nada mais emblemático para a época do que um mullet com barba, um conjunto sofisticadamente adequado para um defensor que tem como missão intimidar os adversários.

Por clubes, especialmente os austríacos, Trifon esteve em má fase e não conseguiu desempenhar um bom papel nas temporadas em que esteve na dupla vienense. Casos de indisciplina e discordância com treinadores impediram que o zagueiro tivesse mais sucesso como nos tempos de CSKA Sofia.

Bicampeão búlgaro com o CSKA e campeão austríaco com o Rapid, Trifon se aposentou em 2001 e hoje vive recluso na cidade de Veliko Tarnovo, onde ocupa um cargo na Secretaria de Esportes.

Ele pode até ter sido esquecido pelo grande público que é facilmente encantado por jogadores estelares ou artistas da bola. Como acreditamos que os caras ruins também são importantes no esporte, Trifon fica ao lado de vários craques na chamada ‘formação de caráter futebolístico’. Nos 50 anos dele, fica o nosso agradecimento pelos serviços prestados.

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