Times memoráveis do Brasileirão: 1997, o Vasco de Edmundo

Quase cem mil vascaínos soltavam a voz e comemoravam o terceiro campeonato brasileiro, o primeiro na década de 90. Tendo Edmundo, o Animal, como MC (mestre de cerimônia) da equipe, o time de São Januário, tendo a vantagem do empate por ter tido melhor campanha do que o adversário, não ficou só encolhido atrás e buscou a vitória para homenagear a enorme torcida que compareceu confiante ao maior do mundo. (Alexandre Mesquita, do Netvasco, sobre o título brasileiro de 1997 do Vasco)

Era mesmo muito difícil parar o monstro Edmundo no Brasileirão de 1997. Em grande fase, talvez a sua melhor como referência do Vasco em toda a carreira, o Animal contou com a ajuda de um grande time para erguer a taça ao fim do ano, em cima do Palmeiras.

Com 29 gols ao longo da competição, o camisa 10 foi certamente o maior destaque daquela edição, que serviu como primeiro passo da equipe da Colina para o título da Libertadores em 1998.

Desde a primeira fase, o Vasco dava pintas de que chegaria com muita força. Reformulado depois de uma campanha fraca em 1996, o time cruzmaltino foi embalado pela evolução de nomes como Juninho Pernambucano, Felipe Pedrinho, além da boa referência na defesa: Mauro Galvão, que completava uma dupla sinistra com Odvan. Aos poucos, o time de Antônio Lopes engrenou e dominou o cenário nacional. A fase dourada dos vascaínos durou até 2000, com mais um título brasileiro, este liderado por Romário.

Na quarta rodada do Brasileiro, o elenco que já era forte, ganhou o grande reforço de Evair, parceiro (muito embora desafeto) de Edmundo no bicampeonato brasileiro do Palmeiras, em 1993–94. Por mais que os dois não se entendessem fora de campo, dentro dele a sintonia era crucial para o sucesso do Vasco.

Foto: SporTV
Foto: SporTV

A escalação consistia quase sempre em: Carlos Germano, Odvan, Mauro Galvão, Nasa e Felipe, Válber, Luisinho, Juninho e Ramón, Evair e Edmundo. Maricá, César Prates, Mauricinho, Pedrinho, Sorato, Nélson, Alex Pinho e Fabrício Carvalho também tiveram boas atuações como substitutos durante a arrancada.

Vitória a vitória, o Vasco ia chegando nos líderes. Dentro e fora de casa, mesmo com jogos adiados pendentes em relação aos demais, o cruzmaltino foi progredindo e Edmundo marcando seus gols. O que já era para ser uma caminhada gloriosa para o atacante, teve seu ápice na 12ª rodada, contra o União São João, em um jogo histórico. Em São Januário, o time da casa fez 6–0 no placar, sendo os seis de Edmundo, que ainda perderia um pênalti. É o recorde de gols de um jogador na mesma partida do Brasileirão, até hoje.

Escalando uma montanha até a liderança

No entanto, assumir a liderança era uma tarefa difícil. Mesmo vencendo jogos complicados longe do Rio, o Vasco só tomou a ponta na 21ª rodada, ultrapassando o Internacional de Celso Roth e do atacante Christian. Ofensivo e perigosíssimo nas saídas de contragolpe, o cruzmaltino se tornou uma máquina com Edmundo e Evair, terminando a primeira fase com o cartel de 54 pontos, 17 vitórias, três empates e cinco derrotas em 25 partidas. O Colorado ficou em segundo, três pontos atrás.

Embalados contra o Flamengo

Aí foi que o Vasco mostrou mesmo por que era o favorito. Em um formato tosco, oito clubes se dividiam em dois grupos para decidir quem seriam os finalistas. Ao lado do cruzmaltino, Flamengo, Juventude e Portuguesa. Na outra chave, Palmeiras, Internacional, Santos e Atlético Mineiro duelavam em turno e returno.

Grandes atuações trataram de motivar e confirmar o Vasco como líder. Foram 14 pontos, com direito a quatro vitórias e dois empates, além de uma goleada incontestável sobre o Flamengo, no Maracanã, por 4–1, o destaque do grupo. Edmundo marcou três e Maricá fechou a conta. Júnior Baiano diminuiu para o rubro-negro. À aquela altura, o Vasco se classificava para a decisão, tirando as chances do rival alcançar a sua pontuação.

Uma final marcada pelo Euriquismo

Foto: NetVasco
Foto: NetVasco

Curiosamente, a única parte da campanha vascaína sem gols foi justamente a decisão contra o Palmeiras, campeão do outro grupo. Em 14 e 21 de dezembro daquele ano, os clubes irmãos se encararam em duas partidas boas tecnicamente, mas que ficaram apenas no 0–0.

No Morumbi, o primeiro jogo teve um toque do ‘Euriquismo’: Edmundo levou mais um cartão amarelo e seria suspenso para o segundo jogo. No entanto, o atacante foi instruído pela comissão técnica a forçar a sua expulsão, para assim poder passar por julgamento antes da partida de volta, no Maracanã. Absolvido dias depois, o Animal conseguiu estar em campo para a finalíssima, em solo carioca. Mas não marcou como era esperado.

Por ter sido líder da primeira fase, o Vasco tinha a vantagem de decidir em casa e jogar pelo empate. Jogar com o regulamento foi a tônica dos dois duelos, uma filosofia que já era aplicada à risca por Luiz Felipe Scolari, comandante alviverde em 1997.

A melhor chance no duelo do Maracanã saiu dos pés de Edmundo. O jogador chegou a tirar Velloso do lance, dentro da área. Mas ao finalizar, esbarrou em Cléber, que afastou antes que a bola atravessasse a linha. Carlos Germano tratou de defender todo o bombardeio do Verdão com grandes defesas. No fim, qualquer vencedor teria sido justo. Mais justo ainda que o Vasco tenha coroado a liderança na primeira fase com a conquista.

A ausência do Animal no maior título da história do Vasco

Sem fazer e nem sofrer gols em dois jogos, o Vasco segurou o Palmeiras e se sagrou tricampeão brasileiro, consagrando de uma vez por todas a genialidade e a explosão de Edmundo, um dos atacantes mais completos da história do futebol nacional. A irreverência e a esperteza do atleta marcaram a terceira estrela do cruzmaltino na competição.

O astro deu a sua contribuição e foi vendido no início de 1998 para a Fiorentina, vendo de muito longe o título da Libertadores em cima do Barcelona de Guayaquil. Uma pequena injustiça na carreira de Edmundo, que escolheu pela segunda vez na vida o momento errado para mudar de ares. O primeiro foi em 1995, quando deixou o bicampeão brasileiro Palmeiras para assinar com o Flamengo, juntamente com Vanderlei Luxemburgo.

Abaixo, a trajetória do Vasco campeão de 1997.

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