Te pego lá fora: as aulas de bullying de Vinnie Jones

Uma das campeãs em reprises na Sessão da Tarde da Globo, a produção apresenta o jovem e responsável Jerry Mitchell (Casey Siemazko, de Conta Comigo e Tempestade do Século), um aluno do colegial, conhecido por todos como um exemplo de boa conduta e retidão. Mas quando o grandalhão mal-encarado Buddy Revell (Richard Tyson, de Um Tira no Jardim de Infância), o novo valentão do colégio, convoca o pacato e pequenino Jerry para uma briga ao final do período de aula, Jerry vê a segurança de seu mundo virar de ponta-cabeça. (Filmes e games, sobre ‘Te pego lá fora’, filme de 1987)

Vinnie Jones poderia muito bem ser Buddy Revell no inesquecível filme ruim ‘Te pego lá fora’. Mal-encarado e valentão, o ex-volante inglês marcou época no seu país na década de 1990 e despontou para a carreira de vilão de Hollywood.

Pense num jogador que se divertia especialmente ao dar porradas, carrinhos, causar hematomas e levar cartões amarelos. Vinnie tinha uma aptidão especial para ser bruto e estabanado. Não era lá um atleta que quisesse ser notado pela sua capacidade de marcação ou de defesa. Caso fosse, certamente teria evitado centenas de divididas ríspidas. Simplesmente porque o futebol precisa dos caras ruins. E ah, como Jones sabia ser um cara ruim.

Foto: Telegraph
Foto: Telegraph

Seu cartão de visitas foi um agarrão nos bagos de Gascoigne, durante a semifinal da Copa da Inglaterra em 1988, pelo Wimbledon. À ocasião, Vinnie tentou intimidar um jovem Gazza, que mesmo assim, lhe aplicava dribles humilhantes. Em uma cobrança de falta, o meia do Newcastle se movimentava quando o adversário agarrou e apertou o seu saco. E nem levou cartão amarelo, o árbitro não viu.

Jones sempre disse que aprendeu com Steve McMahon a ser durão. Teve a chance de enfrentar o seu mestre na decisão daquela competição, vencida pelo Wimbledon e lembrada até hoje como a grande zebra da história da Copa da Inglaterra. McMahon apanhou como mala velha nas divididas, e assim como no caso de Gascoigne, houve pouca interferência da arbitragem.

Foto: Daily Mail
Foto: Daily Mail

Foram muitas as vítimas de Vinnie. Há de se elogiar a arte nas suas soladas ou pés altos em disputas de bola. As pancadas eram cinematográficas, incríveis, de extrema imprudência. Talvez seja justo dizer que Jones foi um apaixonado pela agressão. Passou por Wealdstone, Holmsund, Wimbledon, Leeds, Sheffield, Chelsea e Queens Park Rangers, antes de parar em 1999. Um ano antes de parar, participou como um capanga do filme ‘Jogos, trapaças e dois canos fumegantes’, dirigido por Guy Ritchie.

Alguns o chamavam de selvagem. Por sorte a brutalidade em campo nunca trouxe danos graves aos adversários. E não é como se Vinnie chegasse atrasado na bola. Ele chegava por cima mesmo, sem ter medo de uma punição. Como os árbitros não eram tão rígidos, a pancadaria poderia rolar solta sem grandes problemas. E assim ele transformou o futebol inglês em uma verdadeira selva onde era o leão.

Foto: Trivela
Foto: Trivela

Um leão que rugia alto e peitava árbitros, além dos amedrontados adversários que preferiam fazer um passe a encarar os seus temíveis carrinhos. Ou em outras palavras, um bully. O grandão repetente da sua escola, que provoca e procura um motivo para te bater na hora do recreio.

A fama de casca dura era tão grande, que quando passou pelo Leeds, Vinnie deu um carrinho em uma criança em 1989, durante o aquecimento de uma partida do Campeonato Inglês.

Algo de bom saía do futebol de Jones. Bom chutador de longa distância, fez alguns gols incríveis em sua carreira, sendo o mais memorável deles, contra o Liverpool, em 1992, quando jogava pelo Chelsea. No frigir dos ovos, a cultura de infligir hematomas em oponentes não rendeu tantos cartões vermelhos ao ex-volante. Foi expulso APENAS 12 vezes, quatro a menos do que Serginho Chulapa e Luís Fabiano.

Hoje é possível vê-lo como aquele segurança bruto ou como vilão bobão em filmes de ação de Hollywood. Vinnie Jones é acima de tudo um ex-atleta que continuou essencialmente fazendo a mesma coisa que ficou famoso nos tempos da prática de futebol. Se por um acaso tivesse enfrentado Buddy Revell em uma partida hipotética, certamente teria colocado o grandalhão de ‘Te pego lá fora’ para correr. Disso não temos dúvida.

Abaixo, o documentário de Vinnie Jones que causou enorme polêmica em 1992: ‘Soccer’s hard men’. Prepare suas canelas.

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