Não há choque na vitória do Tigres sobre o Inter

Dói. Por mais que as pessoas estejam me xingando agora e estejam me chamando de filha da p…, eu preferia eliminar outro time. Mas o destino é assim — desabafou. — É difícil falar agora. Por mais que doa, eu sigo sendo colorado, é o time do meu coração. Mas quem me conhece sabe que sou assim na minha profissão. Infelizmente, foi o Inter. Peço desculpas, estou defendendo o meu lado. (Rafael Sóbis, ao Globoesporte.com, sobre a classificação do Tigres à final da Libertadores)

Quando o Internacional venceu o Tigres por 2–1 no jogo de ida das semifinais da Libertadores, ficou a sensação de que os gaúchos poderiam ter feito melhor em campo, com uma vantagem maior em relação aos mexicanos, para poder ter mais tranquilidade em Monterrey, na volta.

Se as falhas não custaram caro no primeiro duelo, a missão do Tigres ficou de certa forma facilitada em seus domínios. A verdade é que todos contavam com uma atuação inteligente por parte do Colorado, o que não aconteceu em nenhum momento da partida.

Massacrado pelo meio-campo e pelo ataque dos mexicanos, o Inter escapou por pouco de uma goleada histórica. É aquela velha história: quem joga para empatar, perde. Poucos times conseguiram se safar desta máxima em tempos recentes. É preciso pesquisar bastante para achar exemplos assim.

Desde o começo a ofensiva do Tigres mostrou que poderia causar um enorme dano à defesa do Inter, mal colocada em alguns pontos e fragilizada por uma participação fraca dos laterais. Aquino e Damm fizeram a festa pelas alas e Gignac teve várias chances de mandar a bola para as redes. No fim, até que o 3–1 ficou barato, com a vaga para a final.

Até mesmo porque Sóbis perdeu um pênalti na segunda etapa, quando o placar estava em 2–0. Alisson foi o melhor jogador em campo, mas estar na posição de goleiro em um confronto como esse, diz muito pouco para quem queria estar em mais uma final de Libertadores.

Ainda que se busque uma explicação ou se crie uma teoria para entender o fracasso colorado, talvez seja melhor entender as coisas pelo prisma mais simples: o Tigres foi superior. E não foi pouco. Quem propôs o jogo foi o mandante, quem criou mais chances foi o mandante e pasmem: quem marcou melhor também foi o mandante.

É cruel que um time brasileiro acabe eliminado por um convidado, mas desde a primeira fase o Tigres mostrava que tinha muito valor e as coisas só melhoraram com reforços para a reta final do torneio. Ter um centroavante imponente como Gignac muda o patamar de uma equipe.

Sem Diego Aguirre no banco, já que o treinador foi suspenso contra o Santa Fe nas quartas de final, o Internacional ficou sem o seu comandante ali na zona técnica, sem os famosos gritos e a conversa habitual. Dentro de campo. D’Alessandro pouco fez e Valdivia esteve bem marcado: foi a tendência para os visitantes no México.

Por fim, fica a impressão de que não era mesmo a noite do Inter. O gol contra de Geferson mostra isso. Nada daria certo, nem que a partida fosse reprisada por dez vezes. Um balde de água fria no sonho do Tri, acordando o time de Aguirre para a realidade complicada no Brasileirão. Também é possível apostar fichas na Copa do Brasil. Mas por agora, é importante aceitar que a prioridade na temporada terminou em insucesso.

Bola pra frente, Inter. Por que o Tigres foi um grande time e não há vergonha alguma em perder para adversários assim.

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