Zagueiros subestimados: Polozzi, uma carreira prejudicada pelo azar

‘Polozzi, você entrou numa fria. Justo agora você foi sair da Ponte, um time certinho e com pinta de campeão, para pegar uma baba dessa?’ Polozzi não gostou da observação, olhou feio, quase partiu para um diálogo áspero, mas foi contido a tempo. (Revista Placar, sobre um episódio marcante envolvendo um torcedor do Palmeiras e o defensor, em 1979, durante a fase de grupos da Copa Libertadores)

Polozzi saltou cedo para o estrelato como zagueiro da Ponte Preta e parceiro de Oscar, que marcaria época pela Seleção Brasileira e pelo São Paulo. Nascido em Louveira, interior de São Paulo, José Fernando Polozzi teve uma boa trajetória até a metade da década de 1980. Jogou uma Copa do Mundo, em 1978, mesmo não entrando ao longo da campanha. Seus maiores feitos foram escondidos por uma fase trágica que o Palmeiras passou no início da sua fila de 17 anos.

Não é como se Polozzi tivesse nascido para jogar no Verdão. Cria das categorias de base da Ponte, o atleta jogou por quatro anos no Moisés Lucarelli, entre 1974 e 78, brilhando quando o time campineiro chegou a sonhar com o título paulista de 1977. Tinha enorme qualidade, apesar de não ser exatamente um defensor muito rápido nos botes. Ganhou da imprensa brasileira o apelido de ‘ciclone’, devido ao seu bom posicionamento e pelo fato de ter grande qualidade nos desarmes.

Forte na jogada aérea, Polozzi ganhou reconhecimento nacional com Oscar. Os dois tinham os seus defeitos complementados em uma dupla que chamou a atenção no fim da década de 1970. No fim, a zaga acabou comprada por Palmeiras e São Paulo, em 1979 e apenas Oscar conseguiu desfrutar de enorme fama e títulos, no Morumbi, ao lado de Darío Pereyra.

Foto: Tardes de Pacaembu/Placar
Foto: Tardes de Pacaembu/Placar

Chegou ao Verdão para ser treinado por Telê Santana e fez parte de um time eficiente, mas que acabou prejudicado por uma mudança de calendário no Paulistão de 1979. O time de Parque Antárctica vinha embalado e iria enfrentar o Guarani na segunda rodada da segunda fase.

Uma divergência com o então presidente do Corinthians, Vicente Matheus, fez com que a Justiça adiasse as semifinais e quebrasse o ritmo da equipe alviverde, que estava em grande fase. No fim, o Timão bateu o rival e pegou a Ponte na final, conquistando seu 17º título estadual, apenas em fevereiro de 1980.

Foto: Tardes de Pacaembu/Polozzi
Foto: Tardes de Pacaembu/Placar

O problema para Polozzi no Palmeiras foi a parceria malfadada com Beto Fuscão. Ele chegou quieto e começou como reserva. Aos poucos foi se firmando e ganhou certa reputação como xerifão, até que em 1981, lesionado, chegou a perder a posição para o jovem Deda. O problema foi que na volta, a concorrência ficou mais complicada.

Ao lado de Deda, jogava um certo Luís Pereira, de volta ao clube depois de uma grande passagem pelo Atlético de Madrid. A boa forma de Polozzi foi então destruída por um período sinistro do Verdão, o que culminou com a sua ida para Ribeirão Preto, em 1982, para defender o Botafogo.

Em franco declínio, tal qual o próprio alviverde naqueles tempos, Polozzi passou ainda pelo Bangu, antes de retornar ao Palmeiras, em 1985. Rodou por vários clubes de menor expressão (Operário-MT, Serrano-BA, Bandeirante, Araçatuba, Linense e Toledo) até se aposentar em 1992, pelo Tiradentes. De alguma forma, todos eles puderam contar com os serviços de um bom zagueiro que tinha tudo para ser um dos melhores do país, mas acabou manchado por uma maré de azar palmeirense.

Em 1979, a mudança do Moisés Lucarelli para jogar no Palmeiras de Telê pode até ter parecido uma boa ideia, mas no fim das contas, o corneteiro torcedor que falou sobre a ‘fria’ naquela derrota pela Libertadores, estava com toda a razão. Poucas carreiras declinaram tanto quanto a de Polozzi no Verdão, mais uma vítima do cemitério de craques no Palestra Itália dos anos 1980.

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