Calma, Luís Fabiano

Existem dois tipos de pessoas irritadas neste mundo: as explosivas e as implosivas. Explosivo é o indivíduo que você vê gritando com o caixa no mercado por não aceitar os seus cupons. Implosivo é o caixa que fica quieto todos os dias e que acaba atirando em todos na loja, eventualmente. (Jack Nicholson, em ‘Tratamento de Choque’)

Luís Fabiano não é exatamente o cara mais centrado que conhecemos. Sempre de pavio curto e com uma rara aptidão para ser expulso, bem mais do que o icônico caneleiro Vinnie Jones, o atacante tricolor alcançou uma marca curiosa: viu 16 cartões vermelhos em sua carreira.

Para conseguir esta proeza, Fabuloso fez o seu melhor. Se irritou, xingou juízes, entrou duro em algumas divididas e até mesmo participou de pancadarias. É o que chamamos de garoto-enxaqueca do futebol brasileiro. Ele nunca está satisfeito. Tem uma necessidade assustadora de se envolver em discussões nos jogos, e em um momento que a arbitragem se mostra excessivamente rigorosa com os atletas, é claro que o camisa 9 iria sofrer alguma punição.

Até mesmo Paulo Henrique Ganso, conhecido por ser um meia geralmente apático, acabou sofrendo com o rigor dos homens de preto, ao reclamar de forma insistente no jogo contra o Sport. E depois disso, claro, sobrou para Luís Fabiano, o injustiçado da bola, o gênio incompreendido, o Taz Mania do Morumbi.

O problema de temperamento dele não é novo. Tanto é que Fabiano é considerado o sucessor legítimo de Serginho Chulapa no São Paulo. O ex-chapa quente era o recordista de expulsões no clube até o último domingo, quando Luís levou o seu 16º cartão vermelho na carreira. E tudo indica que a marca será superada em pouco tempo.

Será que ninguém nunca pensou em ter uma psicóloga trabalhando junto com o jogador, para que esses momentos de descontrole não sejam tão frequentes? Claramente o atleta precisa de ajuda e não é adequado culpar só a arbitragem pela sua fúria. Afinal, há muitos anos sabemos que ele tem uma relação similar com gols e expulsões. Ninguém estoura sem mais nem menos. É preciso um estopim, por menor que seja.

Não é uma questão simples. É fácil dizer que Luís Fabiano é esquentadinho e que merece 100% cada expulsão. Muitas vezes a sua reputação acaba pesando na hora do juiz sacar um cartão do bolso. Como em diversas vezes anteriores foi punido, nenhum árbitro hesita antes de tentar silenciar os protestos do centroavante com uma advertência curta antes do cartão vermelho. Mas o que o futebol pode fazer por ele?

Tudo bem, vamos fingir que não é problema nosso e simplesmente bater incansavelmente no rapaz, deixando apenas que o São Paulo arque com as suspensões e que perca seu jogador.

Alguém já fez uma entrevista mais detalhada com Luís Fabiano para saber o que é que tanto o irrita antes de entrar em campo? Como ele se sente ao ser sempre contestado na imprensa? Será que o Brasil ainda é o lugar ideal para que ele mostre seu futebol? Um país com menor tradição e competitividade não seria uma saída melhor para o fim da sua carreira?

É cedo para dizer que Luís Fabiano manchou a sua carreira de muitos gols com expulsões criticáveis. Mais cedo ainda para cravar que ele está acabado como jogador. Quem sabe uma MLS não vem para amenizar essa raiva e que ele encerre com dignidade a sua passagem pelo São Paulo. Até lá, só resta pedir calma. Calma, Luís Fabiano. O que te aflige, irmãozinho?

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