Times memoráveis do Brasileirão: 1995, o Atlético Paranaense de Oséas e Paulo Rink

Técnico e veloz, além de excelente cabeceador, Oséas desembarcou na antiga Baixada em agosto de 1995. Ainda muito tímido, apresentava-se como “Oseinha da Bahia”, causando desconfiança nos torcedores. Porém, não tardou muito a mostrar suas qualidades. Quando Paulo Rink foi efetivado no time titular, durante o Campeonato Brasileiro da Série B, encontrou seu parceiro ideal. Apesar de serem de origens distintas, os dois formaram uma dupla perfeita. Eram dois atacantes altos, fortes e habilidosos e que ainda por cima sabiam fazer gols. Aquele time resgatou o orgulho atleticano e Oséas e Rink foram projetados a ídolos de uma nação. (Furacão.com, sobre a dupla mais famosa do clube depois de Washington e Assis)

Com a missão de se recompor após uma goleada sofrida para o Coritiba no Estadual de 1995 (5 a 1), o Atlético Paranaense começou uma longa caminhada para se tornar um time competitivo no cenário nacional. Se o Furacão hoje é lembrado por vencer o Brasileirão de 2001 e passar perto do título da Libertadores em 2005, os passos iniciais para a consolidação do clube foram dados naquele ano, largando da Série B.

A força política de Mario Celso Petraglia permitiu que o então conselheiro assumisse a presidência do Atlético pouco depois da fatídica goleada do Coxa, derrubando Hussein Zraik do cargo. Petraglia tinha altas ambições para o clube e montou um projeto, o ‘Atlético Total’, que previa a construção da Arena da Baixada, impulsionando a evolução da equipe. Em forte crise financeira, o Furacão respirou fundo para a disputa da Série B em 1995. Era o segundo ano do time na divisão. Um ano antes, em 1994, bateu na trave e não conseguiu o acesso.

A dupla dinâmica da Baixada

Foto: GloboEsporte.com

As coisas mudaram bastante com a chegada de dois jogadores, dando ao time uma consistência maior: os atacantes Paulo Rink e Oséas. Paulo era da base atleticana, mas não tinha espaço e acabou emprestado ao Atlético Mineiro e à Chapecoense. Uma boa participação no estadual catarinense de 95 (23 gols) fez dele o vice-artilheiro e chamou a atenção da diretoria paranaense, que o pediu de volta.

Já Oséas, começou no futebol baiano e passou pelo Pontevedra, da Espanha, por Maruinense e Uberlândia antes de desembarcar como uma aposta despretensiosa dos cartolas. Daí em diante, passou por uma grande virada na carreira. Além deles, o goleiro Ricardo Pinto e os meias Leomar e Alex (não confundir com o craque do Coritiba) tiveram destaque no plantel gerido por Pepe, ex-ídolo santista que rodou pelo Brasil antes de parar em Curitiba para ajudar o Atlético nos seus planos.

A largada na Série B

Em 10 de agosto de 1995, o Furacão estreou na Série B contra o Goiatuba, e para o desespero da torcida, perdeu fora de casa por 2–0. Uma boa reação deu moral ao time, que embalou e conseguiu cinco vitórias seguidas. Líder absoluto, avançou para a segunda fase com 23 pontos, nove a mais do que o Goiatuba, segundo colocado. Usando o Pinheirão como casa provisória, o rubro-negro vivia a expectativa das obras da tão sonhada Arena da Baixada, inaugurada em 1999.

Chaveado no grupo G com Londrina, Novorizontino e Londrina, o Atlético teve um pouco mais de dificuldade do que o esperado, mas ainda assim, passou em primeiro e colocou oito pontos de diferença para o terceiro colocado, que não tinha vaga para a próxima fase. Foram 13 pontos, os mesmos do Mogi-Mirim, que dividia a liderança. Oséas já despontava como artilheiro e marcou gols cruciais durante a campanha. Paulo Rink atuava mais como o segundo atacante e cansou de dar assistências ao colega.

A terceira fase não reservou grandes surpresas e o rubro-negro da Baixada passou fácil como líder do Grupo I, somando 16 pontos em seis jogos. Central, Bangu e Sergipe não foram oposição para o Atlético, em plena evolução e rumo ao título. Para a quarta fase, os quatro sobreviventes se enfrentavam em um quadrangular para decidir os dois primeiros colocados, que seriam promovidos à Série A. Ao lado de Coritiba, Central e Mogi, o Furacão teve a sua prova final.

Enquanto Oséas foi essencial nas fases anteriores, o grandalhão Paulo Rink mostrou seu talento no último quadrangular. Conhecido como um dos melhores pivôs do Paraná, o atacante fez tanto sucesso, que acabou sendo convocado para a seleção da Alemanha para a Euro 2000, quando atuava pelo Bayer Leverkusen. Se o ‘alemão’ brilhou nos momentos decisivos, ‘Oseinha da Bahia’ já estava bem perto de deixar a sua marca no coração da torcida com carisma e muitos gols, que empurraram o Atlético até a conquista.

A hora da verdade

Só dois subiam. O Atlético pegava o Coritiba com a sede de vingança pelo vexame imposto no primeiro semestre. Muito se falava sobre a luta entre os rivais por uma vaga, mas no fim, as coisas foram fáceis para a dupla paranaense, que subiu com certa tranquilidade. Melhor para o Atlético, que conseguiu a taça.

O Atlético bateu o Central, fora de casa, por 1–0. Depois, empatou com o Coxa, por 1–1. Duas vitórias contra o Mogi-Mirim, com destaque para a segunda, com gol de Paulo Rink, no interior paulista, garantiram o acesso de forma antecipada ao Furacão, que ganhou uma carreata da torcida, em Curitiba. Recepcionados com uma enorme festa, os atletas teriam apenas a missão de buscar o caneco, já que a Série A já tinha sido alcançada.

As duas últimas partidas faziam crescer a expectativa no título. A festa só foi estragada pelo Coritiba, que fez 3-0 no Couto Pereira, com gols de Alex, Auri e Pachequinho. Foi a maior derrota do Atlético na competição, com a diferença de que o momento permitia um escorregão. Por sorte, aquele time ofensivo e bem armado no meio-campo, chegou à rodada de encerramento para receber o Central, enquanto o Coritiba pegava o Mogi, longe de casa.

O clima de dúvida e a necessidade de vencer fizeram com que o time se mexesse para fazer uma última grande partida. A que iria coroar o esforço e a recuperação ao longo do ano. Oséas não deu tempo para que a pressão intimidasse os atletas. Com dois gols, o camisa 9 praticamente resolveu as coisas no primeiro tempo e se consolidou como o goleador do Brasileirão, somando 14 tentos. Alex e Paulo Rink também marcaram e o Central diminuiu com Everaldo, depois do intervalo. O 4–1 levou a torcida rubro-negra à loucura: depois de dois anos, o Atlético estava de volta à elite. E com a ajuda dos seus dois atacantes.

A magia acabou para a dupla em 1997, quando Paulo Rink saiu para o Bayer Leverkusen e Oséas assinou com o Palmeiras. No entanto, nenhum atleticano que viveu aqueles momentos se esquece de como os dois devolveram a alegria a um clube que beirou o abismo meses antes. Ter a esperança renovada só foi possível graças aos gols e o entrosamento entre os atacantes.

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