Por que é difícil imaginar a Roma sendo campeã italiana

Eu poderia ter a chance de ganhar muitos outros troféus por outros times, mas estou orgulhoso do que consegui com esta camisa. Nenhuma vitória por outro time teria me dado a mesma emoção e a mesma satisfação que esta aqui me deu enquanto fui capitão. (Francesco Totti, o maior jogador que já passou pela Roma, em entrevista ao site Bleacher Report)

Ser romanista e sobretudo jogador da Roma é uma missão das mais árduas na vida. Naturalmente acostumado a brigar por papeis coadjuvantes no futebol italiano, o time da capital foi campeão apenas três vezes da Liga, além das nove conquistas da Copa da Itália.

Talvez, se cada um dos torcedores e dos jogadores optassem por outro time, a história seria menos sofrida. Mas até onde a vitória é a única coisa que importa no esporte? Ter honra, comprometimento e fidelidade também pesa na balança.

Em tempos amplamente dominados pela Juventus, a Roma é a segunda força da Itália, com certa distância. E há pelo menos duas temporadas, ameaça o domínio bianconero somente até a metade da competição. Falta gás, competência, regularidade e principalmente coragem para seguir na disputa. Ou algo mais?

Historicamente, a Roma é vista como aquele time que tem o famoso complexo de vira-lata. Ninguém acredita que é possível vencer e qualquer resultado magro abre precedente para a desconfiança de que o empate ou a virada acontecerão nos acréscimos.

O conceito da romada

Tão vira-lata, que criou-se no Brasil a expressão ‘romada’. ‘Romar’ quer dizer entregar os pontos, falhar, fracassar vergonhosamente, levar um gol vadio no fim ou sofrer uma goleada depois de dominar o rival e fazer 2–0 no placar.

E então, fragilizada pelo próprio estado mental, a Roma vai se contentando com o vice e com os triunfos em clássicos. Analisando o elenco atual, a diferença em relação à Juventus não é tão grande. Rudi Garcia fez essencialmente um bom trabalho desde que chegou, apesar de ter perdido a mão no fim da temporada. A surra para a Fiorentina, na Liga Europa, serviu como a última facada nos sonhos de vencer um troféu. Por acaso, foi também a Fiorentina que tirou a Roma da última Copa da Itália.

Em comparação aos outros concorrentes, a Roma leva uma pequena vantagem. Seja nos confrontos diretos ou na qualidade do plantel. Lazio, Fiorentina, Internazionale, Milan, Napoli, todos eles em algum momento deixaram mais a desejar do que os romanistas.

O que separa o campeão do perdedor é a aptidão para conquistar a taça, a frieza e a tranquilidade para não quebrar em momentos decisivos. Como disse no trecho que descreve a expressão ‘romar’, a Roma não tem isso nos seus genes.

E enquanto não aparecer algum outro craque além de Totti no time para bater no peito e guiar até o sucesso, a tendência é que os vices se acumulem, juntamente com as vergonhas anuais e surras em jogos cruciais. Tradição, o time tem. Bons jogadores também. Falta um melhor preparo psicológico e um jogador que transmita confiança aos colegas. Que olhem para ele e saibam que é possível ser campeão. O que infelizmente não parece ser o caso do Capitano, que ensaia seus últimos atos como profissional.

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