Para onde foram os campeões europeus de 1991 pelo Estrela Vermelha

Estas montanhas cobertas de névoa
São um lar para mim agora
Mas meu lar são as planícies
E sempre serão
Algum dia vocês voltarão para
Seus vales e suas fazendas
E não mais arder o desejo
De ser um companheiro de batalha
(Dire Straits — Brothers in arms)

Quando o Estrela Vermelha de Belgrado foi o campeão europeu em 1991, derrotando o Olympique de Marseille na final, o futebol iugoslavo foi alçado ao posto mais alto do esporte. Por anos, as equipes do país tentaram alcançar aquele objetivo, sem sucesso. O Partizan falhou algumas vezes na década de 1960 e o próprio Estrela Vermelha fraquejou na Copa Uefa em meados dos anos 1970.

Para que os sérvios conquistassem aquele troféu tão sonhado por todo atleta, uma longa caminhada foi feita pelos atletas que lá estavam, em Bari, para a decisão da Copa dos Campeões. Uma geração incrível que marcava presença pela Seleção Iugoslava na Copa do Mundo de 1990, na mesma Itália que consagraria o esquadrão dos Delije (heróis, em sérvio).

A bola rolou às 20h15 para os azarões do torneio. O Estrela derrubou Grasshopper, Rangers, Dynamo Dresden até derrotar o Bayern nas semifinais, enquanto o Marseille passou pelo Dinamo Tirana, Lech Poznán Milan e Spartak Moscou, nas semis.

Em 29 de maio de 1991, 51 mil pessoas presenciaram uma partida um tanto quanto tediosa entre dois times que não exatamente saltavam aos olhos. Mas seria uma façanha para ambos. Iugoslávia e França não sabiam como era ter um time campeão da Europa até aquele momento. O Marseille, aliás, só conseguiu isso dois anos depois.

Um empate em 0–0 no tempo normal e na prorrogação chamou as penalidades. Do lado francês, um jogador em especial pediu para se ausentar das cobranças: Dragan Stojkovic, ídolo sérvio e estrela do time iugoslavo até o ano anterior. No fim, 5–3 para o Estrela Vermelha. Manuel Amoros errou o seu chute ao abrir a série pelo Marseille. Nenhum dos iugoslavos falhou e a equipe de Belgrado ficou com a taça.

Mais de 24 anos depois, a torcida ainda exalta seus heróis. Mas o que foi feito de cada um dos únicos vencedores da Copa dos Campeões por um time sérvio? Eles estiveram em seu auge ou ainda tiveram boas histórias para contar depois de 1991?

Stevan Stojanovic

O goleiro e capitão Stevan Stojanovic saiu do time logo depois a final em Bari. Jogou no Royal Antwerp até 1995 e se aposentou. Em 2012, acusou dirigentes do Marseille de irem ao seu quarto de hotel antes da final para oferecer um suborno. Caso Stojanovic falhasse, levaria o dinheiro. Não só recusou, como pegou o pênalti de Amoros.

Slobodan Marovic

O lateral-esquerdo Slobodan Marovic viveu seu auge na conquista de 1991. No começo de 1992, assinou com o Norrköpping, da Suécia e ainda jogou no Silkeborg, da Dinamarca, sem muito brilho. Se aposentou em 1997, pelo Shenzhen Ruby, da China.

Refik Sabanadzovic

Na outra lateral, Refik Sabanadzovic também deixou o Estrela após a conquista europeia. Passou pela Grécia e defendeu o AEK e o Olympiacos, claramente em sua fase final no esporte. Ficou um ano no Kansas City Wizards antes de pendurar as chuteiras, em 1999.

Ilija Najdoski

O macedônio Ilija Najdoski foi um dos primeiros bons jogadores da seleção de seu país, que estreou apenas em 1993 no esporte. O zagueiro não teve grandes momentos em sua carreira após a final em Bari e saiu em 1992 para o Valladolid. Ainda passou por Denizlispor, CSKA Sofia e Sion. Parou em 1997.

Miodrag Belodedici

Agora sim um atleta de fina estirpe. O zagueirão romeno Miodrag Belodedici era uma grande referência para o restante dos colegas. Classudo e muito técnico, desarmava com facilidade. Em 1992, acertou a sorte grande e foi jogar no Valencia. Fez grande Copa do Mundo em 1994 e depois foi para o Valladolid. Assinou com o Villarreal em 1995 e no ano seguinte, rumou para o México e defendeu o Atlante. Voltou ao Steaua Bucareste em 1998 e encerrou sua carreira em 2001. Atuou pela Romênia até a Eurocopa de 2000.

Sinisa Mihajlovic

Foto: Tumblr
Foto: Tumblr

Talentosíssimo atleta que atuou como volante na decisão contra o Marseille, Sinisa Mihajlovic foi durante muito tempo lateral e ala no futebol italiano. Foi comprado em 1992 pela Roma e depois deslanchou por Sampdoria e Lazio. Crucial para a Iugoslávia na Copa de 1998 e na Euro de 2000, defendeu seu país até 2003, quando a nação se dissolveu em Sérvia e Montenegro. Já veterano, foi contratado pela Internazionale e jogou dois anos com a camisa nerazzurra até se aposentar, em 2006. Hoje treina o Milan.

Vladimir Jugovic

Foto: Quattro Tratti
Foto: Quattro Tratti

O técnico e voluntarioso volante Vladimir Jugovic ainda ficou mais um ano no Estrela antes de rumar para a Sampdoria, em 1992. Despontou muito bem no futebol italiano e foi contratado pela Juventus, em 1995. Campeão europeu em 1996, também atuou por Lazio, Atlético de Madrid, Internazionale, Monaco, Admira Wacker e Ahlen antes de se aposentar, em 2005.

Robert Prosinecki

Prosinecki 2002
Foto: Sport.stv

Craque. Jogava muita bola e era considerado o mais talentoso da equipe que venceu o Marseille. Saiu para o Real Madrid pouco depois do título, sem conseguir se firmar. Vagou por várias equipes europeias e nunca repetiu as atuações dos tempos de Estrela. Pela Croácia, no entanto, destruía com partidas impecáveis. Sobretudo na Copa de 1998, quando brilhou ao lado de Suker, Boban e seus colegas. Ainda jogou por Oviedo, Barcelona, Sevilla, Dinamo Zagreb, Standard Liège, Olimpija Ljubliana e NK Zagreb. Parou em 2004, com duas participações em Mundiais.

Dejan Savicevic

Foto: Sky Sports
Foto: Sky Sports

Um demônio dos dribles e extremamente veloz. O meia encantou a Europa na campanha vencedora de 1991 e saiu para o Milan, em 1992. Por muitos anos, foi ídolo da torcida milanista e era conhecido como ‘Diavolo’, por acaso o mesmo apelido do próprio clube rossonero. Era titular na final da Liga dos Campeões em 1994 e até marcou um gol contra o Barcelona. Desempenhou grande papel na Copa de 1998 e voltou ao Estrela Vermelha, em 1999, antes de assinar com o Rapid Viena, meses depois. Parou em 2001. Desde 2004, é presidente da Federação de Montenegro.

Darko Pancev

Artilheiro da Europa em 1991, com 34 gols, o macedônio Darko Pancev saiu do Estrela Vermelha com enorme moral e status de matador. Em 1992, foi vendido para a Internazionale e mal atuou, em quase três anos. Não conseguiu enganar os italianos e foi parar no Leipzig, por empréstimo, em 1994. Ainda jogou pelo Fortuna Dusseldorf e pelo Sion, onde parou em 1997. A fonte de gols do rapaz secou quando ele saiu de Belgrado e aquele foi seu último bom momento na carreira.

Dragisa Binic

Companheiro de Pancev no ataque, Dragisa Binic já era veterano e responsável por auxiliar o colega a marcar gols. Não viveu muitas glórias depois de 1991 e jogou pelos obscuros Slavia Praga, APOEL, Nagoya Grampus e Tosu Futures, estes dois últimos no Japão. Encerrou as atividades em 1995. Pff…

Vlada Stosic

O último herói dos que estiveram em campo foi o meia Vlada Stosic. Geralmente um substituto que entrava no segundo tempo, Stosic foi o reserva de Savicevic e jogou 36 minutos, somando a prorrogação. Negociado com o Mallorca em 1992, também atuou por Betis, Atlante e Vitória de Setúbal até 1999, quando deixou o esporte.

No geral, os bons atletas que o Estrela revelou acabaram indo para a Itália. Dos doze que atuaram contra o Marseille, apenas Belodedici, Savicevic, Mihajlovic, Jugovic e Prosinecki conseguiram atuar em bom nível por seleções ou clubes. O restante, deve lembrar com enorme saudade do tempo em que foram os melhores.

Jugovic e Savicevic experimentaram novamente o gosto de um título europeu, com excelente participação nas finais, algo que os outros nunca mais passaram perto de fazer. E o Estrela Vermelha, que quase faliu há alguns anos, só pode sonhar em repetir o feito que lhe fez famoso em 1991. Mais uma história de decadência de um país que sofreu demais e ainda expõe as cicatrizes de uma violenta guerra civil na década de 1990.

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