Dez contratações inesquecíveis de craques por clubes rivais

Foi um erro, uma infelicidade. Não era o momento. Tenho uma identidade muito forte com a torcida palmeirense. Não desrespeito o Corinthians, não tem como voltar atrás, mas a paixão que eu tenho pela torcida do Palmeiras é imensa. Foram três títulos inéditos que conquistei aqui e vou levar isso para o resto da minha vida. (Paulo Nunes, sobre a sua malfadada passagem pelo Corinthians em 2001)

O futebol é mesmo uma fábrica de histórias curiosas. É capaz de fazer com que um ídolo se torne um vilão, e que um carrasco acabe jogando no mesmo time de suas vítimas. Mas o que significa exatamente contratar um atleta que fez carreira ou ganhou tudo no rival? O profissionalismo pode ser maior do que a paixão envolvida?

Estes jogadores fizeram história em um clube e acabaram jogando no arquirrival em passagens nem sempre pacíficas ou memoráveis. Alguns resultaram em fracasso retumbante, outros nem tanto, até superando o feito anterior. Vamos a eles.

Paulo Nunes no Corinthians

Foto: Lance!
Foto: Lance!

Nem dois anos depois de conquistar a Libertadores pelo Palmeiras, o atacante Paulo Nunes foi contratado pelo Corinthians, em 2001. Foi recebido com ódio pelos torcedores, que nas temporadas anteriores foram atormentados pelo Diabo Loiro. Polêmico, o jogador adorava fazer comemorações irreverentes contra o Timão.

Chegou para substituir Fernando Baiano, que estava lesionado, e até hoje gera calafrios em corintianos que consideram a sua transferência uma das piores da história do clube de Parque São Jorge. Pouco jogou, não marcou muitos gols e ainda perdeu o respeito por parte da torcida alviverde. Sabe quem também jogou pelo Timão naquele ano? César Sampaio, outro campeão da Libertadores pelo Palmeiras, em 1999.

Mo Johnston no Rangers

Foto: The Independent
Foto: The Independent

A chegada de Mo Johnston ao Rangers, em 1989, foi uma das mais polêmicas da história do futebol. Não porque ele foi um bom jogador do Celtic até 1987, mas sim pelo fato de desembarcar em uma equipe essencialmente protestante na Escócia, que tinha uma regra explícita de não contratar católicos.

Perseguido pela torcida no começo, o atleta só se redimiu com um gol contra os arquirrivais alviverdes, na sua primeira temporada. Semanas antes de ser apresentado no Ibrox Park, Mo chegou a vestir novamente a camisa do Celtic em seu retorno à Escócia, após uma passagem pelo Nantes, mas a transferência melou e irritou as duas torcidas, já que o atacante era considerado traidor por ambos os lados da rivalidade. Bicampeão escocês, saiu de Glasgow em 1991 e jogou pelo Rangers. Ainda atuou por Hearts e Falkirk no seu país natal, mas não tinha paz e acabou tomando os rumos dos Estados Unidos.

Figo no Real Madrid

Foto: A bola
Foto: A bola

Formado pelo Sporting, o meia Luís Figo saiu para o Barcelona em 1995. Maior craque de sua geração, o atleta jogou tanta bola pelo time catalão, que acabou bem cotado por grandes clubes europeus. Antes de deixar sua terra para rumar à Espanha, chegou a assinar por Juventus e Parma ao mesmo tempo, o que impediu que ele pudesse defender equipes italianas no prazo de dois anos. Não satisfeito em polemizar nesta ocasião, Figo assinou com o Real Madrid em 2000.

A bomba explodiu e o lusitano passou a ser odiado pela massa barcelonista. Tanto que durante um clássico, atiraram uma cabeça de porco na sua direção, antes da cobrança de um escanteio. Pelo Real, ganhou duas vezes o Espanhol e levantou a Liga dos Campeões em 2002. Ainda hoje é recebido como ídolo por madridistas.

Romário no Flamengo

Foto: Placar
Foto: Placar

O Baixinho foi revelado pelo Vasco no fim dos anos 1980 e teve memoráveis passagens por PSV e Barcelona, antes da Copa de 1994. Brilhou, foi campeão mundial e decidiu retornar ao Brasil… pelo Flamengo. Audacioso, o Rubro-negro se preparava para o seu centenário em 1995 e contratou jogadores com grande fama. Além de Romário, chegaram Branco (revelado pelo Fluminense) e Edmundo.

O Animal, aliás, traiu duas vezes os seus amores no futebol em 1995, assinando com o Corinthians (foi bicampeão paulista e brasileiro com o Palmeiras em 1993–94) e com o Fla no mesmo ano. 

Com o título de melhor do mundo, o centroavante não teve sorte no seu primeiro ano e só venceu campeonatos no ano seguinte. Foi bicampeão carioca e campeão da Mercosul em 1999 pelo Fla. Ainda retornou ao Vasco e defendeu o Fluminense durante a sua carreira. Pelo menos para Romário, a traição era permitida nos clubes cariocas.

Viola no Palmeiras

Foto: Diário de SP
Foto: Diário de SP

Se Paulo Nunes serviu como ‘Cavalo de Troia’ do Palmeiras em 2001, o atacante Viola já sabia o gostinho de jogar no rival, no segundo semestre de 1996. Artilheiro do Timão no começo da década de 1990, Viola era um notório provocador e tirador de sarro com palmeirenses.

A fama não foi esquecida e o seu histórico como corintiano pesou para a sua passagem discreta pelo Palestra Itália. O atacante trouxe uma aura tão ruim ao elenco, que o Verdão passou em branco e perdeu todos os títulos até a sua saída, em 1998. Depois disso, o time alviverde levou a Copa do Brasil, a Mercosul, a Copa Libertadores e o Rio-São Paulo.

Mihajlovic na Lazio

Foto: Forza Italian Football
Foto: Forza Italian Football

Sinisa Mihajlovic é um homem que entende bem de traições. Nascido na Croácia e criado como sérvio, o rapaz virou um defensor ferrenho do nacionalismo da Sérvia, durante a Guerra dos Bálcãs. Revelado pelo Estrela Vermelha de Belgrado e campeão europeu em 1991, desembarcou na Roma, onde teve a sua primeira experiência no futebol italiano.

Exímio cobrador de faltas e bom lateral, foi vendido à Sampdoria em 1994. Três anos depois, assinou com a Lazio e venceu todos os troféus que não havia conseguido conquistar em sua passagem pelo rival. Saiu da equipe celeste em 2004, com um scudetto e dois títulos europeus de segundo escalão no currículo.

Defendeu a Internazionale até a sua aposentadoria em 2006. Hoje é treinador do Milan. Até o fim da vida, deve acabar defendendo a causa de Kosovo, só para manter a coerência.

Zlatan Ibrahimovic no Milan

Foto: Corriere della Sera
Foto: Corriere della Sera

Outro que também destruiu alguns corações na Itália foi o atacante Zlatan Ibrahimovic. Revelado pelo Ajax e com ótima passagem pela Juventus, o atleta não ficou em Turim quando a equipe bianconera caiu para a Serie B em virtude do Calciopoli, escândalo de manipulações de resultado que assolou o país em 2006. Contratado pela Internazionale naquele ano, o sueco continuou fazendo o que sabia: muitos gols.

Multicampeão também pela Inter, Ibra saiu para o Barcelona em 2009 e teve um ano atípico, repleto de brigas com Pep Guardiola. Quando voltou à Itália, assinou com o Milan, em 2010. Conquistou outro scudetto em 2011, agora vestindo rubro-negro. Zlatan fede a títulos.

Desde 2001, o sueco só não foi campeão nacional em 2003 e 2012. Hoje está no Paris Saint-Germain e especulado para assinar com o Real Madrid, seu sonho desde 2009. Será que vai ter mais uma traição no histórico?

Tévez no Manchester City

Foto: CNN
Foto: CNN

Ah, a chegada de Carlos Tévez ao Manchester City… Revelado pelo Boca Juniors, Carlitos também deixou saudades no Corinthians antes de ir para o West Ham. Pouco depois, foi ídolo e campeão europeu pelo Manchester United. A punhalada nas costas dos Red Devils aconteceu quando ‘El Apache’ assinou direto com os Sky blues em 2009 e revoltou a metade vermelha de Manchester.

Fãs queimaram suas camisas, atiraram as peças em caminhões de lixo e picharam todos os outdoors do City que anunciavam a sua chegada ao clube. Era o início de um grande projeto de dominação do time celeste, comprado por um sheik árabe cheio da grana. Eles já conseguiram dois títulos ingleses, mas ainda falta um bocado até que a Europa se curve aos seus pés.

Denis Law nos dois clubes de Manchester

Foto: Alambrado.net
Foto: Alambrado.net

A história de Denis Law foi bem particular, talvez a mais curiosa desta lista. O atacante foi revelado pelo Manchester City em 1960, onde passou um ano antes de ser vendido ao Torino. Não vingou e voltou à Inglaterra. Desembarcou justamente em Old Trafford, dando início a anos gloriosos. Foi bicampeão inglês e campeão europeu pelo United.

Já em decadência, voltou ao City em 1973 para causar a maior controvérsia de sua vida. A contratação em si nem foi badalada, muito menos gerou comoção. Choro mesmo aconteceu quando Law foi o responsável pelo gol que rebaixou o United no clássico final da temporada em 1974. De calcanhar, o escocês, que vestia o celeste dos Sky blues, mandou os rivais para a segundona. Abalado, nem comemorou e foi substituído imediatamente para escapar da balbúrdia que se instalou no campo momentos após o gol. Trágico.

Renato Gaúcho (algumas vezes)

Foto: GloboEsporte.com
Foto: GloboEsporte.com

Renato Gaúcho, um grande jogador e galã dos anos 1980 e 90. Esse daí cansou de jogar por rivais durante a sua carreira. Começou e estourou no Grêmio como um ponta veloz e de excelente finalização. Depois de ser vendido para o Flamengo em 1987 e para a Roma, em 1988, iniciou uma espécie de saga em vários clubes brasileiros.

Depois da sua segunda passagem pelo Fla, em 1990, assinou com o Botafogo. Voltou ao Grêmio, ao Botafogo outra vez, jogou no Cruzeiro, retornou ao Rubro-negro carioca e defendeu o Atlético Mineiro antes de ser contratado pelo Fluminense. Aí aprontou das suas e deu o título do Estadual ao Tricolor das Laranjeiras de nove anos de espera, usando a barriga para desviar um chute de Aílton.

É pouco? Chegou a se apresentar com a camisa do São Paulo e deu um chapéu na diretoria, retornando ao Flu, neste intervalo. Já em 1997, passou maaaaais uma vez pela Gávea. Longe de sua forma física ideal, ainda vestiu a camisa do Bangu antes de se aposentar, em 1999. Acho que está bom de traições por hoje, não?

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