Onze ‘chaminés’ que fizeram história no futebol

-Platini, me diga uma coisa, você fuma durante o intervalo?

-Sim… mas não se preocupe com isso, de verdade. O importante é que (Massimo) Bonini não fume, pois ele é que corre por mim em campo.

(Michel Platini, em resposta a Gianni Agnelli, principal acionista da Fiat e dono da Juventus, nos vestiários, durante os anos 1980)

Ser fumante e atleta profissional no futebol é uma das pequenas ironias que o esporte pode proporcionar. Afinal, os adeptos de um cigarrinho sempre pagam o preço do seu vício com o estado deplorável de seus pulmões, que por consequência, minam o fôlego.

Se hoje a exigência é de um jogador que tenha o corpo de um super herói e a resistência de um soldado, antigamente o esporte era mais romântico, menos físico e mais baseado em técnica. A prova disso é que muitos gênios do passado podiam se dar ao luxo de fumar e beber, maus hábitos consolidados entre os boleiros.

E quem foram eles, que desafiaram a saúde enquanto dependiam da boa forma física para ganhar a vida? Será que o cigarro matou tanto assim o atletismo deles? Acreditamos que não, mas os jogadores citados foram verdadeiros pontos fora da curva.

Marcos

Foto: CBN
Foto: CBN

O Palmeiras teve no fim da década de 1990 até 2012 um goleiro dos mais talentosos da sua escola. Oberdan, Valdir Joaquim de Moraes, Leão, Zetti, Velloso vieram antes de Marcos, um fanfarrão caipira que veio de Oriente para conquistar o mundo. Marcão nunca escondeu que era fumante, apesar de tentar evitar aparecer publicamente enquanto tragava. Curiosamente, o maior problema físico do camisa 12 não foi a disposição, mas sim as várias lesões que ele sofreu até a aposentadoria. Parou em 2012.

Jack Charlton

Foto: Sky Sports
Foto: Sky Sports

Jack Charlton, irmão mais velho e menos famoso de Bobby Charlton, foi campeão mundial em 1966 com a Inglaterra e marcou época na defesa do Leeds United durante duas décadas. O magrão mandava na zaga dos Whites e da seleção, com um estilo duro de jogo. Implacável na marcação e ainda mais difícil de ser batido em divididas, Jack tinha o hábito de fumar durante os treinamentos. Até aí, tinha gente que faltava aos treinos ou aparecia de ressaca, então, o que é um cigarro perto disso? Jack parou de jogar em 1973.

Johan Cruyff

Foto: Taringa
Foto: Taringa

O maior holandês que o mundo já viu com uma bola quase foi vítima do tabaco. Fumante durante um bom pedaço de sua carreira, Cruyff tem como principal façanha ter sido campeão da Europa com o Ajax, líder da ‘Laranja Mecânica’ em 1974 e craque do Barcelona na década de 1970. Também passou pelo Levante, pela NASL (antiga liga norte-americana que veio antes da MLS) e pelo Feyenoord, onde foi campeão holandês ao lado de Gullit. O ex-meia fumava tanto (20 cigarros por dia), que quase morreu em 1992 por um ataque cardíaco, enquanto treinava o Barça. Aposentou-se em 1984.

Casagrande

Foto: Cultura Interativa
Foto: Cultura Interativa

Walter Casagrande Jr. é um exemplo comum de atleta que estourou nos anos 1980, apesar de ter sido fumante e usuário de álcool e drogas nas horas vagas. Casão foi lançado ao futebol no Timão e virou um dos ídolos da Fiel ao lado de Sócrates e Wladimir, durante o período chamado de ‘Democracia corintiana’. O atacante admitiu em sua autobiografia ter feito uso de vários entorpecentes durante e depois da sua carreira no esporte. E em virtude disso, também teve sérios problemas de saúde, infartos e internações. A última, no mês passado, por complicações cardíacas. Atuou por Corinthians, Caldense, São Paulo, Porto, Ascoli, Flamengo, Lousano Paulista e São Francisco-BA. Pendurou as chuteiras em 1996 e hoje é comentarista.

Sócrates

Foto: Placar
Foto: Placar

Sócrates é o que podemos chamar de maior anti-atleta da história do futebol. Desde muito cedo na sua vida, o Doutor era chegado em um cigarrinho. A ligação com a nicotina (além do álcool, claro) certamente matou o lado atlético do jogador, que sempre foi lembrado por correr pouco e compensar a sua fragilidade física com talento e inteligência. Craque dos calcanhares e dos passes rasteiros, Sócrates defendeu Botafogo-SP, Corinthians, Fiorentina, Flamengo e Santos antes de se aposentar em 1988. Vítima do alcoolismo e do cigarro, morreu em 2011, justamente no dia em que o Corinthians foi campeão brasileiro, em 4 de dezembro.

Gérson

Gérson ao lado de Garrincha no Bota. Mané também curtia uma tragada (Foto: Lance!)
Gérson ao lado de Garrincha no Bota. Mané também curtia uma tragada (Foto: Lance!)

O ‘Canhotinha de ouro’, um dos craques do maior time que a Seleção Brasileira já viu, era também um membro do clube dos fumetas. Começou no futebol em 1959, pelo Flamengo, defendeu o Botafogo, o São Paulo e o Fluminense. Campeão do mundo em 1970, foi lembrado por aparecer em uma campanha dos cigarros Vila Rica, onde dizia: “Eu gosto de levar vantagem em tudo. Leve vantagem você também”. Parou em 1974 e hoje é comentarista no rádio carioca.

George Best

Foto: National Football Museum
Foto: National Football Museum

Mais um célebre bon-vivant da história do futebol. Fumava bastante, bebia mais ainda e se entregava aos prazeres da vida, já que o esporte lhe deu fama e dinheiro. Best teve sérios problemas de disciplina quando jogava pelo Manchester United e depois que deixou o clube, em 1974, rodou por vários países até se aposentar, longe de sua forma ideal. Defendeu o Jewish Guild (África do Sul), Stockport County, Cork Celtic, Los Angeles Aztecs, Fort Lauderdale Strikers, Hibernian, San Jose Earthquakes, Sea Bee, Hong Kong Rangers, Bournemouth, Brisbane Lions, Osborne Park Galeb. Parou em 1983 e morreu em 2005 por complicações ligadas ao alcoolismo.

Neto

Foto: GloboEsporte.com
Foto: GloboEsporte.com

Um baita de um jogador, digasse de passage. Neto começou no Guarani como um dos meias mais interessantes do futebol brasileiro, ao fim da década de 1980. Esperavam que ele fosse um dos legítimos sucessores de Zico, mas o seu temperamento, somado a problemas de peso, dificultaram a sua trajetória. Mesmo com todos esses obstáculos, contando também o seu hábito de fumante, Neto foi enorme na história do Corinthians pela liderança no título brasileiro de 1990 e os memoráveis gols de falta. Também jogou por Bangu, São Paulo, Palmeiras, Millonarios, Atlético Mineiro, Santos, Matsubara, Araçatuba, Indaiatuba e Paulista de Jundiaí. Parou em 1998 e hoje é apresentador na TV Bandeirantes.

Preben Elkjaer Larsen

Foto: BT.dk
Foto: BT.dk

O atacante Elkjaer foi o pilar ofensivo de uma seleção surpreendente e fantástica da Dinamarca nos anos 1980. Famoso fumante, conseguia driblar a sua condição para dar arrancadas e fintas rápidas nos marcadores. Campeão italiano pelo Verona, o escandinavo até chegou a marcar um gol sem uma das chuteiras, contra a Juventus, na campanha histórica que acabou em título pelo modesto time veronês em 1984. Atuou por Vanlose, Colônia, Lokeren, Verona e Vejle, antes de deixar o esporte em 1990.

A sua melhor história aconteceu em sua rápida passagem pelo Colônia, em uma reunião com Hennes Weisweiler. O treinador foi informado de que o atacante foi flagrado com uma garrafa de whisky e uma moça na noite anterior. Elkjaer corrigiu o chefe com um sorriso amarelo: na verdade, eram duas mulheres e uma garrafa de vodca. Riram muito. O dinamarquês foi dispensado pouco depois.

Michel Platini

Foto: Tumblr
Foto: Tumblr

Considerado o maior atleta francês na era antes de Zidane, Michel Platini comandou a sua seleção em duas Copas e uma Euro, vencida em casa no ano de 1984. Absolutamente genial como armador, cobrador de faltas e capitão, Platini também jogou muita bola pela Juventus. Pelo clube italiano, foi campeão da Europa em 1985. De acordo com o próprio, o volante Massimo Bonini é que corria no seu lugar, enquanto Michel encontrava os espaços que ninguém mais via em campo. Platini começou no Nancy em 1972, passou pelo St.Étienne e pela Juve. Se aposentou em 1987.

Jimmy Greaves

Foto: Squawka
Foto: Squawka

Greaves é o quarto maior artilheiro da história da Inglaterra e um dos notáveis centroavantes do período dourado da sua seleção, nos anos 1960. Começou no Chelsea, teve um ano ruim no Milan e voltou ao seu país para brilhar no Tottenham. Campeão mundial em 1966, era o titular até a fase final, quando se lesionou em um jogo contra a França e foi substituído por Geoff Hurst. Hurst, por sua vez, marcou três gols na final contra a Alemanha, ajudando os ingleses a levantar a taça em Wembley.

Passou também por West Ham, Brentwood, Chelmsford City, Barnet e Woodford Town. Se aposentou em 1980. Jimmy lutou toda a vida contra o seu alcoolismo somado à sua dependência em cigarros. Já sofreu dois derrames sérios e quase morreu em maio deste ano.

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