Por que Robinho não merece ser chamado de mercenário

É difícil falar, cada jogador e funcionário veem seu lado. Acredito que nenhum jogador gosta de entrar na justiça. É complicado falar se condeno ou não. Cada um tem que buscar seu direito. Mesmo eu sendo ídolo, o meu está atrasado, até mais do que o salário dos caras. Eu que joguei na Europa, eles pedem para eu segurar para pagar os outros. (Robinho, sobre os atrasos salariais no Santos, em janeiro de 2015)

Muito se falou sobre a saída de Robinho, do Santos, nos últimos meses. Craque de um time que foi campeão paulista e entrou em grave declínio técnico (muito por causa da sua convocação para a Seleção), o camisa 7 esteve especulado em diversas equipes do Brasil e de fora.

Foi cotado no Cruzeiro, no Flamengo, no Querétaro e por último, no Guangzhou Evergrande, da China. Assim como Paulinho, Ricardo Goulart e outros brasileiros, Robinho tomou o rumo mais rentável para a sua carreira. No entanto, não é mais uma simples questão de abandonar o seu clube do coração para ganhar dinheiro, até mesmo porque, o atacante não viu a cor da grana desde que retornou ao Peixe, na segunda metade de 2014.

Como líder e grande jogador de um time repleto de jovens, Robinho fez o que pôde para manter o time em alto nível. Mas os atrasos da diretoria acabaram por tirar alguns dos principais medalhões do elenco. Aranha, Arouca e Mena deixaram a Vila Belmiro pelo mesmo motivo que Robinho está deixando, ainda que sem acionar o time na Justiça.

Há quem diga que ele deveria continuar na Vila, mesmo sem receber. Afinal, para um jogador consolidado e com fartura na conta bancária, deve ser fácil jogar de graça, mesmo que involuntariamente. Sabemos que as coisas não funcionam assim.

Como trabalhador, ele tem todo o direito de buscar melhores condições. É pai de família e o fato de não ser mais de classe média não desabona a sua transferência para a China, em uma fase que sim, trata-se mais de independência financeira do que competitividade esportiva.

Robinho, que já não é mais nenhum menino, no alto de seus 31 anos, não ganhou o mundo como se esperava, mas atuou por equipes de ponta. Voltou ao Santos para ser novamente campeão e levantou a taça do Paulista, como capitão, neste ano. Incomodado com o fato de ter uma dívida em aberto e que demoraria muito a ser paga, o atleta fez o que qualquer homem faria quando se sente enganado ou explorado.

Podemos até discutir que a China não é o lugar apropriado para um jogador que ainda tem muito a oferecer, mas não é bem este o tópico que cabe nesta discussão. Robinho não precisa se colocar em uma posição de sacrifício, pois claramente o Santos não fez a sua parte para honrar o compromisso firmado.

O difícil é ter de ver um ídolo deste tamanho passar pela situação horrível que é ser chamado de mercenário. O que claramente não é o caso. E vale reiterar: quem fica sem receber em dia, como está voltando a ser comum no futebol, tem todo o direito de buscar melhores condições. Se vai para a China, para a Índia, para o Paquistão ou o Tajiquistão, aí é outra história.

Enquanto caras como Tévez e Milito voltam para a Argentina por muito menos dinheiro do que recebiam, outros deixam a terra natal para fazer o famoso ‘pé de meia’, encher os bolsos de dinheiro, visando uma segurança financeira para depois da aposentadoria. O passo natural das coisas é mesmo esse de Robinho, por mais que a sua ida para o Guangzhou seja fortemente criticada.

Só é difícil julgar e exigir que todos se comportem como os argentinos. Afinal, nem só de paixão vive o ser humano. Exemplos como o de Tévez e Milito devem ser idolatrados, não tomados como modelo a ser aplicado para todo atleta. Até mesmo porque, no futebol, quem vive de amor é a torcida. Os jogadores dependem mesmo é de resultados.

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