Gignac no Tigres: Quando o futebol mexicano ousou ter mais craques

Os estádios estão sempre cheios e o México gosta de jogar com a bola. Eles praticam um futebol muito dinâmico e a cada ano, novos talentos são formados lá. Espero que no futuro eles possam superar essa barreira das quartas de final da Copa do Mundo (Pep Guardiola, sobre a sua passagem pelo Dorados de Sinaloa)

Você deve ter visto que nesta semana, o atacante francês Andre-Pierre Gignac acertou com o Tigres, do México. A contratação ousada do atleta de de 29 anos, ainda em grande forma pelo Olympique de Marseille, foi um dos maiores choques da janela de transferência. Querendo vencer a Copa Libertadores, a equipe de Monterrey investiu pesado em bons reforços.

Historicamente, Gignac não é o maior jogador estrangeiro que atuou no México e sequer o que causou o maior impacto. Apesar de não estar em fim de carreira, a ida do francês para o Tigres tem pouco peso se comparada ao de outros craques que tiveram passagem pelo país. Que tal relembrar os maiores exemplos?

Eusébio (Monterrey)

Foto: A Bola.pt

Entre 1975 e 1976, o Pantera Negra, maior jogador de Portugal e do Benfica em toda a história e já em seus últimos anos como profissional, se arriscou a uma aventura mexicana pelo Monterrey, aos 33 anos. Atuou em dez partidas e marcou apenas um gol com a camisa dos Rayados. Ainda defendeu mais cinco clubes profissionais antes de anunciar a sua aposentadoria do esporte, em 1979. Morreu no início de 2014.

Didi (Veracruz)

Didi, o primeiro da esquerda, agachado. Foto: Once Titular
Didi, o primeiro da esquerda, agachado. Foto: Once Titular

Didi, grande meia de um dos períodos mais saborosos do futebol brasileiro, passou pelo Veracruz e atuou como jogador-treinador, aos 38 anos, em 1965 e 66, antes de retornar ao Brasil para se aposentar no São Paulo. Bicampeão mundial e ídolo no Botafogo, Fluminense, Didi parou em 66 e depois teve boa carreira como treinador, sobretudo da seleção do Peru. Morreu em 2001.

Canhoteiro (Nacional e Toluca)

Foto: São Paulo Futebol Clube
Foto: São Paulo Futebol Clube

Canhoteiro pode não ser exatamente lembrado como os grandes atletas de seu tempo, mas carrega o enorme feito de ter sido ídolo de Pelé quando estava no auge. Craque do São Paulo por dez anos entre 1953 e 63, o maranhense era ponta-direita e passou pelo Nacional e pelo Toluca, tradicionalíssimo no México, em 1963. Ficou até 1966 e jogou no Nacional de São Paulo, onde encerrou a sua carreira. Também defendeu o Saad, de São Caetano, por algumas partidas. Uma das maiores lendas sobre a sua carreira é o fato de que Canhoteiro era o titular da Seleção em 1958, mas por ter medo de avião, não quis ir para a Suécia. Nunca mais foi convocado. Morreu em 1974.

Grzegorz Lato (Atlante)

Foto: Kaiser Magazine

O genial carequinha Grzegorz Lato, da Polônia, atuou por apenas três clubes na carreira. Como até o início dos anos 1980 os times poloneses não permitiam que seus atletas deixassem o país antes de certa idade, Lato jogou de 1962 a 1980 pelo Stal Mielec, antes de defender o Lokeren, da Bélgica. Se aposentou com a camisa do Atlante, onde ficou de 1982 a 84, já com 34 anos.

Bora Milutinovic (Pumas)

Foto: Sports Illustrated

O sérvio Bora Milutinovic ficou mais famoso no futebol por ter levado várias seleções para a Copa do Mundo, entre elas os Estados Unidos. Mas o carismático titio também foi um atleta notável e com passagens por Partizan, Monaco, Nice e Rouen. Jogou por quatro temporadas pelo Pumas, entre 1972 e 1976 e se aposentou logo depois disso, aos 36 anos, começando a sua carreira como técnico. Comandou o México na Copa de 1986.

Bernd Schuster (Pumas)

Foto: AM Querétaro

O alemão Bernd Schuster, que brilhou com a camisa de Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid e Bayer Leverkusen. Lembrado por ter uma personalidade forte e um temperamento explosivo, o bigodudo encerrou sua carreira em 1997, depois de uma boa temporada pelo Pumas, aos 38 anos.

Emil Kostadinov (Tigres)

Foto: Uefa

O búlgaro Emil Kostadinov, lendário atacante que atuou por equipes tradicionais na Europa, também foi um dos craques que passaram pelo México. Defendeu o Tigres em 1997, dois anos antes de se aposentar. Antes disso, brilhou pela Bulgária nas Copas de 1994 e 98 e defendeu CSKA Sofia, Porto, La Coruña, Bayern de Munique e Fenerbahçe. Pendurou as chuteiras pelo Mainz, aos 32 anos.

Míchel e Emilio Butragueño (Club Celaya)

Míchel, Butragueño e Hugo Sánchez (Foto: Santos Sacrilegios)

O Club Celaya foi talvez o menor time mexicano a contar com estrelas internacionais. Em 1995, a equipe contratou Emilio Butragueño, então com 32 anos, artilheiro espanhol que jogou por onze temporadas no Real Madrid, entre 1984 e 95. Buitre, como era chamado pelos madridistas, decidiu se aposentar pelo Celaya, em 1998. Em 1996 e 97, contou com a parceria do meia Míchel, que foi seu companheiro no Real e parou em 1997, também pelos mexicanos, aos 34 anos.

Pep Guardiola (Dorados de Sinaloa)

Foto: Taringa

Para encerrar a lista, o genial volante Pep Guardiola, hoje treinador do Bayern de Munique. O espanhol, que atuou por 11 anos pelo Barcelona, passou por Brescia, Roma e Al-Ahli antes de desembarcar no Dorados de Sinaloa, em 2004, quando tinha 34 anos. Pep foi um dos primeiros grandes jogadores a atuar pelo Dorados, fundado em 2003. Guardiola foi rebaixado pela primeira vez em sua carreira, no ano de 2006. O clube acabou só conseguindo o acesso nesta temporada, depois de nove anos na segunda divisão.

Um pensamento em “Gignac no Tigres: Quando o futebol mexicano ousou ter mais craques”

  1. Tem também o Dumitrescu, Romênia, que fez dois gols contra a Argentina na Copa de 94, o Kalusha Bwalia, o cérebro de Zâmbia que goleou a Itália nas Olimpíadas de Seul e por milagre não estava no avião que caiu em 93 e acabou tragicamente com aquela geração. E o Dirceu, craque da Copa de 78.

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