Como o PES 2016 não será o jogo que tanto queremos

PES 2016 tem como objetivo voltar às origens e criar novamente entusiasmo nas partidas entre os jogadores. Aprofundando a integração com o Fox Engine, uma Master League renovada e uma melhoria substancial das faces de jogadores, a Konami promete um produto ainda mais completo. (IGN, sobre o jogo)

Muitas firulas, gráficos alucinantes, comemorações engraçadinhas (até selfies) suor na face dos jogadores, situações eletrizantes nas partidas e Neymar, a pura arte do futebol moderno, como principal chamariz. O PES 2016 chega em setembro ao mercado com uma proposta nova. Comemorando 20 anos da franquia que começou como Winning Eleven/International Superstar Soccer, a Konami promete trazer vários elementos históricos para o seu novo jogo.

Mas o que seriam exatamente esses elementos históricos? Sabemos que versões especiais (e mais caras) do game trarão lembrancinhas das edições antigas e que o 2016 vai dialogar de alguma forma com o passado da franquia.

Desde que nos conhecemos como gente, amamos as falas quase incompreensíveis dos narradores do WE/PES. Começamos lá no Super Nintendo com os patches do Campeonato Brasileiro, do Ronaldinho Soccer 97, que traziam os nossos clubes para dentro do console. Horas e horas foram perdidas nesse passatempo e nem mesmo a chegada do Playstation 1,2,3 e até o 4 isso saiu do imaginário do jogador. Ainda é divertido ver a introdução do jogo com aquele barulho de claquete, o anúncio macarrônico de ‘RONALDIIIIIINHO SOOOOOCCER noventaeséeetche!’ Isso era infância.

O que dizer dos maravilhosos ‘Forte boooomba!’, ‘Iaaau! Peliiiigro’, ‘Despejóooooo’, ‘Interceptó!’, ‘Falta! Tiro livre’, ‘Grande djugada’, ‘Mal tiroooo’, ‘Pase longo’, entre outras frases tatuadas na memória dos brasileiros. Então eu torno a fazer a pergunta: qual será a forma de diálogo do PES 2016 com os clássicos? É claro que os produtores não vão incluir as versões hackeadas como brinde para os jogadores. Isso seria reconhecer que o trabalho dos hackers foi uma mão valiosa na popularidade da franquia.

Ainda esses dias eu sonhei que tinha baixado a versão de demonstração do PES 2016 e que ela tinha um ‘botão do passado’ antes das partidas. Ativado este comando, o jogo teria os sons do primeiro International Superstar Soccer, além de animações similares às do antigo em gols, expulsões e intervalos. Posso ter sonhado também que um cachorro apitava a partida e que era possível arrumar uma encrenca com os adversários, mas isso não vem ao caso.

A experiência de jogar PES tem sido oscilante nos últimos anos. Tivemos um ótimos jogos como o 2009 e o 2011, o 2013 foi o último realmente bom e que tinha um espírito de arcade. Dos outros, é melhor nem falar. Hoje em dia, alguns são obcecados com simulação, situações reais, como as que o Fifa traz. Talvez o caminho para a Konami seja reconhecer que não há competição real com a EA. Daí, os japoneses que tanto já nos alegraram, possam pensar em coisas que tornem o jogo divertido, não uma cópia mal feita do Fifa.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Dialogar com o passado de uma forma que derrame lágrimas dos jogadores seria trazer modos de jogo com as versões antigas do PES. Fazer com que os nostálgicos se sintam prestigiados e agradados com o trabalho da produtora. Produzir uma jogabilidade que respeite toda a história construída até aqui, não dar passos maiores do que a perna em busca de um futuro que pode nem chegar. Lembra como era possível criar ligas, jogadores, times e estádios com a maior facilidade?

A Konami dificultou este processo desde a versão 2014. Quando a dificuldade em negociar direitos de imagem e licenças ameaçou o reinado da franquia, os fãs se mexeram e encontraram formas de colocar os clubes faltantes no jogo. E compartilhavam este conteúdo na internet, para que todos tivessem a oportunidade de jogar com brasileiros, equipes da segundona inglesa, sem falar nos alemães, que desde a versão 9, lá em 2005, não aparecem nem de forma genérica.

O poder de editar o PES é crucial para que gerações de jogadores sejam consolidadas. Permitir que o Edit Mode volte a ser uma grande ferramenta é uma saída mais interessante do que se preocupar com comemorações e estatísticas de atletas que são atualizadas todas as semanas. Ter o seu clube do coração, ainda que feito manualmente, é um grande elemento para começar a Master Liga, que sempre foi e sempre será o carro chefe da franquia.

Antigamente, passávamos horas na frente da TV para levar um time miserável até o sucesso europeu. Ainda bem que agora é permitido trocar de clube durante a carreira, porque tem hora que enjoa mesmo, ninguém merece olhar para o mesmo uniforme inalterado durante 20 temporadas. Até mesmo por isso, editar o que se tem em mãos é uma alternativa contra o tédio. E para quem gostava de se colocar no jogo, escanear uma foto e colocá-la em um atleta com as suas características era o mais perto que poderíamos chegar da fama e do reconhecimento no esporte. Nem isso o PES tem mais.

Quando foi lançada a versão 2014, que supostamente daria muita atenção ao Brasileirão e teria gráficos alucinantes, a Konami se esqueceu de preparar um bom jogo ao redor das suas inovações visuais e até agora tenta recuperar o mercado que perdeu após este erro brutal de planejamento. O 2015 melhorou bastante em questão de jogabilidade, mas a verdade é que o produto ainda é ruim. Tem muitos bugs e é engessado. Apesar das licenças da Libertadores, da Sul-Americana, da AFC Champions League, Champions League e Europa League, é um exercício de paciência lutar contra as falhas de programação. Sem falar nos jogadores do Brasileirão com nomes toscos e a licença gradual. Ninguém merece metade de uma liga. Ou você tem, ou não tem, é simples. Ou você gosta de trabalhos pela metade?

Foto: Orkut

Tragam um juiz cachorro, abram espaço para as Cenas Lamentáveis (com responsabilidade para não parecer apologia), coloquem pelo menos os sons dos antigos WE’s ou nos presenteiem com um bilhete que vale uma passagem no tempo, podendo jogar as versões clássicas que nunca mais encontraremos na vida. Isso sim é amar o passado. Nos devolva um pouco disso e talvez você encontre o caminho certo para brilhar no futuro, Konami. O resto, a gente vai conversando a cada lançamento.

2 pensamentos em “Como o PES 2016 não será o jogo que tanto queremos”

  1. a EA conseguiu na justiça inglesa q não fosse permitido a KONAMI deixar a edição de escudos e ligas em aberto, por isso eles não colocam, é uma questao jurídica provocada pela filha da puta da EA, e o pessoal ainda fica reclamando da KONAMI, vcs acham q ela ia bloquear a edição só pra irritar os players?

  2. Nem o galatasaray tem, nem ronaldinho gaúcho?! n se pode jogar com jogadores clássicos :/ mudou muito…muita merda, um jogo cm 20 anos devia de ter tudo..

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