E se a Seleção Brasileira invertesse o papel com a torcida?

David Luiz leva canetas em Paris, Dante apronta lambanças no Porto. O 7 a 1 não acaba nunca, amigo… (Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil)

Você gosta de usar o Instagram, certo? Às vezes chora em momentos decisivos, de alegria ou de tristeza? Já começou um dia com o pé esquerdo e fez um monte de bobagens no trabalho? Compilou poucos arquivos e documentos para uma reunião importantíssima e acabou se mostrando despreparado? Pois bem, você já sofreu um 7 a 1 na vida.

Todos nós já sofremos. O que separa você da dupla de zaga do Brasil na Copa do Mundo de 2014 é que os seus vexames não são televisionados para todo o planeta e que não são milhões de pessoas esperando o seu sucesso. Que bom, não é mesmo? Viver pressionado. Ainda bem que você não é um atleta da Seleção e que não precisou entrar em campo no Mineirão naquele 8 de julho. E se os seus papéis fossem invertidos e os integrantes da delegação mais crucificados naquele torneio resolvessem se vingar do ódio público?

David Luiz, por exemplo, é até hoje achincalhado nas redes sociais por ter jogado mal contra a Alemanha. E por ser um usuário frequente do Instagram. Em um certo dia, cansado da hostilidade dos brasileiros, que jamais esquecerão o 7–1, o defensor começou a visitar contas de pessoas que postavam selfies em ambiente de trabalho. Não poupou xingamentos a uma secretária que fazia caretas para o seu celular enquanto o chefe esperava uma pasta com documentos para dar sequência à conferência com o superior dos Estados Unidos.

Pensa num cara revoltado. Esse é o David Luiz, desgraçado da cabeça. E ele vai xingar muito no Instagram (Foto: GloboEsporte.com).

“NOSSA, SUA RIDÍCULA, SEU CHEFE LÁ PASSANDO POR APERTO E VOCÊ AÍ PONDO A LINGUINHA PRA FORA EM UMA SELFIE???? TRABALHAR DE DOMINGO PRA FECHAR O BALANÇO FOI POUCO!!! SE ENXERGA, KIRIDAAAAA!!!”, ralhou um indignado David Luiz. Porque se tem uma coisa que o amigo internauta sabe ser nas redes é indignado. A indignação é uma das exigências para poder ter Facebook, Twitter e até mesmo os aplicativos de fotos.

Thiago Silva, coitado, acabou tendo um colapso emocional nas partidas contra Chile e Colômbia. Tão abalado, o capitão chorou copiosamente e nem chegou a bater pênaltis contra os chilenos. O zagueiro estava de folga e resolveu ir a um passeio no shopping. Passou em uma loja de roupas e viu um funcionário fumando e chorando do lado de fora. De pronto, lembrou dos dias desgraçados que teve após a Copa do Mundo e resolveu ir à forra. Gritou que queria um terno marinho em risca de giz, uma gravata preta e um sapato mocassim italiano. O pobre vendedor teve de enxugar as lágrimas enquanto tentava se recompor. Levou mais uma bronca.

“Seu gerente não te diz pra não chorar na frente da clientela? Isso passa uma imagem horrível. O que vocês fazem aqui nessa loja? Ouvem Celine Dion e assistem programas de noivas no intervalo? Nunca vi gente chorando no horário de expediente. Por favor, endireite-se”, reclamou o zagueiro-freguês, que sempre tem razão.

Felipão não gostou de ver o seu boletim na escola (Foto: CBF)

Luiz Felipe Scolari sempre foi o paizão do brasileiro médio. Depois de levar Grêmio, Palmeiras e o Brasil à glória, o treinador virou sinônimo de um líder que se entendia bem com o elenco. Tudo bem que com o passar dos anos essa imagem foi se descascando, até finalmente desmanchar na derrota contra a Alemanha. Acusado de ter armado a defesa da Seleção de uma forma que chamou os alemães, Felipão teve todo o seu sucesso ofuscado pela goleada no Mineirão.

Mas aí ele teve a chance de estar do outro lado do apedrejamento. Atuou durante uma semana como diretor de um colégio particular e chamou diversos alunos que estavam mal nas notas para uma conversa. Pedrinho, Jonathan, Brunão, Carlinhos, Marcelo e Jéssica passaram 15 minutos ouvindo broncas, enquanto Scolari apontava para o boletim e cobrava melhores resultados.

“Tu tá vendo aqui esse D em Filosofia? Tu poderia ter se esforçado mais naquela prova que encerrou o bimestre. Não fez isso porque tava ocupado jogando teus videogames em casa, não é? Depois que repetir de ano por causa dessa vadiagem, Marcelo, tu não vem reclamando e choramingando aqui na minha sala não, guri. Tá certo?”, avisou Felipão.

Quem se lascou mesmo foi o Brunão, que está por um fio no primeiro ano do Ensino Médio. Bagunceiro, o ‘gorila do fundão’, como foi apelidado na classe, criou o hábito de lançar bolinhas de papel nos professores e de desenhar caricaturas ofensivas deles na lousa, durante o intervalo.

“Bruno, me diz qual que é o teu distúrbio. Tu não consegue se comportar, senta no fundo da sala e ainda humilha os professores. Sabe o que te falta? Educação, garoto. Ou tu toma jeito, ou eu te transfiro pra um reformatório. Eu tenho um monte de aluno aqui que faz palhaçada, que acha que é engraçado, mas não é. E tu é um dos mais palhaços! Agora sai da minha frente e volta pra tua sala. Se eu ouvir um pio da tua boca, é suspensão!”, disse o treinador-diretor, relembrando os bons tempos de entrevistas coletivas polêmicas.

Ih, rapaz… (Foto: Reprodução/ESPN)

Quem nunca fez um gol contra na vida? Marcelo, lateral-esquerdo da Seleção, marcou um na estreia de 2014 contra a Croácia. Dizem que ele não sabe marcar e é melhor meia do que um lateral.

Depois de ter pesadelos com o gol diante dos croatas, o atleta do Real Madrid fez um estágio em uma paróquia para ficar no confessionário. Na posição de padre, ficou responsável por absolver os fiéis de seus pecados. E dar sermões, claro.

-Olha, padre, eu pequei. Traí a minha mulher e tirei dinheiro da mesada dos meus filhos para ir com uma amante ao motel.

-Arranca uma perna e reza duas vezes o Pai nosso aí. Tá tranquilo.

-Mas padre??? Arrancar a perna?

-Cê acha que Deus aceita só um ‘arruinei minha família, peço perdão pelo vacilo’? Se liga, rapá. Vai, pega essa serra aí do lado do confessionário.

-Que loucura, padre! Foi só uma pulada de cerca e não vai se repetir!

-Agora você diz isso, né? Anda, serrando aí. Quer anestesia? Te dou um remédio aqui que é ó, uma beleza.

-Eu rezo 300 Ave Marias! Mas por favor, deixa eu ficar com a minha perna!

O atacante Fred também participaria do quadro, mas está muito ocupado dando a saída de bola após mais um gol da Alemanha. Fica pra próxima.

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