Onze heróis de uma profissão insólita no futebol

Já tivemos vários posts para relembrar goleiros históricos aqui na Total Football. Não é novidade que temos apreço pela posição, inclusive já contamos como é jogar com um arqueiro no FifaPois em meio a tantas falhas e bolas defensáveis, preferimos ficar com as defesas, que fazem igualmente parte do espetáculo. Que tal relembrar alguns dos maiores atletas da posição, com vídeos?

Gordon Banks foi talvez o primeiro grande goleiro que a Inglaterra teve. Apesar de não ter sido brilhante por clubes, teve carreira boa pela seleção, conquistando a única Copa do Mundo do país, em 1966. Ao contrário do que o público em geral pensa, Banks nunca jogou por uma equipe grande. Começou no Chesterfield, passou por Leicester e Stoke e encerrou a carreira no Fort Lauderdale Strikers. Entre os seus grandes feitos, as atuações nos Mundiais de 1966 e 70, quando por exemplo, evitou alguns gols de um rapaz chamado Pelé. Responsável pela maior defesa da história do futebol, para muitos, Banks tem status de herói na sua terra. Até mesmo porque não tivemos tantos goleiros ingleses brilhantes desde a sua aposentadoria, em 1978.

Edwin Van der Sar, um dos favoritos deste site, começou a carreira nos anos 1990 e foi o elo forte de uma defesa incrível do Ajax. O holandês tinha como marcas registradas a frieza e a elasticidade. Capaz de buscar uma bola no ângulo ou de defender pênaltis no mínimo vacilo dos batedores, o gigante foi fundamental em três décadas diferentes. Defendeu apenas quatro clubes, além de sua seleção. Começou no Ajax, passou por Juventus e Fulham antes de desembarcar no Manchester United, clube pelo qual encerrou a carreira com enorme competência. É considerado um dos maiores goleiros do futebol moderno. Porém, não entraremos em discussões sobre isso, pelo menos por agora.

(Recomendamos que você tire o áudio dos vídeos a seguir)

Vai partir Cocu na perna esquerda. É ele e Taffareeeeeeeeeeeel… sai, sai, sai, sai que é sua, Taffarel! Herói da Seleção nas Copas de 1990, 94 e 98, foi o anti-Van der Sar. Responsável por trazer pesadelos aos holandeses em dois Mundiais consecutivos, o gaúcho de Santa Rosa é um dos únicos goleiros na história do futebol que ficou lembrado por uma defesa que não fez. Sim, aquele chute de Baggio nos pênaltis em 1994. Mas Taffarel nem precisava ter acertado o canto naquela cobrança. Foi um monstro do ofício e tirou na hora H a alegria de atacantes que pensaram que seria fácil vazar um cara como ele. Frustrou centenas de outros jogadores ao longo de sua carreira, iniciada no Internacional. Passou também pelo Parma, Atlético Mineiro, Reggiana e Galatasaray. Pendurou as luvas no Parma, com status de lenda no Ennio Tardini. Foi um dos símbolos do tetracampeonato do Brasil e hoje é treinador de goleiros no Galatasaray e da CBF, além de ter virado mene na internet, graças à narração de Galvão Bueno na supracitada defesa de pênalti de Cocu, em 1998.

Lev Yashin é um dos poucos nomes que são diretamente ligados a uma profissão. Falou em goleiro, falou no russo. Vindo de uma época em que os camisas 1 não usavam nem luvas para evitar tijoladas, o soviético foi o único arqueiro a vencer o troféu de Melhor Jogador do Mundo, em toda a história. Defendeu a meta do Dynamo Moscou por 20 anos e é conhecido pela sua alcunha de Aranha Negra, em virtude do seu uniforme todo preto. Conquistou a Eurocopa de 1960, a Medalha de Ouro das Olimpíadas de 1956 e foi pentacampeão soviético. Atuou como titular nas Copas de 1958, 62 e 66, as últimas grandes seleções da União Soviética.

Se Taffarel é o anti-Van der Sar, Fabien Barthez é o anti-Taffarel. Praticamente um Freddy Krueger no imaginário do torcedor brasileiro, o carequinha é o melhor goleiro que a França já viu. E também o mais vencedor. Primeiro homem de uma seleção que dominou o mundo, o camisa 16 fez escola em seu país. Não é nada difícil ver entre os clubes da França um careca debaixo das traves, levando nas costas o número famoso de Fabien. Começou sua carreira em 1990, pelo Toulouse e passou por Marseille, Monaco, Manchester United e Nantes, clube pelo qual se aposentou em 2007. Barthez foi vencedor da Liga dos Campeões, do Campeonato Francês, da Copa do Mundo, da Eurocopa e do Campeonato Inglês. No Brasil, será lembrado por fechar o gol na final de 1998 e nas quartas de final em 2006 e por fazer de Ronaldo um mero atacante nessas duas ocasiões. Dá até arrepio lembrar.

(Agora já pode religar o áudio dos vídeos)

(Parte 1 de 4)

Manuel Bento foi durante muito tempo o retrato de um português médio. Cabelos encaracolados, bigode de respeito e baixinho. No entanto, quando o Homem de Borracha vestia o seu uniforme e as suas luvas, o futebol se curvava à competência do melhor goleiro que Portugal já viu. O homem de Golegã chamou a atenção de dirigentes do Benfica, quando em 1972, brilhou pelo Barreirense em uma partida diante do Sporting. Jogava desde 1965 e durou até 1992, com mais de quarenta anos. Apesar dos 1,74m de altura, crescia na frente do atacante e não enfrentou qualquer um durante a sua trajetória. Foi decacampeão português e se caracterizava pela agilidade e por armar contragolpes lançando a bola com as mãos ao campo adversário, além da aptidão para pegar pênaltis e fechar o ângulo do oponente quando saía do gol. Morreu em 2007, após um infarto. Anos depois de sua aposentadoria, confessou que seu amuleto da sorte era um corno de vaca, que ficava ao lado da trave.

Peter Schmeichel foi um histórico goleiro dinamarquês que marcou época por ser parecido com Miguel Falabella nos anos 1990. Teve seu auge e assombrou a Europa com defesas improváveis e loucuras debaixo das traves do Manchester United. Revelado pelo Brondby e passou pelos Red Devils, Sporting, Aston Villa e Manchester City, onde se aposentou em 2003. A maior dificuldade para um goleiro é se destacar por algo além de suas defesas. Como os atletas são pouco acionados (a não ser que a defesa seja débil), é difícil ser lembrado por lances técnicos, ao contrário dos meias e atacantes, que podem ter espaço para jogadas características. Schmeichel fez sucesso por ter sido extremamente seguro pelo United e por, assim como Manuel Bento, armar contragolpes com as mãos. No alto de seus 1,93, Peter era chamado de ‘O Grande Danês’, ou ‘Great Dane’, que também é uma raça de cachorros, conhecida aqui no Brasil como ‘Dogue Alemão’. Foi tetracampeão dinamarquês, pentacampeão inglês, campeão português, campeão mundial e da Europa (pelo United), além de ter vencido a Eurocopa em 1992, pela Dinamarca. Seu filho, Kasper, é titular do Leicester.

Michel Preud’Homme foi simplesmente o melhor goleiro belga de todos os tempos com cara de vilão de filmes do Van Damme. Roubou a cena na Copa de 1994 ao fazer defesas incrivelmente elásticas, técnicas e difíceis. Começou a sua trajetória pelo Standard Liège, em 1977. Também passou pelo Mechelen e pelo Benfica antes de encerrar a carreira. Chegou a acertar com o Fluminense, mas acabou voltando para Portugal, em 1999. O mais curioso sobre as defesas de Michel em 1994 era o fato de ele encaixar os chutes, sem dar rebote. Ou espalmava para fora, ou agarrava tranquilamente, como quem dissesse que o atacante não estava sendo bom o bastante.

Thomas Ravelli pode não ter sido exatamente regular em toda a sua carreira, mas marcou época na Copa de 1994, tal qual Taffarel e Preud’Homme. Maluco das ideias, o sueco foi o elo da sua seleção com o carisma, o que por si merece muito crédito, já que nenhum sueco na história da humanidade foi lembrado por ser carismático. Ravelli foi um dos grandes precursores da escola de goleiros loucos, visto que saía destrambelhado da meta e fazia dancinhas bizarras quando defendia algum chute difícil. Começou a jogar em 1978 e só parou em 1999, passando por Öster, Göteborg e Tampa Bay Mutiny. Infelizmente não encontramos bons vídeos que mostrem essas maluquices. Volta, 1994.

Thomas N’Kono é considerado por muitos como o grande goleiro que a África produziu em toda a sua história. Era tão bom, que foi eleito como Melhor Jogador Africano em 1979. Atuou em três Copas do Mundo por Camarões, assim como Roger Milla, em 1982, 1990 e 1994, apesar de ter sido reserva na última. Na sua terra natal, jogou por Canon Yaoundé e Tonnerre, antes de assinar com o Espanyol, onde ficou famoso. Também defendeu Sabadell, Hospitalet e Bolívar antes de anunciar sua despedida, em 1997. Audacioso, N’Kono saía constantemente nos pés dos adversários para fazer defesas. Era capaz de fazer excelentes reposições de bola com chutes da sua área. Hoje atua como preparador de goleiros do Espanyol. Uma história curiosa de Thomas é que em 2002, ele foi acusado de fazer magia negra a favor de Camarões, durante a Copa da África, contra Mali, nas semifinais. O ex-goleiro foi até o campo, antes da partida e jogou algo no círculo central, antes de ser retirado por policiais. Foi banido por um ano pela atitude. E claro, o título foi para Camarões, em disputa de pênaltis contra Senegal, dias depois.

René Higuita encerra a nossa lista com chave de ouro. Pode não ter sido o maior goleiro da história da Colômbia, mas é certamente o mais lembrado pelas polêmicas, saídas erradas do gol e cobranças de falta, além da defesa de escorpião em um amistoso contra a Inglaterra, em 1995. Higuita passou por várias equipes em seus 25 anos de carreira. Começou no Millonarios e brilhou pelo rival Atlético Nacional. Aí vai a relação de outros clubes defendidos pelo colombiano: Valladolid, Tiburones, Independiente de Medellín, Real Cartagena, Junior Barranquilla, Deportivo Pereira, Aucas, Bajo Cauca, Guaros de Lara e Deportivo Rio Negro. Ufa. Parou em 2010. El Loco teve dois episódios negativos em sua carreira: perdeu uma bola crucial no meio-campo para Roger Milla, de Camarões, levando um gol e culminando na eliminação dos Cafeteros em 1990. Depois disso, foi preso em 1993 e não disputou a Copa de 1994, na qual a Colômbia chegava com imensa moral. Mesmo assim, fica o legado dos cachos de cabelo e do bigode de René, que até foi um goleiraço quando não queria fazer gracinhas.

3 pensamentos em “Onze heróis de uma profissão insólita no futebol”

  1. Acho que faltou algum dos italianos que foram ícones da posição tipo Pagliuca, Zola, Zenga, Buffon e etc. Pelo perfil da lista acho que cabia o Pagliuca aí mas no mais bem massa o post.

  2. Faltou Sepp Meier, e principalmemente Oliver Kahn, maior goleiro da história alemã, e único goleiro que foi indicado entre os 3 finalistas da bola de ouro da fifa. Disputou o prêmio de melhor JOGADOR do mundo em 2002 contra Zidane e Ronaldo. Levou a alemanha nas costas na final de 2002.

  3. verdade faltou o Kahn.

    Na Copa do Mundo de 2002, disputada no Japão e na Coreia do Sul, Kahn conseguiu um feito inédito pois foi o primeiro goleiro a ser considerado o melhor jogador da competição. Kahn, em excelente forma, foi o principal responsável pela chegada da Alemanha à final da Copa, mas acabou perdendo para o Brasil. As suas boas atuações o levaram em Dezembro de 2002 a ser eleito pela FIFA o segundo melhor jogador do mundo, atrás do brasileiro Ronaldo e na frente de Zidane.
    Na Copa de 2002, tornou-se o único goleiro a ter conquistado o título de melhor jogador do torneio, concedido pela FIFA.
    Segundo o DVD FIFA Fever, que fala sobre a história do futebol, ele é o melhor goleiro de todos os tempos. Sendo considerado o goleiro mais completo da história do futebol.

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