Espanyol, o outro lado do sucesso em Barcelona

O RCD Espanyol é um dos mais antigos clubes de futebol na Liga Espanhola. Em 28 de Outubro de 1900, nas salas de aula da Universidade de Barcelona, nasceu a Sociedade Espanhola de Futebol, nome que deu ao clube o seu fundador e primeiro presidente, Ángel Rodríguez. A principal identidade, e que determinou o nome original deste novo clube desportivo, era que todos os integrantes fossem nascidos na Catalunha ou no resto da Espanha, ao contrário de outras equipes que tinham ingleses e atletas de outras nacionalidades. (Site oficial do clube)

São 115 anos de história do Espanyol, o segundo clube mais famoso de Barcelona. Vivendo sempre à sombra do irmão blaugrana, o time carismático da Catalunha atravessa os anos atrás de uma consagração que pode nunca vir, em virtude do grande abismo entre os clubes gigantes do país.

Como bem diz a introdução, o clube foi formado por estudantes da Universidade de Barcelona. Mais de um século depois, a equipe tem forte ligação com as suas raízes e com a resistência catalã. Competitivamente falando, trata-se de um clube tradicional, mas que nunca foi exatamente um candidato a títulos nacionais.

Não se pode dizer que há uma franca competição entre Barça e Espanyol. Afinal, os culé ostentam 23 títulos da Liga contra nenhum do seu rival. No confronto direto, em 161 partidas, foram 92 vitórias do Barça contra 34 do Espanyol, com 35 empates. A última vez em que o irmão menor saiu de campo vitorioso foi em 2008, em pleno Camp Nou, com dois gols de Iván De La Peña, que por acaso foi revelado em La Masía.

De La Peña comemora o gol da vitória contra o Barça em 2008, no Camp Nou. (Foto: Diário AS)

Desde a sua fundação, os blanquiazules foram apenas campeões da Copa do Rei, em quatro ocasiões. A última em 2006, contra o Zaragoza liderado por Diego Milito. Pode soar bem comum ser um time pequeno em uma cidade que é um dos centros do futebol mundial, como podemos notar em Londres, onde West Ham e Millwall acabam ofuscados por Chelsea, Arsenal e Tottenham. Para o Espanyol, a missão maior talvez nem seja exatamente o título, e sim continuar carregando a bandeira da Catalunha como um símbolo da bravura de um povo que aos poucos descobre que tem voz dentro da Espanha.

Di Stéfano em partida com a camisa dos Periquitos. (Foto: Diário AS)

Entre seus principais jogadores, estão os gênios Alfredo Di Stéfano e Ricardo Zamora (um dos maiores arqueiros espanhóis da história), além de nomes menos impactantes como o do japonês Shunsuke Nakamura, o goleiro camaronês Thomas N’Kono e o ex-capitão Raúl Tamudo, que já correu por vários times do país.

Há seis anos, o Espanyol sofreu um baque no que se entende por idolatria. Durante a pré-temporada de 2009–10, o então capitão e zagueiro Dani Jarque morreu após um infarto fulminante, em Florença. Deixou uma mulher grávida de sete meses. Até hoje é lembrado como ícone do clube e sua camisa é a mais vendida na loja oficial e seu número, o 21, estampa as faixas de capitão usadas por Sergio García. Foi homenageado durante a conquista da Copa de 2010 por ninguém menos que Andrés Iniesta, autor do gol decisivo contra a Holanda, que rendeu a taça à Fúria.

É bem verdade que os Periquitos estiveram perto de beijar a glória internacional, antes mesmo de saber qual é o gosto de conquistar a Liga de seu país. Em 1988 e 2006, o time perdeu a Copa Uefa na decisão, para Bayer Leverkusen e Sevilla, respectivamente.

Assim como a maioria dos clubes espanhóis que não atendem pelos nomes de Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid, o Espanyol sofre para conseguir direitos de transmissão mais justos. A desigualdade na distribuição de dinheiro para os 17 times da elite é um dos fatores que ajudam a justificar o tamanho dos blanquiazules em território nacional.

Ainda que não corra riscos de rebaixamento e sempre lute pelo meio da tabela, fica a sensação de invisibilidade. De que a corda sempre vai puxar para o outro lado, repleto dos milhões de euros, de propagandas e de craques, enquanto o pobre Espanyol se vê engolido pela febre mundial que é torcer pelo Barça.

Para cada Neymar que desembarca no Camp Nou, no máximo um Felipe Caicedo chega com moral ao Cornellà El-Prat. Sinal de tempos ainda mais desequilibrados, como se a história já não desse conta de amassar a auto-estima dos torcedores blanquiazules.

A parte positiva dessa estagnação é a ausência de qualquer pressão, algo que é recorrente no Superclássico. Não há uma obsessão por resultados e a torcida já se encontra resignada nas derrotas repetidas para o Barça e os outros grandes. Por exemplo, na última temporada, um décimo lugar foi tratado com normalidade, justamente pela diretoria e pelos fãs entenderem o tamanho da agremiação. Até mesmo peitar Valencia, Sevilla e Villarreal é uma missão ingrata para o Espanyol, que hoje pertence ao terceiro pelotão espanhol.

Sem cobranças, projetos ambiciosos e altas expectativas, o Espanyol segue tentando um lugar ao sol, como quem perde dias e dias de vida a cortar cana e sonhando com uma vida melhor. Há dignidade em ser pequeno e ter plena consciência disso. Para o clube e o torcedor médio, a rotina não é de forma alguma vergonhosa ou deprimente, embora em alguns dias o tempo pareça não passar.

Ser do Espanyol é idolatrar um jogador por marcar o gol de empate no derby de Barcelona. Ser do Espanyol é representar uma minoria. Uma minoria maravilhosa. Um amor que ninguém se arrepende.

2 pensamentos em “Espanyol, o outro lado do sucesso em Barcelona”

  1. Em Barcelona, é até difícil comprar uma camisa do Espanyol. Rodei as lojas de esportes do centro da cidade e das áreas turísticas, só encontrei na loja oficial do clube, que à época ainda jogava no Estádio Olímpico. (Talvez um pouco por culpa do fornecedor de material esportivo, que era a Uhlsport. Hoje é a Puma, talvez a distribuição seja melhor.)

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