Quando foi que o Liverpool virou apenas uma ponte para grandes clubes?

People thought that Liverpool would never be the same again once Kevin Keegan packed his bags for a new challenge at Hamburg, and they weren’t. They were considerably better. While Paisley acted decisively in spending the Keegan money to bring in Dalglish, who scored the neatest of goals to secure victory at Wembley, around that keynote signing a whole new side was taking shape. (The Guardian, sobre o bicampeonato europeu do Liverpool em 1977–78, contra o Club Brugge)

Pode parecer bizarro dizer isso em 2015, apesar de fazer muito tempo que o Liverpool não mostrar por que é um time tão vencedor. Historicamente, o clube é um dos maiores do mundo. Venceu 18 vezes o Campeonato Inglês, cinco a Liga dos Campeões, três a Copa Uefa (hoje Liga Europa), sete vezes a Copa da Inglaterra e oito a Copa da Liga Inglesa.

Vice-campeão na temporada retrasada, quando caiu nas últimas rodadas e acabou ultrapassado pelo Manchester City, o Liverpool agora paga o preço de anos irrelevantes e pouco competitivos. Desde o início de 2015, os Reds vivem uma novela para renovar o contrato do atacante Raheem Sterling, uma das grandes promessas recentes formadas em Anfield. O jogador de apenas 20 anos pede um salário astronômico e por causa do seu agente falastrão, irritou a diretoria, que não está mais disposta a negociar. Sterling tem contrato até junho de 2017. Então, assim, como quem não quer perguntar nada: por que a pressa?

Ah, sim, claro, o interesse de outros clubes europeus pelo jovem fez com que o Liverpool quisesse aumentar a sua multa rescisória, e para isso, um novo contrato teria de ser feito. Sterling sabia o que a proposta significava e resolveu bater o pé para ficar milionário antes mesmo de completar 25 anos. O seu empresário afirmou que recusou uma oferta de £100 mil semanais. Queria £150 mil e passou o recado de que o clube deveria pagar melhor a seus astros. Como se esse valor fosse baixo e ainda supondo que Sterling tem o status de nomes como Gerrard e Henderson. Não tem, este é o problema.

Quando as coisas ficaram longe de serem resolvidas, Aidy Ward, o polêmico agente afirmou que nenhuma proposta dos Reds seria satisfatória o bastante. Nem £900 mil mensais seriam o bastante para manter o garoto em Anfield. O que nos faz pensar em duas coisas. 1) Estes meninos de hoje realmente pensam que o mundo está aos seus pés. 2) Empresários são mesmo a pior estirpe do futebol. Piores que os cartolas corruptos e irresponsáveis que jogam clubes na lama com dívidas na casa dos milhões.

Mais alarmante do que estas duas nuances é: o Liverpool não é mais atraente para que um jogador novo se consolide no esporte. São cinco títulos europeus que não valem de nada. Será que Sterling quer mesmo ser alguém ou está pensando no dinheiro. Por via das dúvidas, ser um jogador dos Reds deveria representar toda uma grife. Herdar o trono que um dia já foi de Dalglish, Souness, Rush, Clemence, Houghton, Toshack, Keegan, Gerrard, Owen, Barnes, entre outros lendários atletas que conquistaram quase tudo com a camisa vermelha.

Enquanto o trololó de Sterling não se resolve, o Manchester City está de olho no atacante. A imprensa inglesa especula que os Sky Blues querem pagar cerca de £40 milhões para contar com o futebol do menino. No entanto, a diretoria do Liverpool deve punir o jogador de alguma forma pela conduta nas negociações. Não querem liberá-lo antes do fim do contrato, o que certamente deve mudar diante de uma proposta atraente como a do City.

Foto: Sky Sports

Vamos aos fatos: o Liverpool chegou perto do título inglês em 2014, mas por uma tragédia como o escorregão de Gerrard, que abriu o caminho para as desgraças seguintes, o time ficou só no quase. Este quase foi o que determinou a ligeira queda de patamar desta temporada. Fraco no Inglês, eliminado ainda na primeira fase da Champions, derrotado nos pênaltis pelo Besiktas na Liga Europa e humilhado duas vezes nas rodadas finais. A tradição certamente não entrou em campo quando o Crystal Palace fez 3 a 1 na despedida de Gerrard em Anfield e se fez esquecida ainda mais no 6 a 1 do Stoke, quando o capitão fazia sua última aparição com a camisa do clube. Isso aconteceu depois do ‘não’ de Sterling, mas foi sintomático para dar o mínimo de razão ao jovem. Quem é que vai querer ficar em um clube que não disputa nada e sequer consegue dar um adeus decente ao seu maior ídolo?

Dinheiro, um estádio bonito, tradição, torcida representativa e um time promissor. Isso tudo o Liverpool tem. Só falta mesmo olhar para todos os jogadores e o treinador Brendan Rodgers e dizer: “hmm, esses caras podem ser campeões”. E hoje, infelizmente, não é uma frase que possa ser dita em um tom sério. As pessoas podem até rir disso.

Sem Gerrard, uma grande referência como atleta e o último vencedor que ainda restava no elenco, o Liverpool precisa se reinventar. Se reinventar e mostrar que é um bom lugar para que os próximos Sterlings se sintam motivados para ganhar tudo. Assim como o clube fez na década de 1970 ao vender Keegan e trazer Dalglish. Olhar para a frente e superar os traumas recentes é a única solução para os Reds resgatarem o prestígio dentro do país. Feito isso, o resto é consequência.

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