A despedida de Xavi, um ícone do maior Barcelona da história

Os torcedores do Barcelona vivem nesta quinta-feira o luto já esperado desde o ano passado. Depois de 18 temporadas como profissional, o meia Xavi Hernández anunciou que sairá para o Al Sadd, do Catar, após a final da Liga dos Campeões. Acima de tudo, a saída do capitão e camisa 6 representa o fim de uma era. O adeus de alguém que foi o símbolo de uma filosofia trabalhada à exaustão desde as equipes mais jovens. O encerramento de um ciclo absolutamente vencedor, por clube e seleção.

O futebol mudou bastante desde que Xavi começou a sua carreira, lá em 1998. O próprio Barcelona ainda não era exatamente adepto do famoso ‘tiki-taka’, expressão tão repetida para descrever um time que tinha obsessão com a posse de bola e os toques precisos, curtos e pacientes.

É preciso ter paciência para analisar as grandes virtudes de Xavi, um monstro da sua geração e que só foi valorizado da forma adequada quando o Barça começou a dominar a Europa. A verdade é que ele sempre mostrou suas qualidades, mesmo nos tempos inglórios da equipe catalã. Só precisou esperar uma proposta de jogo mais propícia para exibir ao mundo a sua capacidade de liderar e trabalhar.

Como volante, meia, armador, e em todas as outras funções que desempenhou ao longo destes 18 anos, Xavi foi exímio. Exímio para carregar a bola, para dominar um passe muitas vezes fora de medida. Para achar um companheiro atrás, na frente, ao lado. Em muitas ocasiões, recebia uma missão ingrata de transformar um chutão em uma grande jogada de ataque. Sem espaço, bem marcado, conseguia apagar a fogueira que era ser o homem de ligação entre a defesa e o meio.

Xavi era de certa forma incansável. O jeito como percorria o setor intermediário lembrava o de uma formiga operária. Ia, voltava, afastava, dava o bote, tirava o espaço e por vezes o encontrava entre dois ou três adversários. Ele não é do tipo que se intimida com um enorme volante ou com um atacante desesperado para levar a bola até o outro gol. Vestia a sua senyera no braço esquerdo e era como se usasse uma armadura para defender a sua honra e a dos demais.

Evidente que sabe driblar. Como bom jogador criado em La Masía, aplicou em incontáveis oportunidades o seu talento de fintar e desconcertar um oponente desatento. Não de uma forma desrespeitosa, muito menos desnecessária. Cada drible usado por Xavi vinha com o selo de qualidade de alguém que é calculista em cada passo que dá no campo.

Com o passar dos anos, o vigor e a disposição foram diminuindo. Natural, de acordo com a sua idade. A regularidade no toque e na regência do setor de meio-campo, no entanto, continuam lá. Isso nem mesmo a velhice vai levar embora. Por mais que alguns considerem o futebol do Barcelona de Guardiola uma das coisas mais entediantes deste século, as vitórias e sobretudo títulos contam a história bem-sucedida de um plano definido e seguido à risca pelas crias catalãs.

Xavi é especial, inigualável e único. É um exemplo quase isolado de jogador que leva a fidelidade no peito até o caixão. Um retrato claríssimo da equipe que foi e quer voltar a ser a mais temida do mundo. O espanhol é o sinônimo do tiki-taka e mais ainda do Barça que conquistou três vezes a Liga dos Campeões em seis temporadas. Hoje em dia, todo menino quer ser Messi, Neymar, Pogba ou Ibrahimovic. Poucos imitam os gestos de Xavi, que pode não ser o modelo ideal dos sonhos da molecada, mas é sem dúvida o ídolo que todos nós gostaríamos de ter.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *