É preciso acreditar

Se há um time neste mundo que tem levado ao pé da letra a história de acreditar até o fim na vitória, este é o Atlético Mineiro. Esqueça o famoso Fergie Time do Manchester United. Nenhum outro clube é tão vibrante quanto o Galo. A prova disso foi mais uma classificação na base da raça, nesta quarta-feira, pela Copa Libertadores.

Para quem via de longe, era apenas mais um jogo decisivo, valendo vaga nas oitavas de final. Mas conhecendo o Atlético como conhecemos desde o time de 2012, que serviu de embrião para a conquista de 2013 na Libertadores, os traços de filme épico estavam claros a partir do pontapé inicial.

Desde o vice-campeonato no Brasileirão de 2012, vimos várias viradas memoráveis do Galo. Contra o Newell’s, na semifinal da Libertadores em 2013, depois o Olimpia, na decisão. Aí na Copa do Brasil de 2014 diante do Flamengo, Corinthians, até que na decisão o Cruzeiro nem viu a cor da bola. Nesse contexto, o Galo entrou em campo no Independência precisando de dois gols contra o Colo-Colo para se salvar e avançar na Libertadores, hoje, quase dois anos depois do primeiro título.

Mais uma vez, um cenário de superação estava armado para o time que mostrou para a América do Sul como é que se joga com emoção, respeitando as origens de uma tão nobre e desejada competição. Se nos idos da década de 1960 e 70 times argentinos e uruguaios varriam o continente com um jogo visceral, o Galo mostra não uma competência invejável, até mesmo porque penou para chegar à última rodada com chances, mas sim um espírito quase invencível.

Bruno Cantini/ Foto: Clube Atlético Mineiro
Bruno Cantini/ Foto: Clube Atlético Mineiro

O sonho de mais uma vez estar entre os 16 melhores do continente ficou mais perto com o gol de Pratto, mostrando frieza na finalização. A frieza do centroavante se restringiu ao instante em que ele tocou o pé direito na bola e fuzilou as redes chilenas. A comoção tomou conta das arquibancadas, de vez, ao longo da segunda etapa. Sobretudo quando Luan tropicou e sofreu pênalti. Ali estava marcado um novo grito de EU ACREDITO. Toda a importância de acred… e Guilherme perdeu.

Era preciso continuar acreditando na mística, na capacidade de fazer o impossível. E o Atlético se tornou especialista nessa arte de superação, suor e sangue. Um tal de jogar com o coração, sentir a partida, entrar em cada bola como se a vida dependesse disso. Assim foi até o chutaço de Rafael Carioca, no ângulo, colocando abaixo o estádio com a vibração da massa.

Se não tiver drama, não serve. Não seria o Galo que nos acostumamos a ver pelo Brasil, que não se abala com um 2-0 contra, nem um estádio cheio na casa do rival. Se há uma coisa que ativa o mais essencial dos instintos dos jogadores com esta camisa, essa coisa é o Horto. Pode até ser notícia velha comentar que o Atlético fez um milagre, mas nunca vai deixar de ser impressionante como o futebol e este Galo são sinônimos.

Em terra de 1-0 burocrático e vantagem bem administrada, o flerte com a derrota é o que mantém o alvinegro elétrico na batalha.

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