Ideias de fórmulas que poderiam aumentar a emoção no Brasileirão

Enquanto as pessoas se estapeiam na internet para decidir o que é melhor para o futebol brasileiro, tomando como base que só é possível fazer um campeonato em formato de mata-mata ou pontos corridos, sentei com meus botões aqui para pensar em alguns modelos que poderiam ser interessantes para o Brasileirão. Muita gente reclama de baixa audiência, baixo público e jogos desinteressantes. Que tal repensar isso também? Tomem aqui essas sugestões, então.

Formato A: eu quero é ver bola na rede

São 20 times e disputa em turno e returno, os quatro melhores jogam duas finais. Sim, isso mesmo, o primeiro disputa com o segundo e o terceiro com o quarto. Depois dessas finais, os campeões jogam a Super Final, porque é muito legal jogar decisão. Devia ter mais decisão inclusive, todo mundo ama uma decisão.

É anti-passe exagerado, o anti-nhenhenhe, o anti-tiki-taka. Sem goleiros, os times teriam de trabalhar melhor na defesa e perderiam essa timidez catalã de chutar de fora da área. Não teria mais esse negócio de obsessão com posse de bola, o negócio aqui é fazer gol. Tá cansado de ver 0 a 0 no horário nobre e preferia deixar a TV pra patroa? Seus problemas acabaram.

Além de incentivar o chute de longe, uma regra específica proibiria tabelas dentro da área com o intuito de humilhar o adversário. Os zagueiros continuarão sem poder pegar a bola na mão. Imagina o tanto de meia que ia se consagrar como exímio chutador, seria o fim do pesadelo dos atacantes. A média de placares ia ser de 4 a 4, ainda mais agora que o Zé Love saiu do Coritiba. A cada intervalo, os times seriam obrigados a trocar os zagueiros pelos atacantes, para democratizar o acesso ao gol. Falando assim, até parece mesmo uma boa ideia.

É proibido empatar em 0 a 0. Cada gol marcado é um ponto extra na tabela. No entanto, sofrer gols anula este privilégio. Por exemplo: um placar de 2 a 2 prevê apenas um ponto. Uma vitória por 3 a 1 rende cinco. E assim por diante, evitando que equipes possam forjar empates em 12 a 12 e assim assumirem a liderança. Se mesmo assim a galera falhar na pontaria, teremos disputa de pênaltis.

Formato B: eu quero emoção

Quer emoção? Então toma. São 20 times, quatro grupos de cinco, turno e returno e depois mata-mata com todos eles, em chaveamento de acordo com as posições gerais no campeonato. Ida e volta, empate resulta em penalidades.

Todas as partidas da Série A contariam com um telão e um narrador sensacionalista nas cabines dos estádios, para que a torcida se empolgue com aquela cobrança de lateral na intermediária e aquela falta de ataque do Guerrero.

Nos intervalos, esses telões exibiriam a cena da morte de Patrick Swayze em ‘Ghost: Do outro lado da vida’, com direito a ‘Unchained Melody’ no repeat até que os times voltem ao gramado. Após a partida, ainda com transmissão da TV, teríamos um show apresentado por Pedro Bial. Nele, cada equipe fará uma votação popular para decidir um jogador que será dispensado e obrigado a defender outro dos 20 clubes da competição.

Em caso de empate, pênaltis. Mas com um porém: uma comissão especial trocará as bolas da partida por bombas. A cada cinco bolas, uma vai explodir quando o jogador chutar. Os cobradores serão sorteados e o que fizer o gol decisivo ganha um Chevrolet Camaro 1969 sem freio (ele não vai saber este detalhe).

Formato C: eu quero justiça

Vamos lá, seu defensor da lei soberana. Serão 20 times, turno e returno e pontos corridos. A vitória fora de casa vale seis pontos e o empate fora de casa vale dois. Ao fim de cada partida, um juiz do Ministério Público previamente designado vai decidir quem mereceu mais a vitória. Se o seu time ganhar por 1 a 0 aos 44 minutos do segundo tempo com gol de canela depois de passar o tempo inteiro na retranca, o resultado será considerado como empate.

Mais de três cartões vermelhos ao longo da competição resultam em três meses de detenção. Afinal, o jogador precisa reconhecer que a falta é anti-jogo. E quem é anti-jogo, não pode fazer parte do esporte. O atacante que tiver maior incidência de finalizações erradas terá de prestar serviços comunitários como aulas em creches, assistência a idosos e limpeza urbana.

Neste modelo, não são os pontos que determinam o campeão. A equipe que tiver um índice maior na soma de vitórias + saldo de gols será coroada como vencedora. Quem perder mais de 15 partidas, estará automaticamente rebaixado para a Série B. Se mais de quatro clubes terminarem nesta condição, um mini-torneio eliminatório será disputado para definir os quatro piores. Agora os cartolas não podem mais falar de azar e falta de tempo para o planejamento!

Formato D: eu quero maior audiência na TV e estádios lotados

Ah é, então você se preocupa com o ibope, pois isso reflete nos direitos de transmissão que as TVs pagam ao seu clube? Tudo bem. Sem problemas. São 20 times, turno único e os oito melhores avançam para o mata-mata. O empate provoca penalidades. Mas calma que a parte legal pra você que vê do sofá ainda está por vir.

A cada intervalo, as emissoras farão sorteios de prêmios para os torcedores que enviarem um SMS para um determinado número. Quem enviar, recebe um cupom que dá direito a um ingresso para o próximo jogo em casa do seu time do coração. Não pode ir? Repasse a um parente, amigo ou vizinho. O jogo das 21h15 seria o último horário possível, forçando a Rede Globo a tirar do ar a porcaria da novela das seis que só a sua tia que tricota suéter assiste, antecipando os jornais regionais e o Jornal Nacional, sem falar no carro chefe que é a novela das oito. Aliás, a novela das oito finalmente começaria às oito horas.

Depois deste sorteio, João Kléber entrará ao vivo em todas as emissoras que tiverem o direito para as partidas e será o juiz de uma luta entre artistas escolhidos por voto popular ao fim da rodada de domingo. Nessa luta, com limite de tempo de 5 minutos, é matar ou morrer. Além do confronto físico, cada combatente poderá utilizar uma arma. Isso certamente vai estourar o índice do ibope.

“Mas o que os estádios ganham com isso?” você se pergunta. Eu respondo: quem conseguir ir ao estádio do seu clube mais de dez partidas, ganha um kit com um uniforme completo do time e outro cupom para concorrer ao prêmio de 1 bilhão de reais na Loteria Federal. Sim, pois a audiência vai subir tanto, que a margem de lucro vai extrapolar qualquer previsão sóbria dos especialistas.

Formato E: distribuição igualitária para os times considerados ‘pequenos’

Por fim, uma fórmula que realmente dê atenção para as equipes pequenas que não contam com tanto investimento das emissoras e acabam sendo enfraquecidas na montagem do elenco. Aqui neste formato, são 20 clubes, turno e returno, os oito melhores vão para um mata-mata só de ida até a final, com sorteio de mando.

Cada equipe que não tiver feito parte do extinto ‘Clube dos 13’ terá um prêmio em dinheiro por vitória. Se o duelo for entre dois concorrentes que estejam nesta condição, a grana dobra. Time grande que joga em casa entra com apenas 10 jogadores, pra compensar a discrepância na folha de pagamentos. Esses pequenos também terão um pênalti obrigatório por jogo contra os grandes. Assim ninguém sai de campo reclamando que ‘toda vez acontece essa roubalheira’.

Se nenhum pequeno terminar a competição no G8, duas vagas serão abertas para os melhores, formando assim um G10. Caso isso aconteça, os dois melhores na tabela geral folgam na primeira fase eliminatória e serão sorteados no estágio seguinte.

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