Osvaldo e a definição de um atleta ‘ruim de elenco’

Pablo Daniel Osvaldo é um atacante argentino, naturalizado italiano, de 29 anos, que atualmente defende a Internazionale. Emprestado pelo Southampton, o rapaz foi oferecido ao Queens Park Rangers até o fim da temporada, depois de ter arrumado uma confusão na Inter, com Icardi e o professor Roberto Mancini. O problema na verdade não é nem essa dispensa recente por parte dos nerazzurri, e sim todo o histórico do atacante, que arrumou encrencas por onde passou. Se você ainda não sabia exatamente o que era um cara ‘ruim de elenco’, talvez este seja o exemplo perfeito.

Vamos recapitular a carreira de Osvaldo até aqui: começou no Huracán em 2005, e foi para o futebol italiano. Jogou por Atalanta, Lecce, Fiorentina e Bologna antes de se transferir para o Espanyol, onde definitivamente estourou para o futebol europeu. Em 2011, a Roma resolveu apostar nele, que seria uma solução para os anos sem um homem de referência lá na frente.

Aí que começa a folha corrida do moço: ao fim do ano, revoltado por não ter recebido um passe, Osvaldo deu um soco na cara de Lamela, seu conterrâneo e colega de Roma. A briga foi abafada pelos dirigentes, mas todos no clube sabiam que o pavio curto do atacante iria trazer mais problemas. Durante a decisão da Copa da Itália, em 2013, diante da Lazio, o jogador entrou apenas no segundo tempo e foi visto gritando com o interino Aurelio Andreazzoli pelos poucos instantes em que atuou. Os romanistas perderam por 1 a 0, gol de Lulic.

Passamos então para o próximo capítulo. Comprado pelo promissor Southampton, Osvaldo foi seguir sua carreira na Inglaterra após custar  €15 milhões aos Saints, na segunda metade de 2013. Em janeiro de 2014, se meteu em um quiprocó contra o Newcastle, na lateral, e acabou punido com três jogos de suspensão. Aprendeu alguma coisa? Não. O jogador mais caro da história do Southampton deu uma cabeçada no defensor José Fonte, três semanas depois, sendo suspenso pelo próprio clube. Era hora de negociar o menino-problema, que novamente tornava a vida no vestiário num enorme climão maneiro.

“A Inglaterra tem um jogo muito físico, com entradas muito duras. Vejo que dão mais atenção para a tática na Espanha e na Itália e isso faz mais o meu tipo. Foi muito difícil me adaptar e sofri bastante enquanto estive lá”, disse Osvaldo, em entrevista.

Emprestado para a Juventus no primeiro semestre de 2014, o jogador sonhava em disputar a Copa do Mundo e elogiava a estrutura encontrada no clube bianconero. Teceu elogios ao técnico Antonio Conte, e tinha um futuro brilhante no principal time da Itália nesta década, mesmo tendo de lutar por um lugar na equipe titular. Antes de retornar aos Saints, jogou 11 partidas e fez apenas um gol, não deixando exatamente saudades. Porém, não arrumou brigas e até deixou uma boa impressão pessoal. Será mesmo?

O mundo girou até que ele retornasse à Itália, para defender a Inter. Já sem a mesma moral que desfrutava nos tempos de Roma, o atacante não mostrou a que veio nos dois clubes anteriores. Valia a aposta para Walter Mazzarri? Será que o sentimento juventino estaria soterrado? A resposta é não. No primeiro grande duelo da Inter em 2015, já sob o comando de Roberto Mancini, Osvaldo discutiu de forma acalorada com Icardi (outro que não é lá um grande amigo, como conta este excelente texto do Quattro Tratti) e o chefe, tudo porque Icardi resolveu tentar uma jogada individual e não tentou o passe. Lembremos do soco na cara do pobre Lamela. E agora vejamos este Vine com o momento da revolta osvaldiana:

https://vine.co/v/OpuXh9EQBz5/embed/simple

Calma, cara!!!! (Repare como Icardi está pouco se lixando para a fúria do companheiro, enquanto Guarín quase apanha por querer apartar a briga)

Por esse entrevero, Osvaldo acabou praticamente dispensado pela Inter, mas se recusa a jogar no Southampton outra vez, o que provavelmente forçou os dirigentes a oferecerem os seus serviços ao desesperado Queens Park Rangers. Lá, o italiano encontrará Joey Barton, bom meia que por acaso, já foi preso por agredir e desfigurar o rosto do companheiro Ousmane Dabo, quando atuava pelo Manchester City. Homens desregulados emocionalmente e que podem dividir o espaço no vestiário, começando assim, quem sabe, uma grande história de amor ou de ódio, como poucos filmes de Clint Eastwood conseguiriam retratar.

Você já deve ter ouvido casos de jogadores que racham o elenco por questões ideológicas, salariais ou até mesmo de entrosamento. Osvaldo tem rixas dentro de campo, e as leva muito a sério, a ponto de agredir os coleguinhas ou chegar muito perto disso. Por mais que não tenha sido chifrado pela mulher com Icardi, faltou mais calma na hora de analisar a situação. Falta alguém na vida de Osvaldo que o acalme e diga que tomar Gardenal não traz problemas no anti-doping, e que a vida é muito menos rugidos e mais bola na rede, sobretudo no futebol. Se quiser ter vida longa no esporte, precisa aprender a se controlar e se preocupar mais em fazer a sua parte, ao invés de tirar as calças e pisar em cima a cada jogada em que os companheiros não lhe passam a bola.

Por essas e outras, Osvaldo é ruim de elenco. E tende a ser o renegado do vestiário, pelo seu temperamento. Quem sabe ele acerte com o QPR e aprenda um pouco com Barton. Ou degringole de vez e vá para a cadeia por aleijar outro jogador após um cruzamento errado. Torcemos para que isso não aconteça e que o italiano encontre o seu retiro emocional.

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