Totti e Pirlo podem se dar ao luxo de serem ridículos

Neste domingo, o capitão da Roma, Francesco Totti, explodiu as redes sociais. Não exatamente por seus dois gols e atuação decisiva no segundo tempo do dérbi contra a Lazio, mas por ter tirado uma selfie com a torcida depois do seu segundo gol, durante a comemoração. A maioria das pessoas que comentaram o fato no Twitter, se mostraram simpáticas ao ato do Capitano, mostrando a reverência ao camisa 10. Mas e se fosse outro atleta a fazer o gesto?

Totti é um dos últimos remanescentes do melhor futebol que a Itália apresentou, nos anos 1990 e no início dos anos 2000. É um exemplo de fidelidade a um clube, que o amparou desde menino, e que claro, também era o time do seu coração. A sua grandeza no solo italiano é equiparável ao que Andrea Pirlo e Alessandro Del Piero representam. Poucos são ídolos como ele. Aproveitar essa popularidade para testar o senso geral de ridículo talvez seja uma coisa que ele faça sem perceber, passando ileso das críticas ou do desagrado geral.

O cara é foda mesmo, tem de respeitar
O cara é foda mesmo, tem de respeitar

Quando Pirlo, outro gigante, apareceu vestindo uma camiseta com a frase ‘No Pirlo, No Party’, muitos riram e admiraram o desapego do craque juventino. E verdade seja dita, se fosse outro jogador qualquer, a aparição teria sido ridicularizada. ‘Onde já se viu o Giuseppinho, reserva no Livorno, aparecer com uma camiseta marrenta dessas? Quem ele pensa que é?‘ Mas não, estamos falando de Pirlo, não de um Zé Mané qualquer que come grama no banco de alguma equipe pouco tradicional.

Ainda nesse prisma, está a selfie de Totti, que teve até biquinho. Toda emblemática, num jogo contra o principal rival. Em outros tempos, Il Capitano mandaria a torcida rival se calar ou faria um gesto obsceno. Não hoje. Foi lá na galera romanista, pegou o celular de alguém e tascou-lhe uma selfie com os seus torcedores ao fundo. Se fosse Ljajic a fazer algo do gênero, o tom de repercussão provavelmente seria: “babaca”, “desrespeitoso”, “aparecido”, ou “Podolski”, todos pejorativos. Por sorte foi logo o símbolo da Roma que decidiu tomar tal atitude.

Selfie Totti 2

Totti ainda calha de ser um dos jogadores mais influentes do mundo, e qualquer coisa que ele faça (não necessariamente no campo da moral), será exemplo ou imitada por crianças e jovens ao redor do planeta. Nesse caso, o camisa 10 provou estar antenado nas redes sociais, onde cada vez mais as pessoas registram suas vidas por meio de selfies como a dele. Há quem diga que aproveitamos menos as experiências enquanto sacamos o celular para filmar ou fotografar o que está diante dos olhos, há quem diga que é APENAS uma forma de estar bem consigo mesmo.

Não há necessidade de extremismo para nenhuma das opções. Afinal, Totti é como cada um de nós, que faz o que bem entende, e contanto que não ultrapasse o limite do respeito com outra pessoa, está livre para se curtir ou se exibir da forma que lhe for mais conveniente. Muito embora eu não vá ser o público para uma hipotética nude do jogador. Nem se Totti postasse uma foto com uma melancia no pescoço ou plantando uma bananeira vestido de Haroldo, o Tigre, a repercussão seria negativa. O craque tem salvo-conduto para ser pitoresco.

Totti, Pjanic, Florenzi, Taddei e o presidente James Palotta. Divulgação/Roma
Totti, Pjanic, Florenzi, Taddei e o presidente James Palotta. Divulgação/Roma

Ele é midiático, assim como Cristiano Ronaldo, Pirlo ou Xabi Alonso. Tem o hábito de aparecer em fotos com os colegas, fazendo caretas. Naturalmente, a interação com as redes sociais, sobretudo no Instagram, se tornou uma maneira de aproximar os atletas do seu público, dos seus fãs. Lá em cima, citei Podolski, hoje na Internazionale, como o exemplo perfeito nesse quesito. O alemão veio ao Brasil e se encantou tanto, mas tanto, que resolveu postar sempre legendas em inglês e português.

Ainda que Totti não tenha virado exatamente um fenômeno no Instagram (até este domingo), a postura serve para desmistificar um pouco do preconceito que ainda há contra as selfies. E contra a nossa mania irritante de apontar o dedo para o gosto alheio. Que bom que rimos da maior selfie da história dos dérbis da capital italiana. Há espaço para o bom humor e para mostrar o sinal desses tempos. Totti e Pirlo não precisam ligar para o ridículo porque são grandes. E para eles, a linha entre o engraçado e o bizarro seja empurrada um pouco mais adiante.

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