A mentira que originou o Manchester City of God

Por Eric Franco

A história do Manchester City of God não começa na III Copa Trifon Ivanov e sim, no dia 1º de abril de 2014. Assim como viríamos a comprovar no dia do evento, desde que voltou de lesão, nosso amigo Bruno Santos introjetou toda a galhofa e pintou como um grande personagem do Trifonzão quando teve a ideia de anunciar uma edição carioca justo no Dia da Mentira com times que não existiam, incluindo a criação de alguns escudos pra dar um pouco mais de veracidade a zueira. Desculpa aí galera, mas pelo segunda edição seguida, meu escudo é mais fera que o de vocês.

Manchester City of God
Convenhamos, vocês não tinham chance

Escolhido o time e vendo que era o único que representava a Cidade Maravilhosa, acabei torcendo pra que os parças cariocas como Bruno, Breno e Chrispin pudessem conferir ao time a malemolência que me faltava. Só que de lá, o único que veio foi o Felipe Oliveira, de longe nosso melhor jogador na Copa, que armou um ataque entrosadíssimo com o Willian. Completavam o time, eu, Nathan, Cal, Thiago, Salmen (o Lugano pocket) e o Charles, que teve que ser substituído pelo Adam por conta de uma lesão no ombro.

Devo ser sincero com vocês: fui um capitão bem relapso antes da Copa, já que conhecia poucos deles e tava tentando junto com os outros organizadores ajeitar todas as cacetas do torneio. No dia, acostumado aos vareios anteriores e com a perna podre, apenas passei a mensagem de que o que interessava ali era se divertir, comer, beber e com certeza, ter histórias engraçadas pra contar depois. Eu mal sabia o que o resto dia reservava pra todos nós.

“Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”

Depois que o Inter chegou na final, vi vários deles falando da superação depois de serem taxados como última força do grupo. Tenho certeza que não ouviram isso de mim, porque não fazia ideia do que esperar daquele grupo. O lugar comum do “tudo pode acontecer” se fez presente e a disputa no grupo durou até os últimos jogos da 1ª fase. Começamos perdendo da Inter de Limão, num jogo pegado e podemos colocar essa derrota na minha conta. No lance do gol, o Lobo deu uma assistência à la Fred, deitado no chão e me pegou desprevinido. Tive uma chance clara de empatar na sequência e furei de maneira ridícula. Conformados, fomos pro duelo contra o Guanghzou que tinha vencido o primeiro jogo e contava com o capitão campeão da 2ª edição, porém o jogo foi lá e cá e achamos um gol no fim com o Nathan e ficou tudo embolado.

“Quem falou que a bola é tua, rapá?”

Apesar da origem inglesa do time, tentei evitar dar uma de Lineker em campo (entendedores entenderão) e cheguei atrasado no meu próprio jogo. Com chances de classificação reais contra o Heavy Metalist, entramos com vontade e aplicamos a maior goleada do campeonato. Invejosos dirão que eu comprei o Breno dando uma camisa do Manchester pra ele antes da Copa, mas isso é apenas recalque. Prova disso é que metade do time fez gol, descobrimos que o Salmen bêbado é um grande DIBRADOR, aplicando um belo lençol além do fatídico DIBRE R3 que ele deu na lateral de campo. Até eu marquei gol roubando a bola do zagueiro deles e fiz a comemoração mais REDÍCOLA do campeonato, que (in)felizmente não foi captada por nenhuma câmera. Um jogo histórico, afinal.

Foi tipo isso aqui, só que com menos melanina
Foi tipo isso aqui, com um pouco menos de melanina

Loucura, desespero e PELANTIS

Nas quartas, pegamos o bom San Lorenzo da Mata. Se você vai pra Trifon, a última coisa na qual você pensa é estudar os outros times. Você vai lá, fica trocando ideia com os outros jogadores, come, bebe, corneta e só vê os outros jogos com os olhos voltados pra corneta. Sendo assim, não fazíamos a menor ideia do que esperar daquele jogo e foi um dos mais legais de se ver. Eles começaram ganhando, empatamos, tomamos o segundo e empatamos de novo. Tivemos um pênalti no meio do jogo pra finalmente virar, mas a cavadinha caprichosamente resvalou no travessão.

No último lance, nossa versão nanica do Lugano deu uma botinada providencial no atacante deles que tava indo sozinho pro gol, levando o jogo pros PELANTIS. Além de parar o contra-ataque dos caras, nosso Materazzi ébrio bateu no peito e disse que iria botar lá dentro. Dito e feito estávamos na semi!

Terceiro ato

Ser um sujeito competitivo e cair nas fases inicias da Trifon é uma desgraça. Apesar da camaradagem fora de campo, eu sempre quero jogar. Então estar nas semis e fazer o máximo de jogos possíveis já era uma vitória pra mim. Enfrentamos novamente o Inter de Limão e o fato de já ter enfrentado eles, não ajudou em muita coisa. Mais um jogo pegado, mais uma derrota apertada, mais um jogo sem gol do Mulek Dibrante (único time a não tomar gol do cara no torneio: CHUPA, BRUNO).

Nos restava a disputa de 3º e 4º lugar contra o Real Vinhedolid. Sem chance de título a ideia antes do jogo era “foda-se, agora é só dibres e goles” e foda-se o resultado. Começamos bem, abrimos 1×0 e aí se apresentaram as cenas lamentáveis que todo mundo espera de um time que me tem como jogador (mas por incrível que pareça, era eu separando a maioria das tretas). Entre vários pontapés dos dois lados e mais um gol de falta (tinha feito um na semi-final), tomamos a virada e terminamos em quarto lugar.

Se em um campeonato como a Trifon fazer a pior campanha ou participar de um jogo que é lembrado pelas tretas acaba ficando marcado de maneira mais forte na memória coletiva, é reconfortante e igualmente legal fazer uma boa campanha, marcar seus golzinhos e sentir a felicidade que embriaga a todos que estão por lá.

Meu nome é Eric Franco e estou há 16 dias sem jogar a Trifon.

Retrato Manchester City

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