A primeira Trifon a gente nunca esquece

Por Gabriel Carvalho

O relacionamento entre este que vos escreve e a Copa Trifon Ivanov começou devagar. Vi de longe a primeira edição e acompanhei com carinho a segunda, apesar de não ter podido ir ao Playball em fevereiro. Depois de ver um pouco do que é a #febretrifon, decidi que me inscreveria para jogar a terceira edição.

Decisão tomada, lá fui eu ficar atento a cada tweet ou publicação no Facebook sobre o torneio, não queria perder a chance de jogar. Inscrevi-me na terceira leva, achando que não conseguiria a vaga (sempre pessimista, preciso melhorar nisso). Quando as escalações foram divulgadas e eu estava no Fenerbahtchê, custei a acreditar. Pensei que fosse um homônimo, sei lá. Perguntei para mais de uma pessoa e confirmei que era eu mesmo ali.

Entre os que jogariam o torneio, muitos conhecidos. No Fenerbahtchê, porém, não conhecia ninguém pessoalmente. Dois dias após a divulgação das escalações, começou a troca de e-mails entre os integrantes do time. Todos pareciam ser caras legais, a coisa fluía bem. No dia 12 de agosto, recebemos um duro golpe: Gui Rocha, nosso capitão, não poderia jogar o torneio, pois não estaria em São Paulo no dia 27 de setembro. Tristeza colocada de lado, recebemos o Wenceslau de coração aberto, o Flavio Bandeira herdou a braçadeira de capitão e seguimos em frente.

A esta altura, éramos um grupo unido. Ainda que nosso contato se desse apenas por e-mails e conversas no WhatsApp, parecia que já nos conhecíamos há anos. Ao mesmo tempo em que era duro ver as mensagens empolgadas do Gui sabendo que ele não poderia jogar, era gratificante perceber a competitividade de todos, incentivados pelas mensagens de nosso capitão. Na verdade, tínhamos dois capitães (Que time pode dizer isso? Chupem.)

O Guilherme cumpriu suas funções de capitão até a véspera da Trifon. Enviou informações sobre os adversários e nos incentivou durante todo o tempo. Mas era chegada a hora de jogar. O primeiro cara que conheci pessoalmente foi o Bandeira, nosso capitão em campo, simpático logo de cara. Ao chegar no Playball, encontramos o restante do grupo: Ciro, Wenceslau, Fábio, Bruno, Marum e Renato, os dois últimos chegando um pouco depois – o Renato, minutos antes de entrarmos em campo juntos pela primeira vez na vida.

E a estreia aconteceu contra o Real Vinhedolid, que tinha em seus quadros Anderson Oliveira, ex-colega de trabalho lá por 2006, 2007. Estreia sempre traz aquele nervosismo, ainda mais para quem não jogava society há alguns anos. Tive uma chance de marcar quando ainda estava zero a zero, mas falhei miseravelmente. Ser cornetado era inevitável (obrigado, Pedreschi). No final, tomamos um gol e perdemos um jogo que, com todo o respeito ao Vinhedolid, poderíamos ter vencido, dado o equilíbrio.

Ajustes táticos propostos para o segundo confronto, lá fomos nós para o confronto contra o Chico Bento de Sorocaba. Jogamos mal – especialmente eu, que dei uma assistência para o lado errado – e, contra um adversário eficiente, o resultado não poderia ter sido outro: três a um. A Série B era a nossa realidade. Mas ainda precisávamos salvar nossa honra, sabíamos que o time poderia ter feito mais do que aquilo que tinha sido apresentado até ali.

Fizemos ajustes nos ajustes e entramos na quadra para o confronto final da primeira fase, contra o Mooca Juniors. Eu finalmente encontrei o meu lugar no campo, assim como todo o time, e fizemos nosso melhor jogo. Digo, fizemos o NOSSO jogo, aquilo que o Fenerbahtchê era capaz de apresentar em campo. Três a zero, com um dos gols marcados por este que vos escreve.

Nunca vou me esquecer do primeiro tento marcado em uma Trifon: recebi um passe açucarado (do Bruno ou do Marum, a memória não me ajuda no momento em que escrevo este texto) e bati de primeira. Um gol parecido com o do Di María contra a Bélgica nas oitavas da Copa do Mundo, o que deixou este coração argentino ainda mais feliz – sim, sou Argentina (cêis não viram a homenagem ao Sorín na camiseta, pô?), mas não vem ao caso explicar isso aqui, obviamente.

Tirando o fato de que eu não sou o Di María (não jogo nem um milésimo do que ele joga, mas sou mais bonito), aquele gol me deixou feliz e aliviado. Eu tinha ido muito mal nos dois primeiros jogos e balançar as redes coroou minha atuação contra o Mooca Juniors, além de me dar a certeza de que eu ainda consigo jogar futebol (no nível Trifon, claro, pois somos todos esforçados, apenas) depois de tanto tempo. A alegria tomou conta do time e a conquista da Série B parecia algo possível.

Parecia. Já nas quartas, no jogo contra o Paços de Pedreira, tudo deu errado. Não seguimos o posicionamento do jogo contra o Mooca Juniors – especialmente o espertão aqui – e levamos dois gols no final do jogo. Fim da linha para o glorioso Fenerbahtchê na III Copa Trifon Ivanov. Tristeza? Sim, um pouco. Mas tive uma alegria imensa ao confirmar minhas suspeitas: a Trifon é muito mais do que um campeonato de futebol. É uma festa, é uma oportunidade de conhecer pessoalmente caras sensacionais, como TODO o Fenerbahtchê, como os ‘tuíters’ Fábio Vanzo, Amauri Jr. (não, não é AQUELE), Charles Nisz, Nicholas Hagel e Felipe Portes. Foi através do mundo virtual que a Trifon chegou até mim, mas foi no mundo real que eu percebi a grandeza do torneio em todos os sentidos. Certamente perdi a oportunidade de conhecer outras pessoas bacanas, mas foi só a minha primeira Trifon. Demorou, mas essa copa que me conquistou de vez.

Ciro, Wenceslau, Marum, Bruno, Flavio, Fábio, Renato e Guilherme: muito obrigado. O resultado em quadra esteve longe daquilo que esperávamos, eu sei. Ainda assim, isso tem pouca ou quase nenhuma importância para mim quando vejo que ganhei oito novos amigos.

Por mim, não haveria mais sorteio para a Copa Trifon Ivanov. O Fenerbahtchê poderia ser o time de todas as copas. Fica a dica, @tfcorp.

Fenerbahtchê

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