Sobre traumas e alegrias

Por Jules Pinheiro

Como não poderia deixar de ser, a Copa começou no bar! Depois de uma longa e cansativa viagem, fui direto ao Batidão rever grandes amigos, ouvir grandes histórias, contar a mesma história de novo e conhecer pessoas incríveis e mais uma vez, ser um dos últimos a ir embora. Depois de uns atrasos no sábado de manhã (um dia eu aprendo) reencontrei mais uns amigos e fomos ao Complexo Trifon, por lá mais reencontros, surpresas e aquela gritaria boa de ouvir.

Time reunido, vamos a preleção; quem começa jogando? Quem joga do quê, e com qual frequência? Particularmente não sabia nada, embora tenha enfrentado em outras Copas os atacantes do San Lorenzo. Fomos ao primeiro jogo e… Simplesmente não teve jogo. Uma pelada dura de assistir mesmo considerando o nível da Trifon, mas é normal em estreias.

Para a segunda partida, contra o Londrinantes, a conversa ficou mais séria, “vamos diminuir os espaços, tocar a mais bola” Mas no começo parece não ter adiantado muita coisa. Em contra ataque rápido, o matador Obede mostrou que sabe ser garçom e numa saída minha errada do gol, Murilo só empurrou pras redes. Não demorou muito e o capitão Firmeza (Spiacci) mesmo marcado, fez o segundo gol em uma jogada pelo mesmo lado.

O time pedia calma, sabia que podia reagir e reagiu. Com ótima jogada de Thiago Andrada, o mesmo que dizia “não jogo nada, sou ruim em todas as posições, mas jogo na defesa”, fez fila na zaga e marcou um golaço. Na pressão, Bigode fez o gol de empate, cabia mais! Mas a trave não deixou e goleiro Ito, o eterno Japinha do CPM22 garantiu que não passaria mais nada.

Para a última decisiva partida, lembrei-me da corneta que me arrependo amargamente “NO TIME DO PANECK É PRA FAZER SALDO, HEIN” e sim, fizemos! Com dois gols de Andrada e um do menino de ouro Gabriel Curty, conseguimos exatamente o placar pra classificar em primeiro, mesmo com os sustos em duas cabeçadas perigosas que pude defender e uma bola no travessão que só senti o vento passar. Final 3×0 no Baurussia e a confiança cada vez mais alta.

Enquanto o mata-mata não chegava, hora de rever mais gente querida, cornetear um pouco, beber, discutir o que provavelmente não aconteceria em campo e ver a provável grande imagem das três Copas, o funk comandado pelos cariocas, fazendo a galera voltar no tempo, era como se todos fossem adolescentes no bailinho novamente.

E rola a pelota pra Manchester City, jogo bom, pegado, disputas e correria.  Andrada abre o placar, mas não demora e num erro meu de saída de jogo, Felipe – o melhor dos Oliveira e ex-América (sdds) empatou. O jogo seguia nervoso, e Heitor nos colocou na frente de novo. Felipe empatou de novo. Até um pênalti bobo do Pedrinho. Bola no travessão, ufa! Talvez a sorte esteja do nosso lado.

Primeira disputa de pênaltis da minha carreira de Trifon, somente uma chance, cobranças alternadas e como é cruel!

“Tô a disposição, caras”

“Podem contar comigo”

“Coloca o Andrada só pra garantir”

Com certeza ninguém esperava, bola caprichosamente na trave, e nosso craque pediu desculpas (não precisava). Salmen bateu sem pressão, eu adiantei uns três passos e mesmo se não adiantasse, não tinha jeito, pois rente à trave goleiro nenhum pega. Foi sofrido, terceira vez caindo nas quartas de final – já posso dizer que é um trauma – mas eu tinha amgs incríveis pra me confortar, eu tinha caras incríveis no meu time que não me deixaram abalar, a quem só tenho a agradecer, e de quebra mais uns amgs no time rival pra torcer. Foram quatro jogos vividos intensamente, caímos sem perder nenhum jogo.

Depois da eliminação, alguns caras do time foram embora, não ficaram pra cornetear o Portes até o título, ver o Paneck ser campeão da Série B, com direito a uma épica semifinal decidida nos penais que pareciam eternos (entenderam o motivo do arrependimento?)

Mas sempre o mais importante é a festa, é conhecer gente que você admira e nem imagina que te conhece, é rever tanta gente querida que faz  muita falta até uma próxima oportunidade chegar.

Por fim só tenho a agradecer, aos capitães, juízes e organizadores pelo profissionalismo (e dsclp a dislexia nos e-mails), aos meus jogadores pela experiência incrível e aos amigos pelo carinho que realmente não imaginava receber. Até a próxima.

San Lorenzo de La Mata

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