Entre desacertos, Paços de Pedreira chegou onde tinha de chegar

Por Guilherme de Morais

– Oi, BB

– Fala, Portinho… tudo bão, querido?

– Bom… Meu filho, tenho uma proposta pra te fazer..

– Diga lá

– Quer ser capitão da Trifon?

– É sério isso?

– Claro… Topa?

– Pô, que honra… Topo sim

Essa conversa aconteceu de verdade, foi por Whatsapp com o Portes, meu amigo desde o tempo em que fomos colegas de Footstats, entre os meses de abril ou maio e, dessa forma, me tornei um dos novos capitães dessa terceira edição da #CopaTrifonIvanov. Foi uma surpresa muito grande ser lembrado para exercer tal função, não sei nem se a merecia, mas enfim, aconteceu.

Já tinha sido capitão outras vezes na minha longínqua vida futebolística. Quando era mais novo, mais magro, mais cabeludo, mais regrado, mais saudável, inclusive. Gostava da experiência, sempre como goleiro, é legal você exercer um papel de liderança sobre outras pessoas. Confesso que, no começo, estava mais ansioso do que o normal, mas acostumei com a ideia.

E outra, joguei as duas edições da Trifon, estava (e estou) jogando pelada todo final de semana com a maioria da galera que faz parte da organização, então, me senti mais entrosado do que antes. Isso não seria um problema, me sentia à vontade. Mas…

Primeiro desacerto

A verdade é que não estava bem para jogar esse campeonato, em específico. Minha cabeça não estava totalmente focada para este sábado para, ao menos, me divertir com os amigos e desfrutar de ser capitão de um time novamente. Outros fatores colaboraram para que isso, infelizmente, acontecesse: meu pai não está muito bem de saúde, perdi um grande amigo do trabalho e, com isso, fiquei sobrecarregado demais. Estava estafado – minhas costas pediram arrego logo com cinco minutos da primeira partida, não conseguia me movimentar direito, tenho certeza que foi uma dor psicológica -, com muitas coisas na minha cabeça que superaram toda a vontade de jogar esta edição. Pensei até em desistir, não comentei isso nem com o Moret e o Pedrinho, que são meus grandes amigos, mas resolvi encarar. Achei que precisava ter um momento de descontração. E assim, chegou o famigerado dia 27.

Início do torneio e o segundo desacerto

O Paços de Pedreira estava num grupo difícil. Confesso que conhecia pouco o ABC de Mobral e o Huachipato Branco mas, no nosso chaveamento, estava o Ourinhense Petrolero, que logo no sorteio já foi apontado como o favorito. Conhecia praticamente todo o time do Portes, do goleiro ao ponta esquerda Heitor, que todo fim de semana marca o mesmo gol em cima de mim: traz pro fundo e bate cruzado, sem nenhuma chance de defesa para moi.

Demoramos para nos acertar em quadra. Isso aconteceu somente nas quartas de final, mas já chego lá. Logo na primeira partida, jogo encardido com o ABC do amigo Stein, do capitão Felipe Castro e do gente fina do Arthur Chrispin. Eles abriram dois gols logo de cara, um com a bola passando por debaixo de mim (jogando com a alcunha nas costas de Márcia Imperator), uma saída errada de minha parte e, depois, um gol contra do Dornelles (Christy Mack). Que se redimiu, guardou duas caixas lá na frente e só não fez o terceiro porque Stein estava em grande fase, pegou bem pacas contra o nosso time. Um ponto na primeira rodada.

A segunda peleja foi contra o Huachipato do capitão Rodrigo El Salvador, puta cara maneiro que tive a oportunidade de conversar um pouco, mas que grande pessoa. Jogo duríssimo também, mas fomos mal. Foi um a zero com gol do El, mas era pra ser mais. Novamente com falha minha, uma bola por baixo das pernas num chute cruzado e inesperado. Evitei outros três gols, por isso digo que era pra ter sido uma goleada.

Na última rodada da primeira fase, sem dúvida, meu pior jogo: justamente contra o Ourinhense. Esse era o jogo que eu queria me sair bem, desde quando fui convidado para ser capitão há cinco, seis meses atrás. Queria me destacar contra o melhor time, disparado, do campeonato. Mas infelizmente não deu. O Dorneles, mais uma vez, meteu um gol a favor e um contra e, depois, o Coutinho invadiu a área pela esquerda e chutou de bico, se não me engano e, assim mesmo, aceitei. Um belo peru. Votado por mim mesmo no Troféu Bruno Cardoso de frangueiro. De tamanha raiva que fiquei comigo mesmo por falhar num lance bobo. E, assim, terminamos na lanterna do grupo e, emulando o Parmera, #PartiuSérieB.

Enfim, o time se acerta

Nas quartas, enfrentamos o Fenerbatchê. Eu estranhei demais eles estarem ali pois, juntamente com o time do Portes, o time foi apontado por mim e os outros capitães como um dos favoritos. E ali foi o nosso jogo mais seguro. Jogamos com o time acertado lá atrás, com o Gui Dorneles e o Yuri (Gianna Michaels), na frente o Gustavo (Sacha Gray), Daniel (Sylvia Christie) e Santa Rosa (Eva Angelina). Acabou dois a zero para nós e, de longe foi o nosso melhor jogo. Mas..

Terceiro desacerto, novo integrante e um velho adversário

A partir dali, teríamos o desfalque do Gui, que teve de trabalhar. Já sabia disso e, para substituí-lo, draftamos o Lucas (cara, perdão, na correria esqueci seu sobrenome, mas quando você ler, vai saber que eu tô falando de ti) que acrescentou muita qualidade para o nosso time, jogou bem as duas partidas que disputamos. Outro ponto: nosso adversário na semifinal seria, novamente, o ABC de Mobral que, na primeira fase, foi um adversário duríssimo de bater.

Antes, uma pequena conferência entre Castro, Moret, Paneque e eu por conta que, em ambas as partidas, os confrontos se repetiram na semifinal, sugestão do Chrispin. Ficou decidido que eles seriam mantidos.  Mas isso não deve mais acontecer em edições futuras da Trifon.

Enfim, na partida, jogamos muito, demais. O ABC não deu um chute no gol. Em compensação, perdemos três gols claros, um com o Lucas e dois com o Yuri. Os deuses da bola não deixaram ela entrar na rede do Danilo, bom goleiro também desta edição e, com isso, empate sem gols e decisão por pênaltis.

Tive de ser decisivo

Eu, particularmente, gosto deste momento. Sempre gostei. É a hora do goleiro aparecer, para o bem e para o mal. Com um olhar, um movimento (ou a falta dele), você consegue distrair a atenção do batedor e, com isso, te levar à vitória. Eu gosto também de realizar a cobrança, sou um goleiro que gosta de sair jogando com os pés, de participar da partida com um lançamento, um bom passe, uma cobrança de falta ou de pênalti. O Gui Rocha me define como o Rogério Ceni que deu certo e eu acho essa definição bem engraçada.

O Paços começou a decisão comigo no gol e o capitão Felipe Castro na batida. Chute seguro, no meio do gol, que teve uma colaboração minha pois escolhi o canto antes. Mesmo assim, quase deu para a defesa com o pé. Coube a mim a primeira cobrança do time, gosto de ser o primeiro a chutar, e bati no canto seguro, direito, rasteiro, o Danilo mal saiu na foto. Ao fundo, ouvi um dos grupos de meninas-atletas gritarem “esse goleiro é muito o Rogério Ceni que deu certo” e eu ri disso.

Segunda cobrança do Matheus, também bem batida e também comigo saindo antes, sem nenhuma chance de defesa para mim. 2 a 1. Coube ao Yuri empatar a série com um bom chute sem a possibilidade do Danilo defender.

Aí veio o Arthur Chrispin na terceira batida do ABC. Ele nem sabe disso, mas eu já o admirava antes de conhece-lo pessoalmente, sou um leitor assíduo do seu blog e, nesse sábado, conversei com ele. Mas, mentalmente, tinha de mudar a minha estratégia. E fiz. Esperei a batida dele e apostei na minha envergadura para tentar a defesa. Deu certo. A cobrança dele foi à meia altura, no meu canto esquerdo, espalmei e a bola, caprichosamente, bateu na trave.

O Lucas foi pra bola, talvez para decidir a partida, mas a cobrança à meia altura no canto direito encontrou a parede Danilo.  Coube a mim tentar fazer mais uma defesa e levar meu time à final. Outra vez, a tática de esperar a cobrança deu certo. O Ienco (me corrijam se estiver errado) foi para a cobrança, bateu forte no alto e eu espalmei. Confesso que com muito estilo. O Bonilha (primeiro e único) estava atrás do gol no momento e exclamou “Caaaaaa-ra-lhoooo”. Por último, Pazini (Jenaveve Jolie) bateu no canto esquerdo do Danilo e, finalmente, nos levou a final.

Jogo duríssimo

Na final, jogamos contra o Baurussia, do mito-amigo Paneque. Jogo duro, pegado, com muita garra e muita vontade das duas equipes. Mas um erro nos custou o título. Uma saída de jogo errada, o Paneque invadiu a área e, ao invés de sair no abafa, esperei a finalização. Defendi mas dei rebote e, ao invés de ficar no gol, saí no abafa e levei o gol. Tentamos, martelamos, perdemos uma grande chance de gol e, ao trilar do apito do Thomas, saímos vice-campeões da Série B.

Agradecimentos

Queria agradecer mesmo aos integrantes do Paços de Pedreira: Gui Dorneles, Yuri, Gustavo, Pazini, Daniel, Maedhros (Annie Cruz), Santa Rosa e Lucas. Pelo empenho e dedicação em campo. Perdão por não ser, talvez, o líder que esperavam, mas dentro do possível, fiz o melhor que pude. No balanço geral (não aquele do Geraldo), podíamos ter uma sorte melhor na Trifon se tivéssemos acertado o time já na segunda rodada e não nas quartas de final apenas.

Quero aqui deixar um abraço a todos os capitães, masculinos e femininas, vocês são muito feras, apesar de não ter conversado com todos como gostaria, mas enfim, o evento foi demais, como esperado. Aos novos amigos que fiz na Trifon, espero vê-los mais vezes. Avante, Paços!!!

Retrato Paços

Um pensamento em “Entre desacertos, Paços de Pedreira chegou onde tinha de chegar”

  1. Só um detalhe desse jogo, o das semis: eu perdi um gol sozinho, porque o joelho não aguentava mais. Furei a bola. E quem perdeu o penal foi o Giu, não foi o Ienco.

    Valeu, Gui, abração.

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