Eu só posso agradecer, Londrinantes

Por Pedro Spiacci

Eu estava preparado como há muito tempo não conseguia: peladas em bom nível, preparação física em dia e treinos funcionais para complementar. Porém, os meus tornozelos (sempre eles!) estavam no meio do caminho e, depois de três lesões em oito meses, era utopia pensar que eles me deixariam tranquilo para disputar a Trifon. A duas semanas da Copa, o torci o tornozelo canhoto e, a partir daí, colocar o pé no chão se tornou missão impossível. Imaginei que o sonho tinha acabado. Não acabou. Eu tinha que jogar, não poderia ficar de fora.

Fisioterapia todos os dias e, no twitter, solidariedade e força incríveis. A força dos companheiros de Copa foi enorme, desde o momento em que entre no Playball. Além disso, eu era o líder, o capitão do Londrinantes, o Nando, o Murilo, o Anderson, o GG, o Felipe, o Charles e o Obede precisavam da minha liderança e do meu futebol. Por eles, eu joguei. Botinha de esparadrapo nos dois tornozelos e fui pro jogo. Na estreia, jogamos mal, o time não se encontrou e quase perdemos para o Baurussia Dortmund. Os alemães abriram o 1 a 0 nas minhas costas, quase empatei na saída de bola e, no final, Obede nos salvou da derrota.

O segundo jogo era uma final contra o San Lorenzo. Eles encararam assim, nós não. Em campo, abrimos 2 a 0 e o segundo foi meu. Na comemoração, beijei meu tornozelo esquerdo, um gesto de carinho pra quem se comportava tão bem até ali. Minutos depois, quando já estava 2 a 2 (ou 2 a 1), quase no final do jogo, o tornozelo direito torceu sozinho. A dor foi imediata, o pesadelo estava de volta – quinta lesão em dez meses. Segui em campo e, por pouco, não fiz o gol da vitória, faltou perna, ou melhor, tornozelo.

Seguíamos vivos, mas eu não sabia se conseguiria participar da partida decisiva da primeira fase. Era muita dor no tornozelo direito, que inchou imediatamente. Para completar a crise, achar gelo não foi uma missão fácil, mas, depois de várias tentativas, consegui. Aí foi gelo até a hora do jogo e uma botinha ainda mais reforçada no lado direito. Fui para a partida em condições lamentáveis, mas não abandonaria o barco no momento mais importante. A força dos sete companheiros e do nosso mascote (o Igor, irmão do GG), me impediram de desistir.

1, 2, 3... Londrinantes (Marie Lucci Visani)

Na preleção, todos falaram e era consenso: seria o jogo da superação. E a molecada jogou por mim, tive a sensação disso assim que o árbitro apitou. Até a escalação mudou. Óbvio que o Nando seguiu no gol, mas a defesa formada por Murilo e Anderson teve o reforço de Felipe (desta vez, mais atrás). O nosso artilheiro Obede abriu mão do comando do ataque e virou um ótimo meia. Os reservas GG e Charles tiveram a partida mais participativa. Tudo isso fez com que eu, o capitão debilitado, não fosse tão exigido. Atropelamos o bom time do Gamba. Felipe e Obede fizeram os gols e, mesmo machucado, consegui participar bem da partida e, após uma arrancada praticamente com um pé só, quase balancei as redes. Com o apito final, me emocionei, não tenho certeza se as lágrimas apareceram, mas acho que teve sim.

A nossa Copa estava ganha, é verdade que queríamos mais, porém, parar por umas 3h, me matou e derrubou outros atletas da equipe. Mesmo com as duas bolsas de gelo, que o Felipe Figueiredo conseguiu, meu tornozelo inchou mais e esfriar me matou. Não desisti de jogar a semifinal, até comecei a partida, mas não deu pra mim. Com sete jogadores e o placar contra (com gol contra do Anderson), o Londrinantes não desistiu. Tivemos algumas chances, mas, apenas no final, o Obede (sempre ele!) conseguiu vazar a defesa da Inter de Limão. 3 a 1 para os azuis e pretos e fim da linha para nós.

E o que importa? Nos superamos contra o Gamba, na partida foi o nosso título. Com muita união, ultrapassamos o que foi possível e, o mais importante, cada um de nós ganhou sete amigos para o resto da vida.

Foto Posada (Marie Lucci Visani)

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