Enciclopédia da Copa Trifon Ivanov: Os tipos de Trifon

Você já deve saber que o tema das próximas duas ou três semanas aqui na Total Football será a Copa Trifon Ivanov. Então que tal embarcar nessa e conhecer a fundo sobre quem faz o campeonato ser o que é? No especial de hoje, falamos sobre os tipos de jogadores que entram em campo para tentar o título ou escapar de um vexame. Todos eles estão sujeitos ao duro tratamento da torcida, mais do que em qualquer torneio neste mundo. Com vocês, os tipos de Trifon. Obra inspirada no texto do craque (este sim, craque da escrita) João Luis Jr.

O fera

Chega com chuteira colorida, meias na coxa, faz pose de Cristiano Ronaldo, pede todas as bolas do ataque e chuta como uma criança. O fera tem como motivação pensar que é indispensável na pelada, e que a turma se anima em vê-lo chegar. É o tipo de jogador que escuta fogos de artifício no complexo e já sai acenando como um prefeito em campanha, só faltando beijar a testa de um bebê antes de entrar em quadra. Ele pisa como se ouvisse um “ALÔ, POMPEIA, ELE CHEGOU! O NOSSO CRAQUE, A ALEGRIA DO PLAYBALL, ELE MESMO!!!!” *sobe vinheta com Chris Brown porque o cara é o Falcao Garcia da paróquia*. Nas conversas em grupo, diz que é ‘9 matador’.

Tags: Walter Paneque, Bruno Silva, Maurício Gaia

O interminável

É o Trifon que está em todo lugar do campo, do começo ao fim do jogo, até na decisão. É o T-1000 em ‘Exterminador do Futuro 2″. Não cansa, não erra tanto, mas nunca é a estrela do time. Corre como notícia ruim, está sempre perto da bola, embora você não note. É o jogador tático, que também compensa o fato de outros colegas não correrem o suficiente. Costuma confundir confiança com fome e não solta a bola numa arrancada, porque ele sabe tanto gastar a sua energia, que quando dispara, prefere ir até o fim do campo. Nem que seja com bola e tudo.

Tags: Gui Lopes, Gui Rocha, Silvio Medeiros, Murillo Moret

O raçudo

Não tem técnica, não é tão inteligente, mas por outro lado, tem raça. É o cara que dá um bicão pra lateral sem necessidade alguma, só pra inflamar a galera e impor respeito. Provavelmente vai errar várias jogadas durante uma partida, mas quando acerta, vibra, grita, provoca ou comemora loucamente um desarme na lateral, CHUPA TODO MUNDO AÍ! Chega sempre parecendo um trem desgovernado e não inspira confiança nos rivais, que ficam malucos quando ele se empolga em uma jogada. Jogada que nunca dá certo, mas se dá, o raçudo fica insuportável. Para ele, jogar bem é evitar gols do adversário e fazer os seus, nem que entre essas duas hipóteses envolva o fato de fazer várias bobagens em campo.

Tags: Felipe Portes, Julio Cesar Soares, Thomas Visani, Arthur Tavares

O treinador

Ele é o cara que não importa a que horas você olhe, estará encostado na grade e assistindo o jogo, mas entrar que é bom, nada. Com o papel fundamental de gritar ‘EI, EEEI, EEEEEI, TÁ ERRADO!’, ‘FOI FALTA, PROFESSOR’, e ‘CHUTA, CHUTA, CHUTAAAAA’ da lateral, ele é o Liminha do time. Aquele Trifon que vai gesticular à beça e agitar, só que fora de campo, sem ter participação notável dentro dele. Vai aparecer para o jogo no segundo tempo, tocando bem uma bola para trás ou dando um desarme sem graça. Sabe orientar muito bem como parte da comissão técnica, mas fica devendo como jogador. É mito no FM e já ganhou vários títulos com um time reba.

Tags: Caíque Toledo, Raphael Harris, Caetano Burgos

O coringa

É o talentoso de verdade na Trifon. Joga tranquilo, com serenidade, tem talento e cabeça para liderar o time nas horas fáceis e nas difíceis. Geralmente não tem porte atlético e as pessoas olham pra ele como quem diz “esse cara tem todo o jeito de ser juiz”, mas sabe compensar o físico frágil com boas jogadas e excelente raciocínio. Atua tão em outro nível, que parece dominar a bola sem ninguém na quadra. Pode ser campeão ou o craque injustiçado daquele time que caiu nas quartas de final perdendo nos pênaltis ou num gol vadio quase no apito final. Sabe que é bom, mas prefere exaltar o trabalho dos companheiros, a sorte ou um dia iluminado.

Tags: Bruno Bonsanti, Fabio Chiorino, Felipe Castro

O pilhado

Entra em campo sorrindo, cumprimenta os colegas e faz brincadeiras, mas vira um ser extremamente transtornado quando o juiz apita. Usa uma máscara de ódio e rancor e parece estar vingando a morte de seu parceiro policial num filme de ação com sérias restrições orçamentárias. Chega atrasado na dividida, ou reclama de um lateral que não foi marcado. Perde a compostura quando pede uma falta e passa horas, dias a fio contestando uma decisão que desencadeou num escanteio que o seu zagueiro afastou sem problemas da área. Discute com o juiz, peita, dá piti e sai sem camisa da quadra, revoltado e desesperado. A partir do momento em que cruza o portão da quadra, vira uma pessoa completamente dócil e bebe uma cerveja com você como se nada tivesse acontecido.

Tags: Leopoldo Bitencourt, Eric Franco, Luiz Raatz, Felipe Lobo

O doutrinador

Capaz das técnicas mais sórdidas de intimidação, o Trifon doutrinador é o jogador que muitas vezes entra em campo só para perturbar a paz alheia. Não toca na bola como deveria, mas tem um papel crucial em desestabilizar o adversário com xingamentos, ofensas e provocações baratas. É o catimbeiro, é o espírito argentino elevado à última potência. Se o oponente cai no chão, ele empurra, vai falar no ouvido ou pede para levantar, sempre insultando e mostrando a natureza de um jogador sujo e que não tem medo de arrumar confusão. Costuma ter o talento para dar a ‘pancada tática’, aquela que dói na alma e o juiz não vê. Tem um arsenal de impropérios guardados na meia, mas fora de campo é amistoso como um cachorro São Bernardo.

Tags: Daniel Tomiate, Alex Rolim, Pedro Luís Cuenca, Leandro Stein

O fina estirpe

Acima da média da competição, o fina estirpe costuma aparecer como cara que não gosta de atribuir a si mesmo uma importância vital dentro do time. Mas mesmo assim, briga para ser um dos melhores da Copa. É um cara centrado, que não arruma confusão, geralmente quietinho, que prefere não badernar fora das quadras, tudo para preservar a forma e entrar 100% nos jogos. Decide quase sempre com uma jogada genial ou que deixe evidente que é ótimo jogador. Se pudesse, jogaria de fraque ou roupa social.

Tags: Flavio Bandeira, Pedro Spiacci, Allan Amarelo, Rodrigo EL Salvador, Marcus Lellis

O ator

Está ali sem cobrar cachê só porque sabe que o campeonato não vai pagar um tostão. Adora distribuir dibres e dar espetáculo, chamar a torcida, mandar beijo ou fazer pose, mas também cai mais do que patinador em pista de sabão. Não sai feio em foto, pois foi treinado na Academia de Atores Wolf Maia, sempre tem uma frase de efeito pronta ou uma desculpa para explicar a sua má atuação em campo. Encostou nele, é falta, é grito, é um tal de rolar no chão para sintetizar toda a sua dor fabricada e treinada como lágrimas de crocodilo. Se faz gol, já tem uma comemoração pré-programada e ensaiada à exaustão com os seus colegas da temporada de 2008 da Malhação.

Tags: Yuri de Castro, Renan do Couto, Luccas Oliveira, Jair Geraldo

O desavisado

Tão acostumado a não jogar bola regularmente, o Trifon desavisado comete erros absurdamente amadores, como cobrar lateral com o pé ou não saber a regra do recuo. Não percebe que a bola está vindo e faz qualquer coisa menos dominar. Faz acrobacias na simples tentativa de amortecer um lançamento. Muitas vezes pode acabar dominando uma bola com a mão e tentando uma raquetada, esquecendo que está num campeonato de futebol, e não num Aberto de Tênis. Dependendo do caso, pode ter tão pouca familiaridade com o esporte, que grita ‘match point’ ou ‘touchdown’ num gol chorado no fim do jogo. Quando baixa o santo, acaba desequilibrando, agarrando no gol ou na armação, que é justamente o momento em que ele lembra que é um atleta.

Tags: Ciro Hamen, Mario Sergio Cruz, Gabriel Avellar

O carismático

É essencialmente ruim de bola, mas como é muito gente boa, amigo da galera e bom de grupo, acaba não sendo tachado como perna de pau. Leva cerveja para a linha lateral, joga de óculos escuros, chapéu ou calção de surfista dos anos 60, imita o Faustão. Sabe fazer umas rimas bacanas, ocupar o espaço no campo, mas definitivamente esqueceu como é que se joga o bom futebol. Não saber jogar é uma preocupação que não passa na cabeça do carismático, que sempre está animando a galera com alguma palhaçada no meio do jogo. Ninguém aguenta ele no Twitter.

Tags: Fabio Vanzo, Wenceslau Neto, Julio Cesar Silva Gama, Leuzito, Marcos Bonilha, Emanuel Colombari

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