O título menos óbvio do Botafogo

Por Bruno Santos

Quando recebi o convite da Total Football (por intermédio do Portes) para escrever sobre um título histórico do Botafogo, todos já pensaram que eu falaria sobre o Brasileirão de 95. Mas não falarei por dois motivos: 1) cansei de ouvir choro de santista e 2) apesar do Brasileirão ter sido fenomenal, tem um outro título que resume melhor as vitórias do Fogão: A Copa Conmebol de 1993.

Sim, eu sei que você nem sabia desse título. Poucas são as pessoas que lembram, mas mesmo assim é o título que mais se encaixa na história do Glorioso. Um time muito ruim, mas que mesmo assim conseguiu conquistar uma competição com adversários do porte de San Lorenzo, Colo-Colo, Peñarol, entre outros (brasileiros inclusos).

E porque eu digo isso? Bem, apesar ser o clube que talvez tenha recebido o maior número de craques na história (Nilton Santos, Garrincha, Gérson, Zagallo, Jairzinho, Didi, Mendonça, Mauricio, Mendonça, Manga, Josimar, etc, etc, etc), os grandes títulos da história do clube foram vencidos por times de péssimo nível técnico. Foi na raça mesmo. Obviamente o fato de que antigamente o pessoal dava mais importância pro Cariocão do que para o resto explique um pouco (fora o fato de não existir o Brasileirão). E ter o Santos de Pelé na mesma época também não ajudou muito. Maldito seja Pelé.

Mas vamos voltar para a Conmebol. Dezesseis equipes de 8 países disputaram aquela que era a segunda edição do torneio, meio que a Sul-Americana da época, um degrau abaixo da Libertadores. O Botafogo jogava no Caio Martins (saudades) e tinha um time formado por William, Perivaldo, André Santos, Rogério Pinheiro e Clei, China, Fabiano, Eliomar e Aléssio, Sinval e Eliel. O maior craque do time estava no banco: Carlos Alberto Torres.

Obviamente a torcida, vendo esse time, não acreditava em título algum. A estreia, no Caio Martins contra o Bragantino (saudades), contou com a incrível marca de 109 pagantes. Depois vieram Caracas, Atlético-MG e a grande final contra o Peñarol, já no Maracanã. E diferente da estreia, 45 mil pessoas estavam lá para conferir. Jogo nervoso, empate (nos dois jogos) e a
partida foi para os pênaltis.

Sinval, artilheiro disparado da competição com 8 gols(o vice artilheiro marcou apenas 3) desperdiçou a primeira cobrança, mas os uruguaios também não estavam lá bons de mira e erraram 3. O Botafogo marcou com Suélio, Perivaldo e André Santos, com Da Silva marcando para o Peñarol. 3×1 e festa em General Severiano!

Dois anos depois, talvez impulsionado pela conquista da Conmebol, investimentos foram feitos e o Glorioso, com um time melhorzinho (mas nem lá essas coisas todas), conquistava o Brasileirão.

E o Fluminense continua sendo o único time carioca sem um único título internacional. Acho justo.

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