Especial Scolarismo: Conquistando o Brasil pelo Criciúma

A história do Criciúma de Felipão é dessas poucas em que times pequenos chegam à glória com algo de muito especial. No caso do Tigre, um treinador que já aprontava das suas em território nacional e a determinação em vencer todos os grandes desafios pela frente. Nove anos depois de erguer o caneco do Alagoano, pelo CSA, Scolari foi além e conseguiu conquistar a Copa do Brasil em cima do Grêmio.

O tempo não foi cruel com Scolari depois da passagem pelo CSA. Muito pelo contrário. Ele ganhou uma experiência fundamental depois de sair de Alagoas e retornar ao Sul. Passou por Juventude, Brasil de Pelotas, Al-Shabab, Pelotas, Grêmio, Goiás, Qadsia, seleção do Kuwait e Coritiba antes de assumir o Criciúma, que se preparava para a disputa da Copa do Brasil. O Bigode não vencia um título expressivo (incluindo estaduais) desde 1987, com o Grêmio. Venceu uma Copa do Kuwait com o Qadsia, mas se ainda hoje o futebol do país parece irrelevante, que dirá em 1989. Com o Kuwait, levantou a Copa do Golfo em 1990.

Paizão do Heriberto Hülse

Experimentado e com o pé de meia feito após treinar equipes no Oriente Médio, Felipão encontrou o time ideal para passar seus ensinamentos. Os méritos daquele Criciúma na Copa do Brasil em 1991 foram muitos, para um elenco que soube aproveitar as vantagens e desvantagens do regulamento. Bastante focado na disciplina, marca registrada das equipes treinadas pelo Bigode, o plantel era basicamente formado por atletas sem muito reconhecimento, mas que seguiam a mesma base de anos anteriores, sem grandes mudanças. O entrosamento falou alto nos momentos de tensão, ainda que o Tigre tenha terminado o torneio sem uma derrota sequer.

Até então treinado por Luís Gonzaga Milioli (saiu do cargo antes das oitavas), o aurinegro catarinense entrava em campo quase sempre na mesma formação: Marola (Alexandre), Sarandí, Vilmar, Itá, Roberto Cavalo, Grizzo, Zé Roberto, Gelson, Vanderlei, Jairo Lenzi e Soares. Com essa base, Felipão fechou o grupo e formou o que podemos chamar de primeira ‘família Scolari’, outra marca forte do treinador durante sua carreira.

Derrubando o Atlético Mineiro com duas vitórias por 1 a 0, o Goiás com um empate em 0 a o e uma vitória por 3 a 0, e o Remo, com duas vitórias  (1 a 0 e 2 a 0), o Criciúma chegou até a final para enfrentar o Grêmio de Dino Sani. Foi aí que outra característica forte dos times de Felipão ficou evidente.

Jogando com o regulamento

No dia 30 de maio de 1991, a história começaria a ser escrita no Olímpico. O tricolor imortal de Dino Sani trazia no elenco o sagaz China, o ligeirinho Caio, os meias Norberto e João Antonio e o atacante Maurício. Certamente não foi nem de longe um dos grandes esquadrões que os gaúchos montaram, contudo, jamais se despreza a tradição. Os dois rivais ainda não haviam perdido na competição.

Um pouco mais ousado do que de costume, o Tigre chegava mais no ataque. A força excessiva em alguns lances ficou clara com a chegada do capitão Itá em China, que ficou alguns instantes rolando e com dores na lateral esquerda. A defesa catarinense resistiu à perigosos ataques gremistas e saiu na frente com Vilmar, em cruzamento de Jairo Lenzi no primeiro pau. O beque subiu de cabeça e testou forte, sem chance para Gomes.

Seria uma grande vitória fora de casa, não fosse Maurício empatar a parada, restando sete minutos para o apito final. Tirando a alegria dos visitantes antes do soar do gongo, o tricolor gaúcho se manteve vivo na disputa e precisava marcar no Heriberto Hülse para provocar uma disputa de penais. Até aí, a festa em Criciúma já estava armada, com ou sem a taça.

Foto: Placar
Foto: Placar

18 meses sem sofrer uma derrota sequer em seus domínios era a credencial apresentada pelos donos da casa na segunda perna da finalíssima. Um domingo, dia 2 de maio de 1991 foi escolhido para a consagração de um time aguerrido e de seu treinador ranzinza. Aproveitando a vantagem no confronto, novo empate, só que sem gols garantiu ao clube do interior catarinense levantar o caneco daquela edição da Copa do Brasil. Depois da conquista, Felipão enfatizava que seu grupo era composto por jogadores do mesmo nível técnico e físico e que não contava com estrelas e sem elas, conseguiu ser campeão sem perder nenhum compromisso.

Logo após o título, Scolari deixou o Tigre e voltou para a Arábia Saudita, para comandar o Al-Ahli, ainda em 1991. Passou pelo Qadsia outra vez em 1992 e retornou ao sul brasileiro para viver mais um reencontro. Com o Grêmio, adversário em tantos gauchões como atleta e lar em 1987. Agora seria diferente. Começando uma nova era em 1993, o técnico estava mais preparado para o grande desafio que era devolver o Imortal ao grupo dos grandes vencedores no país.

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