Especial Scolarismo: Na terra de Canuto, a primeira taça de Felipão

Assim que se aposentou como atleta, em 1981, Luiz Felipe Scolari tirou férias para assumir o comando técnico do CSA de Alagoas, substituindo o comandante Valmir Louruz, com quem conquistou o título do Alagoano no ano anterior. Para 1982, ganhou a confiança da diretoria e herdou o posto, renovando o título estadual da equipe e conviveu com figuras como o atacante Jacozinho.

Em entrevista ao Globo Esporte, no ano de 2012, Scolari comentou sobre a primeira passagem como treinador do Azulão de Mutange. “Foi um título que me deixou muito feliz, pois como jogador, nunca tinha sido campeão estadual e consegui o ápice bem no final da minha carreira. Foi um término muito feliz. Ainda guardo grandes amizades, uma relação não apenas de futebol, mas de aspectos comerciais com Maceió, com alguns investimentos. Tenho bons amigos dos tempos em que ainda atuava como jogador e técnico. Em Maceió, eu sou muito mais lembrado pelo torcedor do CSA como um bom zagueiro que passou por lá, do que como técnico da Seleção Brasileira ou dos clubes por onde passei. Naquela época, nossa passagem pelo CSA realmente marcou”.

Apesar deste feliz tempo que viveu após a aposentadoria, Felipão foi demitido em fevereiro de 1982. Mais tarde, diria que só foi mandado embora duas vezes na carreira. A primeira delas, no CSA, a segunda, no Chelsea. Acumulou uma série de péssimos resultados no Brasileirão e ganhou o boné após sete partidas.

Cintura dura

O Correio de Alagoas fez uma série de entrevistas com atletas que passaram pelo elenco nos tempos de Scolari. Entre eles, o brincalhão Jacozinho, ídolo do time alagoano e que foi personagem de várias matérias de Marcio Canuto, repórter e ícone da região. Jacó conta que Felipão era um homem duro: “A cintura dele não era dura, era uma barra de ferro. Tinha até uma foto de jornal que prova o que eu falo. Quando chegava gente nova no CSA, eu ia para o time de baixo para testá-los. Quando o Felipão chegou, vi que ele tinha as pernas tortas e fui pra cima. A foto mostra eu colocando a bola embaixo das canetas dele. Tive até um arranca-rabo com o Felipão certo dia, mas foi só de boca, porque ele é grande e eu não sou besta”, relembrou.

E foi neste tempo que o técnico aprendeu a aplicar o estilo que lhe fez famoso na década seguinte. O de montar times com defesas fortes, que marcavam com competência. Outro atleta que atuou no CSA de Felipão comentou que pelo menos naquele time, o Bigode não conseguia impor seus ensinamentos pois o grupo tinha outra vocação.

A preocupação com a defesa

“A principal característica dele no comando do time era a liderança, a psicologia de saber explorar o melhor de cada atleta. Ele adotou um sistema de jogo equilibrado, mas tinha realmente uma preocupação com a defesa, até porque era zagueiro e conhecia bem a posição. Depois essa preocupação defensiva foi até aumentando no decorrer de sua carreira, mas ele não é retranqueiro. Naquele CSA, não tinha como jogar atrás, já que o time tinha uma vocação ofensiva”, explicou Romel, armador da equipe.

Um zagueiro será sempre um zagueiro, mesmo aposentado. Campeão estadual de 1982 em cima do CRB, Felipão levantou sua primeira taça do banco de reservas e voltou para o Rio Grande do Sul em 1983, para comandar o Juventude. Esperou até 1991 para sentir novamente o gostinho da glória. Mas essa é outra história…

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