Especial Scolarismo: O duro jogador chamado Luiz Felipe

Antes de virar um treinador reconhecido mundialmente pela conduta rígida e ao mesmo tempo familiar, Luiz Felipe Scolari foi um zagueiro médio, zagueiro-zagueiro, xerifão bigodudo da zaga do Caxias. Com poucas lembranças documentadas do tempo de Beppe, Felipão mostrava em campo algumas das características que o fariam o maior treinador do país em certo momento.

Para começo de conversa, Luiz Felipe era mesmo um jogador duro. Um defensor típico dos anos 70, que não fazia questão de esbanjar técnica. Sobretudo porque não a possuía, mas naqueles tempos, isso pouco importava. Jogava no Rio Grande do Sul, fábrica dos beques mais rústicos que o futebol foi capaz de produzir.

Começou ainda menino no Aimoré de São Leopoldo, sem o bigode que lhe fez famoso e até rendeu alcunha. Em especial na Zero Hora, deram conta de falar sobre como Luiz Felipe já apresentava aquela imponência que acostumou a exibir no banco de reserva. Difícil não enxergar nele o técnico quase ranheta que ganhou o mundo.

A liderança de Luiz Felipe era algo que desde cedo já chamava a atenção. A postura de conduzir os companheiros era algo que certamente renderia frutos, apesar dele não ter conquistado grandes títulos como atleta. Curiosamente, antes de se consagrar em território gaúcho como xerifão, Scolari era ponta no São Cristóvão (certamente a sua cidade tem um time com este nome), movido para a defesa pelo treinador Florentino Mattos, diz a ZH. Passou nos testes da peneira do Internacional, antes dos 18, mas quis ele próprio recusar a oferta de 80 cruzeiros, pois ganhava mais que o dobro como funcionário do posto da família.

Se alguém acha que isso já era um sinal da teimosia de Felipão, desnecessário dizer que ele ostentaria esse defeito até hoje. Pois recusada a vaga no Colorado, o já beque foi tentar a sorte no Aimoré. Não foi contratado pelo Índio Capilé, mas pagou durante um bom tempo as despesas de viagem para estar junto com a delegação da equipe do interior gaúcho.

Foi capitão aos vinte anos de idade no Aimoré. As atuações de respeito lhe renderam uma vaga no Caxias, onde se consagraria no futebol local. Chegou também como capitão, numa negociação que envolveu um amigo, o atacante Maurício. O bigodão e a cara de poucos amigos fizeram o serviço de colocar Felipão como um dos mais temidos na região. A história de vários Gauchões da década de 70 passam pelas faltas e agarrões de Scolari, um mestre na arte da ‘falta tática’.

Uma passagem curiosa, também citado em matéria da Zero Hora, dá conta de que Felipão estava contundido no tornozelo antes de um clássico contra o Juventude, o charmoso Ca-Ju. Passou o fim de semana inteiro antes do confronto com o pé envolto num saco cheio de ervas e outras invencionices, mandingas que o recuperaram a tempo de fazer um gol no Ju, subindo para cabecear na grande área.

Felipão precisou esperar até 1981, quando estava no CSA de Alagoas, para vencer seu primeiro título. Justamente o que encerrou a sua carreira, aos 33 anos. Substituindo o técnico Walmir Louruz, Scolari deu o primeiro passo na nova carreira. A de comandante e principal voz no banco de reservas. Era hora de testar a sua tão elogiada liderança.

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