Não haverá zebra na final da Libertadores

Sim, senhores, o Nacional Querido está na final da Copa Libertadores. Ele mesmo, o 16º colocado (último entre os que avançaram às oitavas) na primeira fase da competição, que se classificou na bacia das almas no grupo do Atlético Mineiro e que não impressionaria a ninguém se não fosse um pequeno que quer o seu lugar ao sol que quase nunca brilha para quem não é gigante.

Ter uma final de Libertadores entre Nacional e San Lorenzo (provavelmente) é o sinal de que não, nós não precisamos ter sempre os mesmos candidatos ao título. Em terra de Boca Juniors, São Paulo, Independiente, Estudiantes, Santos, entre outros campeões, é bom oxigenar as conquistas com um vencedor inédito. Fato é que a semifinal entre os paraguaios e o Defensor foi algo tão inesperado que fica difícil explicar o que representa.

Mas vamos tentar: devem chamar o Nacional Querido de São Caetano galopeiro, e vão ter errado muito na definição. Afinal, o Tricolor já levantou o Campeonato Paraguaio em nove ocasiões, teve no seu time o craque Arsenio Erico, maior atleta já revelado em terras paraguaias, fora outros 12 vices. Evidente que está longe de ser tão vitorioso quanto Olimpia, Cerro Porteño e Libertad, com 39, 30 e 16 títulos, respectivamente. Mas não pode ser exatamente considerado como nanico em seu país.

O quinto maior vencedor paraguaio (o Guarani tem 10 conquistas) finalmente se apresentou para a batalha final na Libertadores, onde nem mesmo o Cerro já conseguiu chegar. Para a primeira grande decisão internacional de sua história, o Nacional esperou 110 anos. No ano seguinte ao Olimpia, que foi derrotado pelo Atlético Mineiro, recoloca o Paraguai, tão murcho com sua seleção, no mapa do continente.

Derrubou o Vélez Sarsfield, o Arsenal de Sarandí e o Defensor antes de poder gritar e colorir o seu tosco site com a comemoração de um feito histórico e louvável, tamanha garra e empenho mostrados ao longo da competição. Podem dizer sim que essa Libertadores foi estranha, carente de seus grandes nomes, mas ao menos o Nacional representa a fuga da mesmice, o tiro no peito do futebol óbvio.

Querido como é, é conhecido no Paraguai como segundo time de todos, que num ano fantástico será o primeiro na decisão contra San Lorenzo ou Bolívar. E se depender dessa torcida sofrida e apaixonada, o caneco da honra já foi erguido pelas mãos calejadas de quem cansou de socar a parede em busca de um pouco de sol.

Se jogar sem empolgar e chegar até a final como um infalível boxeador que pode suportar todas as pancadas não lhe é encantador, presumimos que os escassos contos de fada não cabem nesse contexto. Na decisão sul-americana da Libertadores não haverá zebra. Haverá uma bela história de superação, coisa que esse esporte é extremamente capaz de produzir.

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