O peso da marca na hora de comprar (e lucrar)

Por Carlos Eduardo Moura

Em todo início de temporada do futebol europeu, ocorre a movimentação de mercado de transferências do futebol europeu, e com ela a expectativa se repete, todo ano, entre os fãs, mídia e especialistas da área: qual será a bomba do Real Madrid no mercado de transferências? Isto por si só é um exemplo do peso do clube merengue dentro do futebol global que vivemos hoje, e acreditem: no final, faz todo o sentido.

Atualmente, a notícia do momento é que o clube teria retornado 12,5% do investimento apenas com vendas de camisas de sua nova aquisição, o meia colombiano James Rodríguez, em poucos dias do anúncio. Uma breve navegada pelo site oficial do Real e pelos principais veículos de mídia esportiva mostram bem o peso dessa contratação estelar do clube madrilenho.

Desde o dia de seu anúncio, a imagem do recém-chegado atleta já estampa a home do site oficial da equipe. Seu nome está impresso nos dois novos modelos de camisas a serem usadas na nova temporada na capa da loja virtual do Real. Para os torcedores interessados em se associar, lá está o rosto do sorridente James com a carteirinha do clube, lhe dando boas vindas. E com a média de 81% de ocupação do estádio Santiago Bernabéu na última temporada, certamente usarão o jovem meia colombiano para promover as vendas de carnês de ingressos da temporada também.

O poder da marca do próprio clube também ajuda a alavancar globalmente o incremento das receitas com esta política de contratações, pois a cada temporada Florentino Pérez deixa claro quem dá as cartas no mercado e garante as novidades para alavancar os lançamentos de produtos de seus parceiros. E qual empresa não gostaria de associar sua marca a este clube?

Neste conjunto temos também o valor do direito de transmitir os jogos do Real Madrid: ao possuir parte dos melhores jogadores do planeta no seu plantel, o valor econômico da transmissão das partidas envolvendo os madridistas também aumenta exponencialmente, por atrair a atenção não só de espanhóis, mas do mundo inteiro. Se este valor comercial estiver associado à marca de um torneio como a Liga dos Campeões, ou num confronto específico contra algum adversário de porte semelhante, esta receita aumenta ainda mais.

Assim, como cada parceiro injetando um aporte proporcional ao tamanho do clube, e com o direito dos merengues à exploração máxima da imagem de seus contratados junto às suas ativações e negócios, o gasto de milhões de euros a cada temporada em uma nova e bombástica contratação se justifica, pois renova o seu potencial de receita nova, gira a roda de suas finanças, e somado à sua história de conquistas (ou novas, como a conquista da Champions desse ano), a conta não só fecha, como gera bons lucros.

Este conjunto de fatores do modelo comercial do Real Madrid no mercado expõem a sua total independência comercial perante atores do mercado e parceiros, algo muito distante do modelo brasileiro de gestão comercial, onde a maioria da exploração de suas atividades comerciais são atreladas a terceiros interessados, diminuindo assim a evolução da margem de lucro de seu clube para vôos maiores e necessários no mercado da bola. Ou seja, o Real Madrid e outros clubes de seu porte dão a cada temporada uma aula mais do que cabulada pelos clubes brasileiros, mas importantíssima quando se fala em futuro do futebol daqui.

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