Se viene el nuevo Palmeiras

Antes de mais nada, vale informar ao amigo leitor que, acredite se quiser: esse texto foi sugerido pelo nosso pauteiro corintiano Vinicius Intrieri. Dito isso, é curioso como o Palmeiras tem se reforçado para a sequência do Brasileirão. A ‘argentinização’ do clube paulista é um fenômeno interessante se analisarmos que o esporte também está entrando na onda da globalização. Enquanto no resto do mundo as legiões estrangeiras já não são vistas como novidade, no Brasil a moda demorou a pegar.

Foi só chegar o treinador Ricardo Gareca, ex-Vélez Sársfield, que um caminhão de argentinos começou a desembarcar no Palmeiras. Depois do treinador, já chegaram o zagueiro Fernando Tobio, o atacante Pablo Mouche e o meia Agustín Allione. Ainda se especula que o clube possa trazer Facundo Ferreyra e até Lucas Pratto. Desses citados, apenas Mouche não era do Vélez.

Muito se fala sobre o limite de estrangeiros no alviverde, que seria cinco por jogo, após nova resolução da CBF. O que, convenhamos, evita que o campeonato vire uma festa de nacionalidades. O passo de querer tornar o Brasileirão mais forte e competitivo não pode ser dado do dia para a noite, de três para sete ou oito atletas titulares não-nascidos no Brasil. Além dos três confirmados, o Verdão ainda tem em seu elenco os uruguaios Victorino (que nunca jogou) e Eguren, além de Valdivia, que até segunda ordem continua no clube depois que a sua negociação com o Al-Fujairah melou nesta semana. Despreocupado, o Mago segue em férias.

Não é pioneirismo, mas pode virar tendência

Quem adora uma turma de fora do país é o Internacional, que entre 2012 e 2013 teve um comboio de argentinos e uruguaios com D’Alessandro, Dátolo, Guiñazú, Bolatti, Forlán e Scocco. (A informação é do colega Alexandre Perin). No ano do título da Libertadores, em 2010, o Colorado contava com Abbondanzieri, Bruno Silva, Sorondo, Guiñazú e D’Alessandro, por exemplo.

Além de fazer com que os outros clubes brasileiros olhem mais para o continente em busca de reforços, é uma boa forma de qualificar o elenco ao invés de apostar em jogadores repatriados ou em fim de carreira. Não que Juninho Pernambucano, Seedorf e Alex tenham sido decepcionantes, muito pelo contrário, mas se tratam de atletas fora de série, que não necessariamente estão dando sopa no mercado.

Quando o Palmeiras investe pesado em adaptar os ensinamentos de Gareca, multicampeão pelo Vélez, faz uma aposta que não é tão arriscada quanto os mais conservadores pensam. As barreiras do idioma podem ser facilmente superadas por um trabalho em conjunto com os jogadores. E cá pra nós, deixar de olhar para os vizinhos sul-americanos e usar a carta de ‘diferentes culturas futebolísticas’ é apenas mais um atestado de preguiça.

Que não seja uma atitude isolada num campeonato que tem grande potencial a ser explorado. E que o Vélez do Palmeiras possa ser um Boca, um River, uma LDU, um Atlético Nacional de referência para outra equipe brasileira.

Se o novo e mais portenho Verdão dará certo, só saberemos se o trabalho for respeitado pela diretoria do clube, o que não costuma acontecer com tanta frequência.

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