Se a Libertadores é grande, nada mais justo pertencer ao San Lorenzo

Se alguém disse que essa Libertadores estava menos Libertadores por não ter grandes clubes disputando o título, que cale-se perante o feito do San Lorenzo, que pegou a vaga para as oitavas na bacia das almas e foi derrubando um a um até chegar na decisão. Não satisfeito em quebrar o Grêmio e o Cruzeiro, o Ciclón ainda derrubou com classe o Bolívar, sensação da competição e reconhecido como uma das forças mais interessantes do torneio. A Copa se aproxima para o Cuervo, encerrando uma espera que já foi longa demais para um gigante como este.

Quem viu a primeira fase, deve ter achado que o atual campeão argentino dispunha de mais sorte do que juízo, o que seria por si uma análise muito justa diante dos empates, derrotas e vitórias magras dos argentinos. Pois foi contra o Botafogo, logo o Botafogo, que a sorte do San Lorenzo mudou. E para melhor. De azarão a amparado pelas forças celestiais do Papa Francisco, o time de Boedo cresceu. Ao eliminar o Cruzeiro, o terceiro brasileiro em seu caminho, a equipe argentina ganhou uma confiança essencial para decolar.

Não importa se seus principais jogadores já estão vendidos (inclusive o capitão Romagnoli, que deve desembarcar no Bahia). Pouco importa se não sobrou nenhum resquício de tradição na Libertadores, muito menos se os brasileiros caíram mais cedo do que o esperado. Agora o San Lorenzo fez valer toda essa ilusão de que pode romper os anos e anos sem um título na competição.

Cruel e devastador, fez do Nuevo Gasómetro o palco ideal para o massacre diante do Bolívar. Sem poupar sua força física e seus ataques, o Ciclón fazia 2 a 0 com Matos e Más, quando parecia claro que não precisava nem se esforçar no segundo tempo. Até relaxou, mas encontrou espaço e oportunidades que convidaram a novos ataques. Foi aí que se deu a festa em Boedo. Mercier, Buffarini e Más, outra vez, completaram o espetáculo, um 5 a 0 categórico e emblemático para enterrar as chances bolivianas nesta Libertadores.

Mostrando que um grande pode sim lançar raios na cabeça de um pequeno em semifinais, o San Lorenzo agora vislumbra a final, como quem caminhou cansado por toda a vida até saborear a bonança de um título como este. Vindo Defensor ou Nacional, o Cuervo é plenamente favorito, a começar pela forma como evoluiu de um duelo para o outro.

E aí vamos poder superar o susto que é ter algum pequeno levantando a taça. Porque o San Lorenzo é o único capaz de evitar esse crime.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *