A fome insaciável do Real Madrid

Grandes clubes não precisam só de títulos para se sentirem gigantes. Há muita excentricidade em ser colossal, e quem mostra isso com perfeição é o Real Madrid, que anunciou nesta terça-feira a contratação de James Rodríguez, por 80 milhões de euros. Recém-coroado campeão europeu, algo que esperou mais de uma década para voltar a ser, o Real se reforça como quem tivesse a mesma ambição do início da última temporada, quando esfregava as mãos para tirar a hegemonia de La Liga da mão do Barcelona.

Trouxeram Toni Kroos, James Rodríguez, trarão Keylor Navas, e assim por diante. O ciclo vitorioso do Real de Florentino Pérez não serve de alento ou descanso aos madridistas. As vitórias, talvez em menor escala do que o dinheiro gasto em contratações estelares, vem aos montes. O preço (e isso não se reflete só nas compras) cobrado por um time vencedor muitas vezes ultrapassa as medidas de uma convivência saudável no vestiário. Isso não é exclusividade deste Real ou do Real de Zidane, Beckham, Ronaldo, Roberto Carlos e Figo.

O argentino Di María é o primeiro sinal de desgaste do time que venceu o Atlético após parir um boi para empatar em tempo normal na final da Liga dos Campeões. Fideo sabe que perderá espaço ou precisará lutar ainda mais por uma vaga que era sua por puro mérito ao carregar o time nas costas naquela decisão. Deve sair do time e ficar como a glória esquecida de uma equipe que trouxe problemas demais antes de ‘La Décima’. Quem foi fritado por essa panela problemática foi José Mourinho, que provavelmente pensava que poderia bater o pé e ser respeitado, assim sem mais nem menos. Nomes como Casillas, Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo fizeram o português tomar os rumos do Chelsea, onde é mais amado e ouvido como comandante.

O sonho do Real se torna cada vez mais caro, tão caro quanto as infinitas notas podem pagar. Não é um título europeu que vai fazer com que o time deixe de torrar suas finanças com jogadores que brilham mundo afora. Não serão mais dois ou três títulos mundiais que vão brecar o apetite de grandeza madridista, um retrato perfeito da megalomania de Florentino que vai contra a maré do Fair Play Financeiro.

Quem tem para gastar, pouco se importa com os que ainda estão pensando em como vão fazer para segurar um empate com o Real no próximo Campeonato Espanhol. Há toda uma síndrome egoísta em querer tomar todos os troféus possíveis como seus. É um caso que ultrapassa a vontade de vencer e se transforma num quadro de obsessão. Com o tempo, a obsessão vai ficar maior do que os cofres podem suportar.

Enquanto isso, a eterna batalha com o Barcelona ganha mais um capítulo. Depois de apanhar ano após ano de Messi e Guardiola, será que Ancelotti e os Novos Galácticos tomarão o poder das mãos do rival?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *