Desguia da TF na Copa do Mundo: Seleção por seleção

Por Felipe Portes, Gabriel Carvalho, Sérgio Sampaio e Vinicius Intrieri

A Copa acabou, mas não é por isso que a gente não vai seguir falando ou fazendo uma análise sobre os times que disputaram o torneio. O Desguia da TF poderia muito bem ser chamado de balanço, mas a gente aqui adora ser diferentão, então fica Desguia mesmo. E nossa equipe é assim: objetiva e atenta aos destaques. Falamos de seleção por seleção, passando por campanha, principais jogadores e um pequeno resumo da participação de cada um. Esperamos que você goste.

GRUPO A

Foto: UOL
Foto: UOL

BRASIL 

Campanha: 1ª colocado no Grupo A, eliminado na semifinal pela Alemanha, 7-1, 4º colocado após derrota para a Holanda, 3-0

Destaque: Nenhum.

Decepção: 23 jogadores e comissão técnica.

Resumo: É até difícil fazer um resumo sobre a participação do Brasil nessa Copa, assunto que tem dominado as pautas esportivas e deverá ser assim nos próximos quatro anos (no mínimo). Em um grande exercício de sobriedade na análise, concluo que o que de melhor se pode apontar são os últimos 30 minutos do jogo contra Camarões, os primeiros 30 minutos do jogo contra o Chile, e o primeiro tempo do jogo contra a Colômbia. Ou seja, o Brasil sequer fez uma grande partida no torneio que sediou. Seja por anacronismo da comissão técnica, deficiência de treinos, desequilíbrio emocional. A verdade é que dentro de campo, o Brasil jogou o pior futebol desde a Copa de 1990 e deu o maior vexame da sua história (superando 50, se é que aquilo foi vexame), apesar de ter obtido o melhor resultado desde 2002.

David Luiz fazia uma grande copa até ser engolido pela Alemanha, e Neymar foi extremamente decisivo na primeira fase, mas uma sombra a partir de então. O time sofreu sem um meia criativo, organizador, e o esquema tático ao tempo em que gerava um excesso de ligações diretas entre defesa e ataque, criava buracos na marcação de meio campo, sobrecarregando a dupla de zagueiros. Muito pouco para quem sonhava em ser campeão dentro de casa.


CROÁCIA

Campanha: 3ª colocada no Grupo A

Destaque: Ivan Rakitic

Decepção: Mario Mandzukic

Resumo: Crianças, parecia que dessa vez a Croácia ia empolgar e partir para a segunda fase. O time era bom, vai, vamos conversar. Segurou o Brasil o quanto deu até que o Pletikosa, baita mão de alface, entregasse a paçoca. Jogou direitinho contra Camarões (dizem que o jogo foi vendido, e depois daquela expulsão do Song, nem dá pra duvidar). Só teve um apagão de 90 minutos contra o México, mas fora isso, teve honra. Ou não. Time que pode amadurecer com os próximos anos e deixar de entrar em campo só com a marra e a campanha de 1998 na bagagem. Joga bola, axadrezado. Quem sabe assim você passa da primeira fase em 2018.

MÉXICO

Campanha: 2ª colocada no Grupo A, eliminada nas oitavas de final pela Holanda, 2-1

Destaque: Guillermo Ochoa, que chegou à Copa desempregado e contestado pela torcida local, e sai como um dos melhores goleiros do torneio, ídolo nacional e disputado por clubes europeus.

Decepção: Javier “Chicharito” Hernández, que não conseguiu mostrar o futebol que o levou ao Manchester United, e nas oportunidades que teve, sequer chegou a ameaçar a titularidade de Peralta e Giovani dos Santos.

Resumo: O México esteve a alguns minutos de ficar fora da Copa pela primeira vez desde 1990. Seguidas trocas de técnico, falta de comprometimento das estrelas do time, torcida insatisfeita, desempenho pífio no hexagonal final.  Mas graças aos gols de Zusi e Jóhannsson nos acréscimos contra o Panamá, o México chegou à repescagem, para em seguida classificar-se. Miguel Herrera conseguiu se livrar do vexame histórico, mas chegava ao torneio sob olhares desconfiados, que se intensificaram após escolhas questionáveis na convocação, especialmente a titularidade de Guillermo Ochoa.

Mas o que era receita de fracasso se tornou uma participação memorável, que só não foi coroada com o primeiro lugar no grupo graças a dois gols incorretamente anulados contra Camarões. Ochoa se agigantou rodada após rodada, Rafa Márquez fez um torneio quase perfeito no comando da zaga, Héctor Herrera foi uma revelação no meio campo e Giovani dos Santos apareceu decisivamente no ataque. A derrota nas oitavas (pela sexta vez consecutiva) contra a Holanda foi sofrida, é verdade, mas os comandados de Miguel Herrera puderam sair de cabeça erguida.

CAMARÕES

Campanha: 4º lugar no Grupo A

Destaque: Difícil apontar algo positivo no pior time da Copa, mas o goleiro William Itandje, apesar dos 9 gols sofridos em 3 jogos, teve alguns bons momentos.

Decepção: Song. Um dos atletas mais experientes do time, além de não apresentar nada positivo, ainda foi expulso no 1º tempo do jogo contra a Croácia por um soco sem explicação em Mandzukic.

Resumo: Os tempos de “futebol alegre” e “Leões Indomáveis” já ficaram para trás há tempos, mas ainda assim podia-se esperar um pouco mais do time de Camarões, pela presença de jogadores como Eto’o, Song e Assou-Ekotto. No entanto, mais uma vez, a campanha de Camarões será lembrada por brigas internas, derrotas vexatórias e disputa com a Federação por premiações. O time só não sofreu três goleadas na Copa pela péssima atuação do árbitro colombiano Wilmar Rondán no jogo contra o México, onde anulou dois gols legais do atacante Giovanni dos Santos, fazendo com que o jogo ficasse apenas 1×0 para os mexicanos. Na derrota por 4×0 contra a Croácia, os jogadores Assou-Ekotto e Moukandjo chegaram a brigar na saída do campo. E ainda sofreram suspeitas de manipulação de resultados no 4×1 sofrido contra o Brasil. Um Mundial para esquecer.

GRUPO B

Foto: Eurosport
Foto: Eurosport

ESPANHA

Campanha: 3º lugar no Grupo B

Destaque: Difícil apontar algum destaque em uma seleção que defende o título e é eliminada em apenas 2 jogos na Copa. Talvez Koke, por representar a nova geração que deve ser a responsável pela retomada do time espanhol.

Decepção: Escolha a sua – Casillas, Xavi, Fernando Torres, Iniesta, Diego Costa. O time inteiro esteve muito abaixo do que se esperava e amargou uma eliminação cruel, mas justa.

Resumo: Enfim a Espanha chegava a uma Copa como campeã mundial, após décadas de bons times que não vingaram na hora que precisavam. O time-base era o mesmo que, se não jogava um futebol vistoso, foi extremamente eficiente ao ganhar o título em 2010, com algumas adições, como Diego Costa, o centroavante brasileiro que todos esperavam que finalmente resolvesse o problema crônico da Fúria na camisa 9. Mas deu tudo errado. O “apagão de 45 minutos” contra a Holanda foi só o começo, e a derrota por 5×1 obrigava a Espanha a buscar sua vaga contra os demais adversários da chave, Chile e Holanda. Já no primeiro passo, o fracasso: derrota de 2×0 contra o bom time chileno e a primeira desclassificação da história de um defensor do título em 2 jogos na fase de grupos. No último jogo, já um amistoso na prática, a vitória de 3×0 sobre a Austrália, tão inútil quanto simbólica, marcando a despedida de vários expoentes de uma geração vitoriosa do time espanhol.

O anseio em decretar o “fim da era do tiki-taka” foi comparável à empolgação com o mesmo sistema de jogo nos títulos da Espanha e do Barcelona nos anos recentes. O fato é que a Espanha também deve passar por uma renovação, baseada nos talentos mais jovens que vêm surgindo em seu futebol, mas ainda com o problema crônico em seu comando de ataque, já que Diego Costa claramente não correspondeu às expectativas na Copa. O Brasil viu, muito provavelmente, o ocaso dessa geração vencedora.

HOLANDA

Campanha: 2º lugar no Grupo B, eliminada pela Argentina na semifinal, 0-0 e 4-2 nos pênaltis, 3º lugar após vencer o Brasil por 3-0

Destaque: Arjen Robben. O atacante de 30 anos repetiu as excelentes atuações que levaram a Holanda à final em 2010, sendo considerado por muitos o melhor da Copa.

Decepção: Não dá pra falar exatamente em decepção, mas Wesley Sneijder esteve um pouco mais sumido que de costume, apesar do gol salvador contra o México, nas oitavas.

Resumo: Muitos colocavam dúvidas sobre a Holanda antes da Copa. Em um grupo com a campeã Espanha e o bom time do Chile, havia quem apostasse na eliminação da Holanda já na primeira fase. Logo na primeira partida, a reedição da final de 2010 contra os espanhóis, essas apostas caíram por terra. Após um duro primeiro tempo, onde a Espanha abriu o placar com um pênalti duvidoso, e Van Persie empatou com um dos gols mais bonitos da Copa, o segundo tempo foi um massacre holandês. Robben e Van Persie comandaram uma impiedosa goleada de 5×1, desmontando completamente o esquema espanhol e seu envelhecido “tiki-taka”. Após a goleada, um 3×2 sobre a Austrália, em um excelente jogo onde seu ataque mostrou poder mais uma vez, embora a defesa tenha sofrido nas mãos dos esforçados australianos. O 2×0 contra o Chile, com os dois times classificados, garantiu o primeiro lugar do grupo.

No mata-mata, a Holanda não economizou na cota de sofrimento. No jogo das oitavas, contra o México, o time perdia até os 40 do segundo tempo, virando no finalzinho com gols de Sneijder e um pênalti polêmico sofrido por Robben e convertido por Huntelaar. Os jogos das quartas e semi ficaram em 0x0, contra Costa Rica e Argentina, sendo decididos nos pênaltis. Aliás, um dos momentos mais curiosos da Copa foi a entrada de Krul no último minuto da prorrogação: o goleiro defendeu dois pênaltis e classificou a Holanda. No jogo contra a Argentina, no entanto, o técnico Louis van Gaal já havia feito as três substituições, e Cilessen não conseguiu repetir o feito. No final, o 3º lugar da Copa conquistado no 3×0 sobre um esfacelado Brasil foi um prêmio a um dos times com melhor futebol na Copa.

CHILE

Campanha: 2º colocado no Grupo B, eliminado nas oitavas de final para o Brasil, 1-1 (3-2 nos pênaltis)

Destaque: Alexis Sánchez

Decepção: Mauricio Pinilla

Resumo: Dessa vez pareceu mesmo que o Chile iria longe. A pecha de freguês do Brasil ficou esquecida depois de um jogo duro contra a Seleção, no Mineirão. A primeira fase foi o ponto mais alto na vida da seleção chilena, que jogou bem contra a Austrália e detonou a Espanha num duelo de vida ou morte, que eliminou os então campeões do mundo. Esqueça a derrota contra a Holanda. O Chile foi bem mais do que isso e provou na sua despedida. Coloquei Pinilla como decepção, porque ele era o cara que podia ser responsável pelo gol mais icônico da história do futebol do seu país, mas acertou a trave. Paciência, a próxima Copa está logo ali, chilenos. Vai que dá.

AUSTRÁLIA

Campanha: 4ª colocada no Grupo B

Destaque: Tim Cahill

Decepção: Lucas Neill

Resumo: É estranho ser a Austrália, né? Jogar bem as duas primeiras partidas, perder e ainda sair da Copa com uma traulitada na cabeça da Espanha. Mas a verdade é que os Socceroos não trouxeram nenhuma novidade em relação a 2010. O mesmo jogo manjado, um ataque incompetente (com exceção de Cahill) e uma defesa ingênua. Deixou o Mundial sem causar tanta simpatia porque pegou um grupo complicado. Talvez se tivesse caído no lugar da Coreia do Sul, teria feito mais sucesso. Não se pode dizer que foi mal, no fim das contas, mas precisa aprender a defender melhor antes de querer repetir a façanha de 2006.

GRUPO C

A VALENTIA QUE NÃO SE MEDE http://tfcorp.net/2014/07/16/a-copa-que-se-foi-parte-i-a-valentia-que-nao-se-mede/
A VALENTIA QUE NÃO SE MEDE http://tfcorp.net/2014/07/16/a-copa-que-se-foi-parte-i-a-valentia-que-nao-se-mede/

COLÔMBIA

Campanha: 1ª colocada do grupo C, eliminada nas quartas de final pelo Brasil, 2-1

Destaque: James Rodríguez

Decepção: Jackson Martínez

Resumo: Ah, até abri um sorriso ao falar da Colômbia. Que senhor time, meus amigos. José Pekerman abriu seu baú de conhecimento e armou uma equipe ofensiva, consciente e que sabia lidar com o fato de ser a sensação da Copa. Pagou por se defender demais contra o Brasil nas quartas, mas deixou uma excelente impressão, apesar do lance de Zúñiga com Neymar. Teve o artilheiro da Copa, James Rodríguez, o homem dos dois golaços, o melhor jogador inesperado Juan Cuadrado e o lateral mais malemolente, Pablo Armero. David Ospina também soube ser protagonista quando pegou demais no gol em todas as partidas. É uma pena que tenha chegado para o torneio sem seu grande craque, Falcao García, mas por outro lado, mostrou que pode ser um concorrente, independente de contar ou não com o seu capitão e camisa 9. A partida-chave foi contra o Uruguai, quando James destruiu a Celeste sozinho. Vai deixar saudades.


GRÉCIA

Campanha: 2ª colocada no Grupo C, eliminada nas oitavas de final pela Costa Rica, 1-1, 4-2 nos pênaltis

Destaque: Georgios Samaras, o autor do gol mais importante da Grécia na história dos mundiais, que compensa toda a falta de habilidade com uma entrega admirável em campo.

Decepção: Theofanis Gekas, não que se tivesse grandes expectativas nele, mas o atacante mais experiente da seleção fez uma copa sofrível, perdeu gols feitos e desperdiçou o pênalti decisivo.

Resumo: Muita gente torce o nariz para a Grécia. Convenhamos, nunca primou pela habilidade, e mesmo a sua geração mais vitoriosa destacava-se pelo futebol defensivo, até mesmo chato. Porém não há como negar a entrega desse time, que tem total consciência das suas limitações e aprendeu a ser competitiva assim. O país se classificou para as últimas três Eurocopas e duas Copas, passando de fase em três oportunidades das cinco, com um título. A Grécia pode não agradar ao resto do mundo, mas os gregos certamente estão felizes.

Nessa edição, após sofrer uma derrota impiedosa na estréia contra a Colômbia, conseguiu segurar o ímpeto dos japoneses, e obteve a história (e inédita) classificação após fazer a sua melhor partida no torneio, contra Costa do Marfim. Foi sofrida, com gol de pênalti no último minuto, mas mesmo aqueles que não gostam hão de admitir que, se alguém mereceu sair vencedor daquele jogo, foram os gregos.

JAPÃO

Campanha: 4º  lugar no Grupo C

Destaque: Keisuke Honda

Não que tenha sido uma excelente Copa do meia do Milan, mas ele se salva pelo belo gol marcado contra a Costa do Marfim.

Decepção: Shinji Kagawa

O jogador do Manchester United chegou à Copa do Mundo com o status de  uma das estrelas do time, ao lado de Honda, mas pouco (ou quase nada, se preferirem) fez.

Resumo: Com bons valores individuais – Nagatomo, Kagawa e Honda – e uma campanha convincente nas eliminatórias asiáticas, o Japão chegou ao Brasil trazendo consigo certa dose de otimismo, que aumentou após Honda abrir o placar contra a Costa do Marfim, na estreia nipônica. Mas veio a virada: 2 a 1 para os marfinenses.

Depois, um empate contra a Grécia, mesmo jogando com um a mais durante mais da metade da partida. Ainda assim, os japoneses chegaram à última rodada da primeira fase com chances matemáticas de classificação para as oitavas. Para alcançar tal feito, no entanto, precisariam vencer a Colômbia de James Rodríguez e Romarinho Cuadrado. Resultado: foram goleados por 4 a 1 e voltaram para casa.

COSTA DO MARFIM

Campanha: 3º lugar no Grupo C

Destaque: Gervinho

Gervinho talvez tenha sido o único jogador que se salvou do fiasco que foi a queda dos marfinenses na primeira fase. Só pelo golaço contra a Colômbia ele já seria eleito o destaque.

Decepção: Didier Drogba

O veterano atacante pouco fez nesta Copa do Mundo. Apenas colocou medo nos japoneses, que ficaram atordoados com a sua entrada no jogo de estreia, e mais nada.

Resumo: A Costa do Marfim, de quem se esperava algo mais, decepcionou. O time de Gervinho, Yaya Touré, Kalou e Drogba – só para citar alguns nomes mais conhecidos – era colocado ao lado da Colômbia como um dos favoritos para conquistar uma das vagas para as oitavas no grupo C. A vitória contra o Japão e a derrota para os colombianos foram resultados ‘normais’ – se é que se pode dizer isso.

A derrota para a Grécia, no entanto, foi uma surpresa para muitos. O empate – que já era surpreendente, mas classificava os marfinenses – estava quase se confirmando, até que Sio comete pênalti em Samaras, que cobrou e converteu, aos 47 minutos do segundo tempo. Não havia tempo para reagir e o sonho da Costa do Marfim de se classificar pela primeira vez para as oitavas de final virava pó. O ponto final na história de Drogba em Copas do Mundo (ele terá 40 em 2018, dificilmente irá para a Rússia) não poderia ter sido mais dolorido.

GRUPO D

Foto: Fichajes.net
Foto: Fichajes.net

URUGUAI

Campanha: 2º colocado do Grupo D, eliminado nas oitavas pela Colômbia por 2-0

Destaque: Luis Suárez.

Vindo de contusão recente, entrou no jogo contra a Inglaterra e fez os dois gols do time. Já contra a Itália…

Decepção: Diego Lugano.

Não que se esperasse muita coisa do veterano zagueiro, mas o mau futebol, cartão amarelo no banco de reservas e o discurso anti-imprensa decepcionaram até os são-paulinos que tinham alguma esperança de revê-lo em seu time.

Resumo: O envelhecido Uruguai carregava muitas dúvidas para a Copa de 2014. Depois da excelente (e até certo ponto inesperada) campanha na Copa de 2010 e do título da Copa América de 2011, o time dependeu da repescagem contra a Jordânia para se classificar nas eliminatórias, e o principal jogador, Luis Suárez, estava andando de cadeira de rodas a um mês da estreia. Na estreia, o jogo “teoricamente” mais fácil da chave contra a Costa Rica, o time, sem Suárez, sofreu com a falta de criatividade do meio campo e a dependência de Forlán (claramente decadente) e Cavani. Acabou sendo derrotado por 3×1. Com a volta e o show do Suárez contra a Inglaterra, vitória por 2×1 e chances de classificação renovadas. No jogo travado contra a Itália, o time sofreu no primeiro tempo, viu Marchisio ser expulso e o zagueiro Godin acabou fazendo o gol da classificação aos 36 do segundo tempo. Poucos minutos depois do lance talvez mais discutido da Copa, a mordida de Suarez sobre Chiellini, não vista pelo árbitro no momento da jogada.

Muito já se falou sobre o assunto, mas o ponto é que depois do lance, fosse qual fosse a punição, Suárez não jogaria contra a Colômbia. E isso acabou fazendo uma diferença enorme. O time voltou ao futebol pouco inspirado da estreia e acabou sendo a presa mais fácil das oitavas, perdendo por 2×0 para a Colômbia, apesar de algum sufoco sobre os colombianos no fim do jogo. Foram tantos acontecimentos ao longo da campanha que fica até difícil julgar se os uruguaios foram mais longe do que o esperado, ou caíram precocemente. O fato é que o time está velho, e a renovação deve ser profunda daqui para frente. Com a ascensão de vários times sul-americanos e a volta do Brasil às eliminatórias, o Uruguai precisa acelerar essa renovação se quiser voltar à Copa em 2018.

ITÁLIA

Campanha: 3º lugar no Grupo D

Destaque: Andrea Pirlo. Em seu último mundial, apesar de mais uma desclassificação precoce, o meio campista italiano foi o toque de classe no time, especialmente contra a Inglaterra.

Decepção: Mario Balotelli. Apesar do gol contra a Inglaterra, fez um mundial muito abaixo do esperado. Nos jogos contra Costa Rica e Uruguai, fez mais faltas do que jogadas de perigo.

Resumo: A Itália chegava ao Brasil buscando apagar o vexame da Copa de 2010, e para isso teria que superar o “Grupo da Morte” e o clima brasileiro, já que faria todos seus jogos no Norte/Nordeste. Não fez nem uma coisa nem outra. Apesar de uma estréia bastante promissora, com a vitória sobre a Inglaterra em um dos melhores jogos da primeira fase, seu ataque emperrou nos jogos seguintes. A má atuação, especialmente de Balotelli, na derrota por 1×0 contra a Costa Rica, deu início ao drama italiano. Mas seu capítulo final seria contra o Uruguai, no jogo da mordida de Suárez em Chiellini. A expulsão de Marchisio no início do 2º tempo desmontou o esquema do time, que, jogando pelo empate, tentou se fechar. Mas foi castigado pelo gol de Godín, aos 36 do segundo tempo, que sacramentou sua eliminação.

Com isso, é tempo de renovação na Itália. O pedido de demissão do técnico Cesare Prandelli e do presidente da Federação, Giancarlo Abete, torna mais profunda a mudança no time, que já não deve contar com veteranos como Buffon e Pirlo para o próximo ciclo. Os torcedores italianos vão ter que renovar o estoque de criatividade na composição de versões alternativas do hino italiano na Copa 2018, já que se espera uma seleção bastante renovada, buscando agora apagar dois vexames consecutivos em copas.

INGLATERRA

Campanha: 4ª colocada no Grupo D

Destaque: Raheem Sterling, porque ganhou a titularidade nos treinos pré-copa e não fez feio na sua primeira participação em Mundiais, com apenas 19 anos.

Decepção: Wayne Rooney, apesar de ter quebrado a sina de não marcar gols em Copas, no seu terceiro mundial o atacante não demonstrou o futebol que se esperava de um dos pilares da equipe.

Resumo: É possível um país tradicionalíssimo no futebol, campeão mundial, referência no esporte e com uma das ligas mais fortes do mundo terminar em último lugar no seu grupo e isso não ser uma tragédia? É, sim, e esse foi o caso da Inglaterra. Logicamente não era a participação que se esperava, e a eliminação tão cedo foi decepcionante, porém o futebol apresentado e a juventude do elenco deixam sinais otimistas para o futuro. As derrotas do time aconteceram em duas das melhores partidas do mundial, e em ambas não seria absurdo que a Inglaterra saísse vencedora. Tristeza para Gerrard e Lampard, que se despediram da seleção de forma decepcionante.

De negativo, a constatação que Roy Hodgson não tem capacidade de dirigir uma seleção desse porte, jovem e de futebol ágil. Insistiu na titularidade do contestado Welbeck (e fora de posição), apesar de ter acertadamente promovido o jovem Sterling ao time principal. Com jogadores surgindo bem em todos os setores do campo, não será surpresa caso no futuro a Copa de 2014 seja vista como o ponto fora da curva de uma boa geração.

COSTA RICA

Campanha: 1ª colocada do Grupo D, eliminada nas quartas de final para a Holanda, 0-0 e (4-2) nos pênaltis.

Destaque: Keylor Navas

Fechou o gol, salvou o time em várias oportunidades com a bola rolando e nos pênaltis contra a Grécia. Monstro sagrado que até virou nome de estádio no seu país. Grande goleiro.

Decepção: Nenhuma

Resumo: Vamos ser sinceros: a virtude dessa Costa Rica não era bem jogar bonito. Era ser eficiente na defesa e jogar sem precisar se retrancar demais contra equipes grandes. A fórmula funcionou contra o Uruguai, Itália, Grécia e Holanda, apesar dos costarriquenhos já entrarem parcialmente derrotados nos pênaltis, quando Van Gaal fez aquela manobra ardilosa de botar Krul em campo para defender os chutes dos adversários. No mais, foi um time encardidíssimo e com mais organização do que qualidade. Foi longe por reconhecer as suas limitações e explorar o erro do adversário com maestria. Ótimo trabalho com um time que não era de encher os olhos.


GRUPO E

Foto: L'Equipe
Foto: L’Equipe

SUÍÇA

Campanha: 2ª colocada no Grupo E, eliminada nas oitavas de final pela Argentina, 1-0

Destaque: Xherdan Shaqiri, que chegou à Copa com status de craque do time e comprovou a expectativa depositada ao marcar o primeiro hat-trick de um jogador suíço desde 1954.

Decepção: A defesa, que só não tomou gols contra Honduras e desmistificou aquela velha (e chata) adjetivação de “ferrolho suíço”.

Resumo: A Suíça viveu a campanha de 2014 sob fortes emoções, contrariando sua tradição. Inicialmente, uma vitória sofrida contra o Equador, em que o gol da virada saiu aos 49 minutos do segundo tempo. Em seguida, os problemas defensivos se revelaram, pois em boa parte do jogo contra a França escalou a calamitosa dupla Djourou-Senderos (não por acaso nessa partida tomou cinco dos sete gols totais). Por fim, após vitória tranquila contra Honduras, com direito a show de Shaqiri, foi eliminada pela Argentina com requintes de crueldade. Tomou o gol depois de segurar Messi e companhia por 118 minutos, saiu desesperada em busca do empate, e a bola salvadora na cabeça de Dzemaili foi parar na trave e, no rebote, para fora.

Destaques para Xhaka e Shaqiri, que emergem como líderes dessa geração. De negativo, a falta de renovação na defesa, e a ausência de referência no ataque, já que Seferovic, Drmic e Mehmedi revezaram-se sem se firmar. Pouco para quem recentemente teve Alexander Frei.


FRANÇA

Campanha: 1ª colocada no Grupo E, eliminada nas quartas de final pela Alemanha, 1-0

Destaque: Paul Pogba, que teve a responsabilidade de ser a peça-chave no meio campo após a lesão de Ribéry e assumiu bem o papel, liderando o setor mais elogiado da equipe no torneio.

Decepção: Laurent Koscielny, tido por muitos como merecedor da titularidade, nas oportunidades que teve no torneio mostrou estar um nível abaixo da dupla Varane-Sakho.

Resumo: A França foi uma das melhores equipes do torneio. Não fosse a chave ingrata, que lhe obrigou a enfrentar os alemães nas quartas de final, certamente seria favorita a ocupar uma vaga entre as quatro melhores. Apresentou um excelente futebol, elenco com variações táticas e opções de qualidade na reserva, além de equilíbrio entre os setores do time, sem grande disparidade entre defesa e ataque. Deixou grande impressão, e terá o desafio de jogar a Euro-16 em casa.

O meio-campo francês merece destaque, talvez seja superado apenas pelo alemão na atualidade, e todos os jogadores fizeram grande torneio. Matuidi, Pogba, Cabaye e Valbuena foram incansáveis, constantemente alternando posições e qualificando a saída de bola da equipe. Benzema mostrou a sua veia goleadora, e também fez boa copa. Por fim, a dupla Varane-Sakho merece elogios, pois, até a partida contra a Alemanha, havia atuado junta 516 minutos, sem sofrer gols e sem cometer nenhuma falta.

EQUADOR

Campanha: 3º colocado no Grupo E

Destaque: Enner Valencia, que somente tornou-se titular da equipe devido à morte de “Chucho” Benítez em 2013, além de ter feito todos os três gols do time na Copa, tornou-se o maior artilheiro equatoriano em Copa, junto com Agustín Delgado.

Decepção: Felipe Caicedo e Antonio Valencia, dois maiores nome do time antes do torneio, ambos tiveram atuações bastante apagadas, com o primeiro perdendo a titularidade e o segundo sendo expulso no jogo decisivo contra a França.

Resumo: O Equador, eternamente dependente da altitude nas boas campanhas em eliminatórias, pode ser o “patinho feio” sulamericano dessa copa, afinal de contas foi o único time do continente a cair na primeira fase. Bem verdade que não apresentou grande desempenho, mas passou longe do vexame, pois se não fosse o gol salvador de Seferovic nos acréscimos, teria se classificado no lugar dos suíços.

O destaque positivo fica por conta de Enner Valencia, autor dos três gols do país na Copa, mas não há como ignorar a boa participação de Alexander Domínguez, que foi uma muralha contra o poderoso ataque francês e garantiu o empate, sendo eleito o melhor em campo. Destaque negativo além dos supramencionados vai para a FIFA, que impediu a homenagem proposta pela equipe de aposentar a camisa 11, em memória de Chucho Benítez.


HONDURAS

Campanha: 4º lugar no Grupo E

Destaque: Carlo Costly, autor do único gol hondurenho da campanha, sobre o Equador

Decepção: Difícil apontar uma decepção em um time do qual pouco se esperava, mas o zagueiro Bernardez foi o ponto fraco de uma seleção sem grandes talentos.

Resumo: Uma classificação até certo ponto inesperada, muito devida à má fase do time do México durante as eliminatórias, e Honduras se viu na Copa do Mundo pela terceira vez em sua história, a segunda consecutiva. Ao contrário da vizinha Costa Rica, no entanto, a campanha hondurenha não teve grandes destaques em gramados brasileiros. O sorteio colocou o time logo contra a França na estreia: um 3×0 no qual o grande ponto de atenção foi o segundo gol da França, o primeiro na história das Copas a ser validado com o auxílio do recurso eletrônico da FIFA. No segundo jogo, alguma esperança: o gol de Carlo Costly contra o Equador (o adversário mais acessível da chave) deu alguns minutos para que os hondurenhos sonhassem com a vitória, mas Enner Valencia virou o jogo com 2 gols. Já desclassificado, o time perdeu mais uma vez por 3×0 em seu último jogo, contra a Suíça.

Assim, Honduras saiu da Copa sem grandes destaques, com alguma fama de time violento (especialmente no jogo contra a França), e volta a seu dia-a-dia: pensar em como surpreender novamente nas próximas eliminatórias. Com EUA empolgado, Costa Rica e seu resultado histórico, e o México voltando aos eixos, não será nada fácil.

GRUPO F

A COPA DA EXAUSTÃO - http://tfcorp.net/2014/07/06/a-copa-da-exaustao/
A COPA DA EXAUSTÃO – http://tfcorp.net/2014/07/06/a-copa-da-exaustao/

ARGENTINA

Campanha: 1ª colocada do Grupo F, vice-campeã, derrotada pela Alemanha na final, 1-0

Destaque: Javier Mascherano

As atuações durante a Copa, na posição de volante, são uma lição ao Barcelona, que o escala de zagueiro. Mascherano recuperou o futebol de ‘huevos’ na Argentina. Detalhe: só foi levar cartão amarelo na final. Excelente.

Decepção: Kun Agüero

Mais um que chegou baleado ao Brasil, chegando a se contundir durante a competição. Quando esteve em campo, foi péssimo. Não acertou nada.

Resumo: Ainda que não seja uma ‘Alemanha’, a Argentina mostrou nesta Copa ser ‘mais do que Messi’. Claro que o time dependeu de ‘La Pulga’ e dos ‘coelhos’ que ele ‘tirou da cartola’ – vide o golaço contra o Irã, nos acréscimos – mas o time de Alejandro Sabella mostrou evolução durante a competição, principalmente na defesa, tão criticada nos últimos anos.

Rojo não foi brilhante, mas seguro ali na lateral esquerda. Garay e Demichelis, tirando o deslize que deixou Götze livre para fazer o gol do título, foram muito bem. Zabaleta esteve vacilante na primeira fase, mas evoluiu. Mascherano foi o melhor jogador argentino e, ao lado de Biglia, formou uma dupla de volantes segura. O ataque é que decepcionou. Dependente demais de Messi, a parte ofensiva da Argentina ficou ainda mais órfã quando perdeu Di María, contundido. Na grande decisão, essa deficiência ficou evidente: foram algumas oportunidades de gol perdidas – Messi protagonizou uma das mais claras. A Argentina foi aquele ‘vice que valoriza’ a conquista alemã.

BÓSNIA-HERZEGOVINA

Campanha: 3º lugar no grupo F

Destaque: O goleiro Asmir Begovic. Mesmo com a derrota, fez um excelente jogo contra a Argentina, e pareceu não ter sido contaminado pelo clima apático apresentado pelo time.

Decepção: Todo o time ficou abaixo do esperado, mas Edin Dzeko, destaque do time, personaliza essa decepção. Jogou bem apenas contra o Irã, quando não valia mais nada.

Resumo: Única seleção estreante na Copa 2014, a Bósnia chegou ao mundial com status de promessa e expectativa de classificação, em um grupo em que os adversários pela segunda vaga, Irã e Nigéria, não assustavam muito. Estreou contra a Argentina, e apesar do gol contra de Kolasinac logo a 2 minutos, fez um jogo duro contra os futuros vice-campeões, perdendo por 2×1. No entanto, no jogo que de fato valia a classificação, contra a Nigéria, o time esteve irreconhecível, e apesar do gol anulado injustamente, pouco fez para merecer uma vitória, perdendo o jogo por 1×0 e as chances de classificação. Na última rodada, venceu o Irã por 3×1, conquistando assim seu primeiro triunfo na história das Copas.

A imprensa e torcedores bósnios, além de reclamarem muito pelo gol anulado contra a Nigéria, criticaram bastante o técnico Safet Susic, especialmente por não manter um esquema tático mais constante e por improvisar jogadores em posições em que não estão acostumados a jogar, especialmente na defesa. O fato é que a Bósnia, uma das seleções apontadas como potenciais surpresas, pouco fez por merecer essa expectativa. Jogando por um país fanático por futebol e que há 20 anos ainda guerreava por sua independência, não se podia esperar um futebol tão apático e desinteressado.

NIGÉRIA

Campanha: 2ª colocada no Grupo F, eliminada nas oitavas de final pela França, 2-0

Destaque: Vincent Enyeama, apesar da falha na partida contra a França, mais uma vez fez um grande torneio, mostrando que as boas atuações de 2010 não foram por acaso.

Decepção: Victor Moses, que sequer conseguiu manter a titularidade durante a Copa, demonstrando total apatia em campo, beirando o descaso.

Resumo: A Nigéria cada vez mais se afasta das características que marcaram a geração vencedora de 94-96, porém a adaptação do seu futebol não necessariamente implicará em fracassos. Essa copa retrata bem isso, porque depois do empate histórico (no mau sentido) contra o Irã, já era tida como eliminada. Todavia, contrariou as previsões e, apostando na força de Emenike e na habilidade de Musa, conquistou a classificação às oitavas, fato que não ocorria desde 98.

Enyeama mais uma vez foi pilar do time, fazendo grandes partidas na primeira fase. Igualmente, Peter Odemwingie começou na reserva, mas ganhou o lugar de Victor Moses durante a competição e fez o gol decisivo contra a Bósnia.

IRÃ

Campanha: 4º lugar no Grupo E

Destaque: Carlos Queiroz. O técnico português conseguiu dar um padrão de jogo ao time, deixando-o próximo de conseguir um resultado histórico contra a Argentina e até da classificação.

Decepção: O gol sofrido aos 46 minutos do segundo tempo, após um excelente jogo contra a Argentina, quando não apenas segurava o empate mas havia criado chances de vencer.

Resumo: O time do Irã, antes da Copa, era apontado por muitos como o saco de pancadas de um grupo com Argentina, Nigéria e Bósnia. Após a estréia com empate de 0x0 contra a Nigéria (disparado o pior jogo da Copa 2014), enfrentaria a Argentina em uma partida onde se discutia apenas qual seria o tamanho da goleada. Pois encarou os bicampeões de frente, não apenas se defendendo e buscando não perder, mas também criando algumas chances agudas de gol, onde a bola não entrou apenas por detalhe. Quando a partida se encaminhava para um empate, que por si já seria histórico, Messi aproveitou um pequeno espaço e decretou a derrota iraniana. No último jogo, ainda com chances matemáticas, o Irã foi derrotado pela Bósnia por 3×1. Nesse jogo, se tornou o 32º time a fazer gol na Copa, o que não acontecia desde a França-98.

Alguns destaques, como o goleiro Haghighi e o atacante Dejagah, ficam como saldo positivo do Irã em 2014. Além disso, as imagens das chances criadas e do castigo ao final do jogo contra a Argentina dão ao time um saldo melhor do que se esperava, especialmente para quem viu o chatíssimo 0x0 na estreia.


GRUPO G

DIÁRIO #10 DA COPA - http://tfcorp.net/2014/06/21/diario-10-da-copa-craque-e-craque-e-matador-e-matador/
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ALEMANHA

Campanha: 1ª colocada do grupo G, campeã, vencendo a Argentina na final, 1-0

Destaque: Miroslav Klose

Não foi o melhor neste grupo brilhante. Mas, aos 36 anos, chegou ao 16° gol em Copas durante a goleada histórica sobre o Brasil, em pleno Mineirão – diante dos olhos de Ronaldo – e se tornou o maior artilheiro da história dos Mundiais. É mais do que suficiente.

Decepção: Mesut Özil

Özil foi o ‘instrumento desafinado’ da orquestra alemã. Displicente, parece ter vindo para o Brasil totalmente sem foco, apesar de ter marcado contra a Argélia.

Resumo: ‘Trabalho, meu filho. Tem que ter trabalho. E a mão do especialista’ (no caso, os pés dos especialistas… bom, vocês entenderam). O trabalho dos alemães para reconstruir o futebol no país deu certo. Surgiu uma geração muito talentosa, que vem sendo lapidada ao longo dos últimos anos. Alguns já são mais experientes, como Schweinsteiger, Klose, Lahm e Podolski, outros mais jovens, casos de Kroos, Schürrle, Müller e Götze, o autor do gol do título – vale a menção honrosa para Reus, que se contundiu às vésperas do Mundial.

A Alemanha teve dificuldades nesta Copa? Sim, teve – Gana, Argélia, França e Argentina não nos deixam mentir. Mas soube lidar com todas elas. E ainda entrou para a história com o 7 a 1 sobre o Brasil – a maior goleada que uma seleção brasileira levou em um Mundial e o resultado mais elástico de uma semifinal de Copa do Mundo. O time de Joachim Löw é muito equilibrado e foi bem treinado. Se não tem nenhum jogador como Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi, também não tem nenhum ‘perna de pau’. Essa combinação só poderia resultar no quarto título mundial. E os adversários que tratem de se preparar, pois os alemães estarão muito fortes em 2018. De novo.

GANA

Campanha: 4ª colocada no Grupo G

Destaque: Asamoah Gyan

Gyan deixou dois tentos nesta Copa do Mundo e se tornou o primeiro jogador africano a marcar gols em três Copas diferentes (2006, 2010 e 2014).

Decepção: Kevin-Prince Boateng

Marrento, indisciplinado e pouco eficiente dentro de campo. Essa foi a Copa do Mundo de Kevin-Prince Boateng.

Resumo: Gana era outra seleção de quem se esperava mais, mesmo estando em um dos grupos mais equilibrados da Copa, com Alemanha, Portugal e EUA. A decepção veio logo na estreia, com a derrota para os norte-americanos com um gol nos últimos minutos. A partida com a Alemanha deu alguma esperança aos ganeses, apesar de o empate não ter sido um bom resultado.

Gana passou, então, a depender do resultado da partida entre EUA e Alemanha na última rodada – além do próprio resultado – para pensar em classificação. O que já era ruim piorou pouco antes da partida decisiva contra os portugueses: Muntari e Boateng, dois dos principais jogadores do elenco, foram excluídos da delegação, pois teriam cometido atos de indisciplina. Além disso, a cobrança do elenco pela premiação referente à classificação para a Copa teve ainda a imagem de Boye cheirando um maço de dinheiro, o que não foi muito bem visto. Depois de tudo isso, Gana entrou em campo, perdeu para Portugal por 2 a 1 e se despediu da Copa do Mundo no Brasil.

ESTADOS UNIDOS

Campanha: 2º colocado do grupo G, eliminado nas oitavas de final pela Bélgica, 2-1

Destaque: Tim Howard

A atuação contra a Bélgica figurará facilmente entre as maiores de um goleiro na história das Copas. Se os Estados Unidos tivessem avançado um pouco mais, Howard seria o favorito para ganhar a Luva de Ouro.

Decepção: Michael Bradley

Esperava-se um pouco mais de Bradley. Teoricamente, ele deveria ser um dos responsáveis por conduzir os norte-americanos ao ataque. Não conseguiu.

Resumo: Uma das gratas surpresas desta Copa do Mundo foi o bom futebol apresentado pelos norte-americanos. “Ah, mas eles só venceram Gana”, pode dizer alguém. Sim, foi a única vitória do time comandado por Jurgen Klinsmann. Ainda assim, os EUA mostraram que o ‘soccer’ está cada vez mais forte naquelas terras.

Os ianques estiveram muito próximos de garantir a classificação para as oitavas já na segunda rodada, mas a bola perdida por Bradley, que teve como consequência o cruzamento perfeito de Cristiano Ronaldo para Varela empatar aos 50 do segundo tempo, fez com que tudo tivesse que ser resolvido na última rodada. A combinação de resultados favoreceu os norte-americanos, que enfrentaram a Bélgica nas oitavas e resistiram até a prorrogação. Perderam, mas quase levaram a disputa para os pênaltis com uma jogada ensaiada digna de figurar nos playbooks da NFL, a liga de futebol americano (te cuida, Tom Brady). Jones, Zusi, Johnson, Bedoya e Dempsey, só para citar alguns exemplos que estiveram em campo no Brasil, estão longe de serem ruins de bola. E daquele ‘forno’ logo logo vem mais. É clichê, mas o futebol ‘será grande nos EUA’ em breve, podem apostar.

PORTUGAL

Campanha: 3º colocado no grupo G

Destaque: Cristiano Ronaldo

Muitos dirão que o desempenho dele foi decepcionante. Para quem não tinha a mínima condição, fisicamente falando, de ser competitivo, Cristiano Ronaldo fez mais do que poderia.

Decepção: Pepe

Longe de exibir a mesma segurança de quando veste a camisa do Real Madrid, o luso-brasileiro ainda mostrou novamente o lado desequilibrado da personalidade.

Resumo: Cristiano Ronaldo, aquele em quem Portugal depositava esperança para ir longe na Copa do Mundo do Brasil, chegou ao país rodeado por dúvidas sobre a sua presença em campo, dadas as condições físicas em que ele se encontrava. Pra piorar a situação, os lusitanos perderam Fábio Coentrão e Hugo Almeida logo na estreia – uma acachapante derrota de 4 a 0 para a Alemanha. No empate milagroso com os EUA, André Almeida e Helder Postiga também foram para o estaleiro.

O time, que já não era grande coisa, ficou ainda mais fraco. O técnico Paulo Bento teve que colocar em campo Éder – certamente um dos piores atacantes da história das Copas (olhando por esse lado… é Fred, você se salva dessa). E aí não há Cristiano Ronaldo que resolva. A vitória por 2 a 1 sobre Gana não foi suficiente para descontar a diferença de saldo em relação aos norte-americanos. Portugal, de certa forma, decepcionou e caiu na primeira fase, mas não dá para falar em surpresa. Não fosse Cristiano Ronaldo e seu desempenho excepcional na vitória sobre a Suécia (na repescagem, é bom que se diga), que garantiu a vaga na Copa, Portugal sequer teria vindo para o Brasil.

GRUPO H

DIA #6 DA COPA: QUEBRARAM A COPA http://tfcorp.net/2014/06/17/diario-6-da-copa-quebraram-a-copa/
DIA #6 DA COPA: QUEBRARAM A COPA http://tfcorp.net/2014/06/17/diario-6-da-copa-quebraram-a-copa/


BÉLGICA

Campanha: 1ª colocada no Grupo H, eliminada nas quartas de final pela Argentina, 1-0

Destaque: Kevin De Bruyne

Moleque atrevido, carregou o time nas costas quando criava jogadas de ataque para os companheiros. Jogou muita bola e só faltou deixar o seu gol para consagrar uma boa Copa. Destoou.

Decepção: Eden Hazard

Pra quem vale um caminhão de dinheiro e é destaque no Chelsea, a Copa do Mundo de Hazard foi digna de um Mazinho ou de um Vinícius, ambos ex-Palmeiras. Não tenho outra maneira de definir o belga.

Resumo: Sem piadinhas, mas foi incrivelmente decepcionante ver a Bélgica em campo nessa Copa. O amigo vai me cornetar e lembrar que venceram quatro e perderam apenas uma, ‘mas Portes, teve campanha melhor do que o Brasil’: e daí, meu chapa? Por chegar ao Mundial com um time repleto de jovens entre os mais talentosos da Europa. E nem assim serviu pra fazer 2 a 0 naquele time xexelento da Coreia do Sul. Ficou devendo desde a estreia até a despedida contra a Argentina, quando visivelmente tremeu na base e não conseguiu fazer nada de bom. Vão dizer que é a inexperiência (com razão), mas todo aquele futebol pré-copa ficou completamente esquecido. Só apareceu contra os Estados Unidos, num dos cinco jogos mais incríveis desse Mundial. Venceu por 2 a 1 e por pouco não sofreu o empate. Sua participação valeu mesmo só ao derrotar os americanos. Fora isso, precisa ser mais vibrante contra adversários mais fracos.


RÚSSIA

Campanha: 3ª colocada do grupo H

Destaque: Igor Denisov

Decepção: Igor Akinfeev

Pior goleiro da Copa depois de Casillas. Já falaram que esse rapaz era o novo Yashin. Não passa de um enganador. O pobre Lev se revirou no túmulo quando viu os frangos do titular da Rússia na primeira fase. Horrendo.

Resumo: Para quem recebia trilhões de zilhões de dólares para treinar a Rússia, o seu Fabio Capello foi uma enorme decepção. Time sem padrão, laterais horríveis, meio campo preguiçoso e ataque quase amador. Foi muito chato ver esta seleção russa em campo. Era uma tremenda tortura psicológica que se arrastou nos duelos contra a Coreia, Bélgica, e Argélia. Até o último jogo da primeira fase, confesso que queria ver esse time passar, mas deu tanta raiva enxergar o Palmeiras de 2012 vestido de uniforme vinho, que passei a torcer pelos argelinos ao fim da primeira etapa. Ainda bem que empatou e os africanos classificaram. Vou até parar de escrever antes que a depressão tome conta.


ARGÉLIA

Campanha: 2ª no Grupo H, eliminada nas oitavas de final para a Alemanha, 2-1 na prorrogação.

Destaque: Rais M’Bolhi

Decepção: Nenhuma

Resumo: Gigante. Chegou apenas com o time e a sua torcida, saiu com grande parte do Brasil apoiando nas oitavas de final. A consistência argelina foi o que mais impressionou no Grupo H da Copa, bem mais que a preguiça belga, o tédio russo ou a correria coreana. Se nesse mundial dá pra eleger um favorito entre os times sem tradição, certamente ele seria ou a Costa Rica ou a Argélia. Ainda estamos em dúvida, portanto, deixemos esse título pra depois. A Argélia soube jogar contra todos os adversários que enfrentou, e não fez feio nem diante do campeão do mundo. Venceu apenas uma partida, verdade, mas vai dizer que isso é pouco para um país que esperou 32 anos para avançar às oitavas. 1,2,3 viva l’algèrie!

COREIA DO SUL

Campanha: 4º  lugar no Grupo H

Destaque: Son Heung Min

O jovem atacante do Bayer Leverkusen foi o único jogador que apresentou lampejos de bom futebol, marcando um belo gol contra a Argélia.

Decepção: Park Chu Young

O atacante, com passagens por clubes europeus como Arsenal e Celta de Vigo e uma Copa do Mundo nas costas, não anotou nenhum gol e foi discretíssimo.

Resumo: A geração de 2014 ficou muito distante de repetir o feito da de 2002, que terminou aquela Copa com um surpreendente quarto lugar – erros escandalosos de arbitragem à parte. Hong Myung-Bo, que era o capitão daquela seleção, não teve o mesmo sucesso como treinador. Com um empate e duas derrotas – em uma delas, levou quatro gols – a eliminação foi considerada um fracasso pelos torcedores.

Na volta para casa, a delegação sul-coreana foi recebida com uma ‘chuva’ de balas de caramelo, algo considerado uma grave ofensa no país, além de uma faixa de protesto (tá pensando que é só no Brasil?) que dizia ‘O futebol da Coreia está morto’. Myung-Bo deixou o cargo e o futebol sul-coreano deve ter muito trabalho para voltar a fazer campanhas que deixem os seus torcedores orgulhosos o suficiente para que caramelos não voem pelos ares.

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