Uma Alemanha totalmente boladona

O futebol alemão foi sempre conhecido por ser burocrático demais, robótico, sem alma, aquela coisa física, quase científica. Seria demais exigir que aqueles grandalhões deixassem de parecer atletas quase perfeitos para se tornarem futebolistas, boêmios, midiáticos e carismáticos. Muitos anos e títulos depois, a Alemanha veio ao Brasil e entendeu completamente o espírito do país que sedia a Copa.

Começou com uma foto no Instagram aqui, outra postagem no facebook ali. Vimos que a Alemanha entrou mesmo na onda da zueira quando Neuer e Schweinsteiger, amigos inseparáveis, apareceram com uma camisa do Bahia e cantando gritos de torcida do Tricolor. Quando nos demos conta, Poldi estava vivendo loucamente as praias, tirando selfies com militares e com cocar na cabeça. Klose, então, comemorou um aniversário com uma tribo de índios e ficou loucão com a comunidade indígena.

Agora é a era da internet, qualquer um pode fingir que é carisma. Todo jogador que está inserido nas redes sociais tem a chance de se submeter às loucuras da web, fazer parte delas. A Alemanha foi além e virou o centro da galhofa, ao invés dos donos da casa, que estão mais preocupados em vencer o Mundial a qualquer custo. Pode-se dizer que os germânicos não estão levando o campeonato tão a sério, até porque ainda não jogaram a bola que se espera. Mas para eles, a diversão aqui nessas terras deve ser algo inédito. Nunca antes fizemos tantas notas ou comentários sobre o comportamento fanfarrão do time de Joachim Löw.

http://instagram.com/poldi_official
http://instagram.com/poldi_official

Dane-se se eles não levarem o caneco. Dane-se se podem ser campeões apesar de tudo isso. Poucos times conseguiram conquistar a torcida da forma como os alemães fizeram. E o segredo está justamente na surpresa. Quando é que você vai esperar que um bando de europeus deslocados no clima tropical brasileiro roube a cena aprontando poucas e boas, fazendo as mesmas coisas que você faria quando está em férias?

Nesse contexto de zueira, a Alemanha chegou na semifinal para pegar o Brasil. Será o duelo da maior torcida pontual do mundo contra o carisma daquele seu amigo gringo que vem ao país fazer intercâmbio. Ele quer aprender a falar palavrão, toma caipirinha até ficar vermelho de bêbado e termina a noite cantando samba com um português macarrônico, antes de vomitar na calçada e pedir outra dose de tequila. Um exemplo dessa descontração é o exemplo de Podolski, que está ‘determinado e focadão’ na busca pelo título.

O mene do jogador alemão que é um de nós

É tão surreal ver a sempre sisuda Alemanha expor um lado brincalhão, que não seria nenhuma surpresa que algum deles ficasse no Brasil durante as férias e fosse visto como uma pessoa qualquer nas ruas. Isso até virou meme no Twitter, aliás. Muitas hipóteses foram criadas na rede social, como encontrar Podolski num dia aleatório pegando sol no Guarujá, Hummels pedindo um lanche num bar da Av. Brigadeiro Luis Antônio, Neuer andando de metrô na Sé às 18h, Lahm comendo churrasquinho grego no Centro ou até mesmo pedindo aquele milho maroto com manteiga na Consolação.

Se toda Copa tem seu campeão moral, é justo que apontemos a Alemanha como vencedora dessa edição. Mas pelo conjunto da obra do carisma desde a sua chegada no Brasil. E que eles bebam mais água de coco, posem mais vezes usando camisas de clubes como Bahia, Grêmio e Flamengo. Quem entende o espírito da festa que é o Mundial, merece sempre um lugar no coração da torcida.

Vida longa ao time alemão totalmente boladão. Ou à BOLADONA GERAÇÃO ALEMÙ.

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