A Copa da exaustão

Domingo, 6 de julho de 2014 – 19h56

Pois é, eu adoraria ter escrito um relato por dia do que estava vendo na Copa, mas infelizmente faltou tempo e disposição, pois o trabalho está sendo árduo (e satisfatório) no Yahoo. Mesmo assim, bate aquela necessidade de fazer algum texto pra sanar aquele vazio que é ter abandonado o diário aqui na TF.

Não tem sido o que a gente esperava. Tem sido bem mais. O último texto aqui falava da decepção em torno de Cristiano Ronaldo e do melhor jogo inesperado da Copa, entre Argélia e Coreia. E desde aquele dia (nem lembro mais onde parei, pra ser bem sincero), muita coisa aconteceu. A vida não para durante o Mundial, muito embora 90% do seu tempo hábil seja consumido pelas partidas e pelo sono, que vem de forma infalível separar um dia do outro.

Ah, tem a cerveja também. Ninguém passa uma Copa impune de beber, mesmo em serviço. E a verdade que não vem ao caso, é que o pedaço da minha vida que sobrou tem sido tão eletrizante quanto o Mundial. Vou tentar organizar por tópicos o que mais me impressionou até aqui.

Esta é a melhor Copa SIM: Parte I – A zebra encantadora

Se foram as oitavas de final e sobrou a zebra encantadora da Costa Rica. Que se não joga o melhor futebol que vemos, é certamente o time que mais cresceu dentro de suas limitações. Saiu da Copa levando dois gols e conseguiu ir para os pênaltis contra dois campeões europeus (ok, empatar com a Grécia não é mérito, mas segurar a Holanda é uma grande façanha). Depender de dois jogadores como Bryan Ruiz e Joel Campbell para sobreviver mostrou ser demais para a equipe de Jorge Luis Pinto, um corintiano de primeira. Apesar de chegar totalmente desacreditada, a seleção costarriquenha mostrou mais brio do que as três campeãs mundiais que pegou na primeira fase. Itália, Inglaterra e Uruguai não tiveram nem 10% da organização tática e motivacional da Costa Rica. Cair nos pênaltis, nas quartas de final, é simplesmente gigante.

Craques à sombra do fracasso

Essa foi a Copa dos quebrados. Muitos craques se lesionaram antes ou durante a competição. Tivemos também o exemplo de Cristiano Ronaldo, completamente estourado nos músculos da perna, mas que ainda assim tentou dar um show. Sozinho. Num time ridículo como Portugal. Devemos lembrar que a Alemanha perdeu Marco Reus lá atrás, a Argentina perdeu (ou deve perder) Di María, o Brasil teve Neymar ceifado dos seus planos (por uma entrada maldosa, mas não com o intuito de matar, diga-se), a França perdeu Ribéry, a Colômbia cortou Falcao em cima da hora, e a Holanda… a Holanda tá inteira, mas joga uma bolinha diminuta. Isso fez com que a pressão em cima dos gênios crescesse. Robben, James Rodríguez, Messi, Benzema, Müller tiveram de dar o seu máximo e ainda conviver com a possibilidade real de serem contestados por atuações abaixo da média.

É ingrato ter de ocupar o posto de homem mais importante de um país numa competição como essa, mas estes sujeitos mostraram que estão com os CULHÕES em dia para botarem o seu melhor jogo em prática. Dos quatro semifinalistas, apenas a Holanda não teve uma perda significativa no seu elenco. Tem Van Persie, Robben e Sneijder atuando no fio da navalha. Sneijder mesmo, acordou só nas oitavas de final, depois de entrar em sono profundo na primeira fase.

A responsabilidade vai aumentando

Como eu disse ali em cima, os outros três podem chorar o desfalque de algum jogador significativo, em especial o Brasil, que perdeu o seu único jogador capaz de decidir uma partida na base do talento, não da sorte ou de uma bola vadia. Além de jogar diante da Alemanha sem Thiago Silva (porém com Dante, profundo conhecedor dos alemães), a Seleção vai ter de se virar com o pior dos seus problemas, amplificado 2x: quem diabos vai levar a bola do meio para a frente, deixar Fred confortável para marcar ou driblar a zaga quando o jogo estiver complicado?

Messi, do outro lado do chaveamento, jogou três partidas importantes e decisivas, marcou quatro gols. Deu o passe mais importante contra a Suíça e foi mal contra a Bélgica. Mas com o nanico se pode tudo. Ele no auge, ou querendo resolver uma parada, gruda a bola no pé e vai até o gol se precisar. Deve conduzir a Argentina até a final, contra uma Holanda que só tem jogado com o nome. Time por time, a Laranja Mecânica daria um cacete na Albiceleste. Mas naquele futebol jogado, aquele que em 90 ou 120 minutos a gente adora ver grandes histórias, provavelmente veremos a consagração de La Pulga como mundialista. Ele sabe que toda a responsabilidade do sucesso argentino agora cai sobre suas costas. E deve vomitar no intervalo, anotem aí.

Messi, Felipão, Robben e Klose serão as peças-chave nas semifinais, ao meu ver. Não há muito o que explicar, é só um pressentimento. Para o bem ou para o mal dessas quatro seleções.

Bolões à parte, não farei nenhuma aposta, já que estou mal nos dois que participo. E não estou nessa para ser vidente, só pra curtir a festa. Que vai continuar terça e quarta, sábado e domingo, pela última vez, apagando as luzes do Maracanã mais colorido que veremos nos próximos 64 anos ou mais, dependendo de quando a Copa voltar para o Brasil. Não importa quem ganhe esse negócio, já foi um baita torneio, com grandes histórias e excelentes jogos.

Volto na terça-feira, com o primeiro finalista. E assim tocamos o barco aqui na casa. Tá corrido, mas tá bonito. Muito bonito, dona Copa.

2 pensamentos em “A Copa da exaustão”

  1. Sem duvida , dentro de campo , é a Copa das Copas . Mas que a Holanda passa o trator nos hemanos não tenho duvidas . a zagueirada da Argentina não teve trabalho até agora e mesmo assim deu sustos , contra Van Persie e Robben a história vai ser diferente . Na outra semi , sei lá… vamos rezar …e muito…. pro Fred acordar , pro Hulk acertar uma das bombas que vem ameaçando ,pro Teimosão (perdão Felipão) deixar o Fernandinho no time , e que o Oscar reedite as boas atuações .a conjunção de tudo isso nos dá alguma chance .

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