Diário #8 da Copa: Pode ter esperança, sim

Quinta-feira, 19 de junho, 21h33

Como é bom ser surpreendido pela Copa. Achar que uma seleção jogou uma partida horrível na estreia e que por isso ela seria eliminada, só pra depois ficar de queixo caído com a raça e a forma como lidou com a primeira grande decisão no Mundial. Sim, estamos falando do Uruguai. Sim, estamos falando de Suárez, o nome do dia, e talvez da primeira fase, depois de uma resignação geral em relação aos uruguaios.


COLÔMBIA 2-1 COSTA DO MARFIM:
24 anos depois, a segunda fase

Colômbia passou para a segunda fase
“Filha, vende a casa, passamos para a segunda fase”

Achei que não ia chegar no horário na redação. Tive um dia meio surreal antes de entrar no trabalho. No metrô, a Linha Amarela estava operando de maneira diferenciada, com trens em velocidade reduzida e operando em trechos invertidos. Isto é: o embarque sentido Luz estava fechado, e o que a CCR pensou? Isso mesmo, usar o sentido Luz no lugar do sentido Butantã. Entrei num vagão com rumo ao terminal Pinheiros e fui parar na República. Quando consegui desfazer a bobagem, entrei em outro vagão onde um senhor senil estava pregando em alto e bom tom para os passageiros. Quase arrumei uma briga, afinal, ele estava atrapalhando a minha música. Eu não conseguia ouvir o que a Nina Persson estava cantando porque meu ouvido foi infestado com chorume religioso. No fim, deu tudo certo, cheguei na hora. Mas onde já se viu, né?

Foi com certa classe que a Colômbia praticamente garantiu sua presença nas oitavas de final da Copa do Mundo. Diante de uma perigosa Costa do Marfim, certamente a mais talentosa geração formada no país, os colombianos fizeram 2 a 1 com gols de James Rodríguez e Quintero. A partida no Mané Garrincha, em Brasília, marcou o estilo ofensivo de duas seleções que se atacaram o jogo todo, sem piedade. Inclusive nas pancadas.

Tudo começou com o choro de Serey Die, durante o hino marfinense. Mas a verdade é que quando a bola rolou, ele se esqueceu disso pra sentar o porrete nos adversários. Com o confronto em andamento, a Colômbia ofereceu tanto perigo quanto os marfinenses, mas faltou capacidade para que os africanos passassem do plano do perigo para a agressão. A defesa dos Elefantes sofreu nas mãos de Cuadrado, que estava muito DIBREIRO.

Que a Colômbia venceu e foi perigosa, você já sabe, mas merece mesmo destaque o golaço de Gervinho, cortando três e batendo forte no canto de Ospina. Tem de ser muito ídolo. Gervo é burro, feio, mas é predestinado e há de provar seu valor, calando Morsa.

URUGUAI 2-1 INGLATERRA:
Especialista em fracassos

Toda Copa é isso. A Inglaterra chega com o seu discursinho de agora vai, agora é diferente, agora temos fulano e sicrano está experiente, mas o final é o mesmo: grandes merdas. Na Arena Corinthians, era matar ou morrer, e os ingleses morreram diante de um inimigo íntimo: o atacante uruguaio Luís Suárez. Recuperado de lesão e poupado na estreia contra a Costa Rica, Luisito mostrou porque é que estava esperando tanto o Mundial.

O castigo para outra geração bunda mole do English Team foi apanhar de um time envelhecido e regido por realidades do futebol uruguaio como Lodeiro, Cavani e Cebolla Rodríguez. Suárez tanto latiu que recebeu um passe primoroso de Cavani para cabecear e vencer Joe Hart, uma bomba relógio no gol dos ingleses. A qualquer momento ele parecia que iria falhar.

Rooney superou a zica e fez o seu, numa grande jogada de Johnson, mas o destino dessa seleção é tão malfadado que nem isso ajudou o Shrek a sair de campo satisfeito. Suárez recebeu novo passe, correu feito um guepardo, venceu Cahill e castigou Hart novamente com um balaço no meio. 2 a 1 Uruguai, Inglaterra fora. E aí o amigo deve lembrar que realmente, não parecia que a equipe treinada por Roy Hodgson iria causar algum rebuliço em terras brasileiras. Não é surpresa a queda prematura deste time. Assim como não seria o decadente (porém corajoso) Uruguai. Ficou por isso mesmo no Itaquerão.

GRÉCIA 0-0 JAPÃO
Socorro, quanta gente ruim

O jogo foi tecnicamente ruim, mas movimentado. O zero a zero foi um retrato da falta de pontaria e de um meio-campo pensante por parte de ambos. Azar de quem esteve na Arena das Dunas, debaixo de chuva, para ver esse rachão de churrasco no domingo depois do réveillon.

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