Diário #7 da Copa: Jogaram a Espanha na linha do trem

Quarta-feira, 18 de junho, 21h20

Depois de tanta reclamação, a Copa do Mundo voltou a empolgar, e não foi pouco. As crônicas desse diário refletem bem o que tem sido o frenesi dos primeiros dias e o marasmos dos últimos dois. Mas a quarta-feira, o dia 7 deste torneio, se provou espetacular em emoção, e sobretudo, decisão. Foi incrível e ao mesmo tempo surpreendente ver o Chile atropelar e eliminar a Espanha. Dia memorável esse.

AUSTRÁLIA 2-3 HOLANDA:
Não almoço mais durante os jogos

Se tem algo que me incomoda é sair para comer ou pegar o almoço na portaria e acabar perdendo um lance importante. Devo ter perdido vinte minutos de Copa, no total, se muito. No caso, perdi três gols por causa do mesmo problema. Semana passada, fui buscar um petisco na cozinha, deixaram uma cadeira no caminho, caí e perdi tempo voltando. GOL DA INGLATERRA. Hoje, descemos retirar o pedido de comida chinesa: GOL DA HOLANDA, GOL DA AUSTRÁLIA. E dois golaços. Robben e Cahill capricharam.

Holanda e Austrália acertaram na mão (ou nos pés) no jogo das 13h, em Porto Alegre, no Beira Rio. Os cinco gols e a disposição das equipes mostraram que os dias anteriores de jogos irritaram muita gente. Algo tinha de ser feito. Que resposta melhor do que balançar as redes? Robben, 1 a 0, Cahill, 1 a 1, Jedinak, 2 a 1, Van Persie, 2 a 2 e Depay, 3 a 2: não faltaram chances de marcar, não faltaram os LINDOS DIBRES, nem as ofensivas suicidas da Austrália.

O momento que definiu todo o duelo, certamente foi a CABEÇADA DE PEITO de Leckie, defendida por Cillessen. O australiano recebeu uma bola péssima da linha de fundo, tinha tempo para chegar chutando ou algo completamente diferente. Mas decidiu se jogar como um lambari epilético e tocou de peito, deixando fácil para o goleirão holandês. No lance seguinte, Depay carregou, deixaram ele sonhar e o menino foi lá, chutou bonito para marcar seu primeiro gol com a camisa da seleção.

ESPANHA 0-2 CHILE:
Um fim mais do que emblemático

Não bastou para a Espanha levar um cacete da Holanda na estreia. Não bastou entrar pressionada no Maracanã para pegar o Chile: ainda havia como ir mais fundo no poço. De 2012, último título espanhol, até aqui, se passou pouco tempo. Do massacre na Itália na final da Eurocopa, até a final da Copa das Confederações, menos ainda. Um ano depois de apanhar do Brasil no Maracanã, a Fúria repetiu o roteiro medíocre e se viu refém da inspiração chilena. Não deu outra: eliminação sumária por 2 a 0.

O Chile não tratou a Espanha como um verdadeiro campeão do Mundo. Tratou como qualquer equipe furreca que não oferece grande perigo. Em certos momentos, parecia ser um duelo de interclasse escolar, onde os sul-americanos eram o terceiro colegial e a Espanha era a sexta série, indefesa, com medo, reduzida ao seu bloqueio técnico e motivacional. Apagada, ainda humilhada por aquele 5 a 1 inaugural, pressionada e com poucas alternativas para o fracasso: essa foi a Fúria que nunca pareceu ter forças para vencer La Roja, que mete muito medo.

Vargas e Aránguiz marcaram e também se aproveitaram de um irreconhecível Casillas, que falhou nos dois gols. No primeiro, caiu como um patinho na finta de corpo de Vargas, escorregou como quem pega um tobogã no Wet ‘n wild. No segundo, espalmou uma falta para o meio da área, onde Aranguiz aproveitou o rebote e com requintes de crueldade, botou no alto do gol espanhol. 2 a 0, um passe livre para a valsa que a Fúria dançou até o fim. Teve grito de olé, teve grito de ELIMINADO, e teve campeão mundial sendo o primeiro time a ficar sem chances de classificação para a primeira fase. Surra de bola, surra de um Chile venenoso. A seleção espanhola pode até não ter sido arrogante em campo, mas acabou pagando pela língua de sua imprensa, que já deu essa Copa como ganha.

CAMARÕES 0-4 CROÁCIA:
Mais fácil que driblar a irmã

Foto: INTERNET
Foto: INTERNET

O que dizer dessa zaga de Camarões que eu mal conheço e já desmereço tanto? Como pode levar tanto gol e ataque besta, gente? Na Arena da Amazônia, foi o jogo de um time só. A Croácia marretou os camaroneses com muita facilidade e mereceu até ter feito oito ou nove gols ao invés dos quatro. Olic, Perisic e Mandzukic (2x) comandaram o placar, que só não foi maior porque a galera axadrezada não queria humilhar e preferia tocar a bola na cara do gol.

Sobre a goleada, é de se elogiar a postura séria da Croácia contra um adversário inocente e frágil. E claro, a agressão de Song a Mandzukic, um covarde soco nas costas, fora do lance, assim sem mais nem menos. O camaronês foi expulso com muita justiça e tomou o terceiro cartão vermelho da família Song em Copas. Uma anta de marca maior. A partir daí, Camarões já estava com dificuldades para jogar, e a coisa só piorou. Parecia um Bayern de Munique x Brasiliense. Sem exagero.

Por essa quarta-feira foi só, já tá bom de Copa por hoje. Volto amanhã com Colômbia x Costa do Marfim e Uruguai x Inglaterra, dois jogos que prometem arrancar os cabelos da torcida.

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