Diário #6 da Copa: Quebraram a Copa

Terça-feira, 17 de junho, 22h39

É, alá, falamos tanto que a Copa estava perfeita, que encaramos uma sequência turbulenta de cinco jogos toscos, um deles sendo do Brasil. Mas tudo bem, isso não vai abalar o espírito de mundial que foi criado. Todos estão com os olhares virados para os campos brasileiros, e o mais importante, esperando que algo de bom saia. O lado bom é que o pessoal continua não se arrependendo de ver as partidas menos emocionantes. Entenderam que qualquer pelada basta para manter a febre do torneio.

BÉLGICA 2-1 ARGÉLIA:
Deus me livre, que decepcionante

Foi mal aí usar o termo ‘Deus’ em vão, mas é que foi mesmo terrível ter visto Bélgica e Argélia, no Mineirão, com empolgação. Deu pra fazer sei lá, mil coisas enquanto a bola rolava, e não daria pra sentir como se estivesse perdendo algo. O que dá pra martelar nesse jogo é que: a seleção belga precisa se organizar melhor, sobretudo no ataque, se não quiser fazer feio nessa Copa. Os Diabos Vermelhos passaram quase toda a partida atrás do placar, depois de um gol de Feghouli, de pênalti.

Depois de sair na frente, foi complicado para que os argelinos se segurassem com a vitória. Deu no que deu, melhor time pressionando, empate com Fellaini e virada com Mertens. Nenhuma surpresa que não fosse aquele domínio dos africanos na primeira parte. 2 a 1 para os belgas, e não há muito o que comentar sobre esse confronto: deu vontade de voltar para o Brasileirão, até.

BRASIL 0-0 MÉXICO:
A pressão vai começando a cobrar o preço

Tá pensando que é moleza ser favorito e jogar em casa? Não, caras, o Brasil está já demonstrando que sente o peso de sediar o Mundial e lutar pelo sexto título. Sim, o México é um time mais competente do que esperávamos, mas nem isso parece servir de consolo diante de uma atuação estranha e desorganizada do Brasil no Castelão. O México deu espaços, deu chances e até algumas pancadas, mas a Seleção esteve sim com a faca e o queijo na mão durante os 90 minutos. Azar de ter trombado um Ochoa inspirado. Minha noção de jogo pode ter sido alterada pelo fato de eu ter me embriagado já no início desse embate, mas tudo bem.

Ochoa fechou o gol quando exigido e irritou os brasileiros, que poderiam ter chutado mais. Quem também trabalhou foi Júlio César, que salvou um chute perigosíssimo de Herrera. Mas o destaque mesmo foi o arqueiro mexicano, que encarnou Gordon Banks em 1970. Exceto que saiu sem levar gols, o que faz dele melhor que o inglês, ao menos neste parâmetro.

É cedo para dizer se isso pode ter sido um indício de título, algo que vá ressuscitar alguma superstição brasileira, mas ó: assim não vai dar hexa, não, vai dar ruim. Só uma impressão.

RÚSSIA 1-1 COREIA DO SUL:
Cacete, devolvam a minha Copa, caras

Foto: NBC
Foto: NBC

Na Arena Pantanal, rolou um Rússia e Coreia do Sul pra fechar as atividades do Grupo H. Eu gostaria mesmo de ter algo pra escrever sobre esse jogo, mas infelizmente me faltam palavras pra definir este jogo maravilhosamente ruim. Então vamos do jeito objetivo: foi uma porcaria, dois times que pareciam estar jogando com bolas pegando fogo, defesas horrendas, ataques que não conseguiam dominar um passe sequer, uma lástima. Foi a Série C da Copa do Mundo.

No futuro, provavelmente vou ficar puto comigo mesmo por ter feito um texto relaxado, mas ó só, Portes do futuro: NÃO DAVA PRA TIRAR NADA DAÍ, BICHO! A Coreia foi melhor, no frigir dos ovos. Driblou bem, foi mais atrevida e em certo ponto chutava direto pra testar o goleiro instável da Rússia, Akinfeev. A cada tiro, a certeza de que ele ia entregar a paçoca era maior. Foi Lee que acertou o petardo decisivo: BOOM, Akinfeev foi com as mãos moles e sofreu o frangaço do dia, quiçá das últimas duas Copas. Um peru que já ensaiava o canto desde o início do segundo tempo.

Quis o destino que o goleirão coreano também fizesse das suas e espalmasse uma bola para o meio da área, assim como o russo. Kerzhakov mandou pra rede e empatou, com uma cara de quem tinha corrido numa implacável vontade de ir ao banheiro até o vaso sanitário mais próximo. A derrota russa estava batendo na porta, só não atenderam por sorte. Nada de merecimento, esqueçam isso.

Dessa terça-feira, fica só a bebedeira mesmo, porque de jogos, olha, foi complicado.

Volto amanhã com mais Espanha e mais Valdivia. Teremos reação ou choradeira espanhola?

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