Diário #3 da Copa: Copa se faz com ídolos

Sábado, 14 de junho, 00h42

Tá sendo foda pra cacete. Me desculpem o francês, mas não há outra forma de definir o que está se passando nos gramados daqui do Brasil durante essa Copa do Mundo. Eu gostaria de ter tido menos sono e cansaço durante esse sábado movimentado, mas a verdade é que a exaustão ficou pequena diante de tanta coisa espetacular.

COLÔMBIA 3-0 GRÉCIA:
Deus salve o Armeration

Como foi maravilhoso ver a Colômbia em campo. O Mineirão ficou todo amarelo pra ver a seleção cafetera desfilar a sua malemolência em campo. Apesar da falha de comunicação no ataque e a falta de uma grande referência como Falcao para receber a bola, vimos uma equipe bem interessante contra a Grécia. Se bem que até o catadão da meninada do meu prédio causaria esse efeito contra os gregos.

Abriram o placar sabe de que jeito? Com um jeito maroto, um sorriso moleque, no passo do Armeration. Pablo Armero fez o primeiro gol da Colômbia em Copas depois de 16 anos. E dançou. E empolgou. Sinceramente, que momento. Desde que Pablito se foi para a Europa, ficou uma lacuna no coração do palmeirense. Não, ele nem era tudo isso, tecnicamente. Mas tem um carisma insuperável, é aquele cara que chega no pagode e a galera faz uma roda em torno dele. Armero é a cumbia de chuteiras, é o espírito sudaca com malícia de um Soweto. Derê, derê rê rê…

Téo aumentou numa boa jogada de escanteio e se antecipou ao zagueiro para botar na rede. A essa hora, a Grécia já era um rascunho grosseiro de time e pouco ofereceu de perigo. Quando chegou, Ospina barrou com grandes defesas. Ousada, porém ineficiente, a Colômbia sabia tomar conta e fechou a conversa com James Rodríguez. Se havia alguma chance dos gregos avançarem, aquele gol foi a pá de cal. E viria mais pela frente.

URUGUAI 1-3 COSTA RICA:
Não joga só com o nome não, fera

O Uruguai tinha apenas um trabalho: bater no saco de pancadas do grupo e somar três pontos para poder se sustentar na briga contra Itália e Inglaterra. E deu errado. Disseram que a Celeste começou bem. Tinha mais bola, mais cancha, mais tradição, mais idade. O pênalti em Lugano, que serviria para fazer um bom bloqueio de rede no vôlei, deu esperanças de que o roteiro normal seria seguido. Cavani guardou e o time murchou.

O jogo ficou tão sem vergonha, que parecia ser o primeiro tosco entre os que vimos até aqui. Mas aí, meus amigos, a Costa Rica deu jeito. Viram só? Nem tinha falado deles até aqui. Como não citar Campbell, Bolaños, Tejeda? Esses três infernizaram Godín e Lugano, que não estavam em um bom dia. Quando pressionada, a defesa costarriquenha conseguiu segurar a barra. E o goleirão Navas não deixou por menos, fazendo excelentes defesas em lances cruciais.

Estava tudo armado para uma reação de Costa Rica. Campbell pegou um cruzamento, dominou e PLAFT, 1 a 1. Duarte cabeceou no cantinho de Muslera, 2 a 1. Detalhe: em posição irregular. No finzinho, Ureña disparou e tocou na saída do goleiro uruguaio para sacramentar o vexame dos sul-americanos. Se o Uruguai quiser avançar, vai ter de rebolar e muito contra Itália e Inglaterra. A história dessa seleção não permite uma desistência já nesse ponto. Mas história não ganha jogo, e futebol pobrinho também não. Veremos.

INGLATERRA 1-2 ITÁLIA:
Puta que pariu, que jogo

Qualquer cidadão comum apostaria num empate entre Itália e Inglaterra. Um time é velho e defensivo demais, o outro sempre pipoca em momentos decisivos e dessa vez tinha jovens demais na equipe. O bom ritmo apresentado pelos dois no calor de Manaus contrariou o prognóstico e ambos fizeram um jogo aberto, para deleite dos espectadores.

A Itália estava ali, na dela, tentando trabalhar no erro inglês. Num passe da lateral, Pirlo deixou passar por entre as pernas, num passe incrível sem nem tocar na bola. Marchisio pegou e carimbou Hart, que estava esperando por um momento para falhar em campo. Não passar segurança é coisa séria. Pensa que a Inglaterra se encolheu na adversidade? Nananinanão. Rooney desceu pela esquerda e cruzou para Sturridge, que empurrou para o gol de Sirigu, 1 a 1. Em várias outras chances, os ingleses estiveram perto de virar o placar, mas correram tanto que estragaram as pernas no segundo tempo, ao contrário dos italianos, mais preocupados com a retaguarda.

Mal havia começado o segundo tempo e ELE deu as caras. Balotelli, que quase fez um golão encobrindo Hart ao fim do primeiro tempo, apareceu para testar e virar para a Itália. 2 a 1. Pensa num jogo em que a galera aproveitava para chutar em quase todas as oportunidades possíveis. A franqueza ofensiva deu o tom de um grande duelo que teve a Itália de Pirlo como vencedora. Inglaterra e Uruguai jogam a vida na próxima para tentar a sobrevivência. Quem perder, está fora.

JAPÃO 1-2 COSTA DO MARFIM:
Ele é o cara

Em Recife, na Arena Pernambuco, Japão e Costa do Marfim fecharam as atividades do sábado, com a habitual emoção. Os marfinenses começaram em cima, apertaram, mas tinham uma defesa horrível. O preço foi cobrado num lance de escanteio curto. Isso mesmo que você leu: num escanteio curto. Honda recebeu e mandou um canudo no alto do gol de Barry. 1 a 0. Querendo reagir, a equipe africana foi de qualquer jeito, embolada, para o ataque. Gervinho matou várias ofensivas, Aurier errou mil cruzamentos e Bony desperdiçou boas chances. Lá e cá, lá e cá, espírito de pebolim, apenas no segundo tempo tivemos uma mudança determinante nos rumos: a entrada de Drogba.

Japoneses aos montes pararam na esquina para admirar o grande atacante marfinense, que motivou os companheiros. Aurier acertou o pé na direita e jogou na cabeça de Bony, 1 a 1. No minuto seguinte, se repetiu o roteiro, com o mesmo Aurier, que encontrou Gervinho, o renegado. Testada para as redes, 2 a 1. Para quem errou o jogo todo, o gol foi um prêmio injusto para Gervinho, mas o mesmo não se pode dizer de Drogba, que deu o toque que faltava de classe ao time titular. De nada adiantava Yaya Touré estar inspirado e carregar pra ele só a bola até o gol.

No fim, o sábado termina com quatro jogos e mais jogadores que deixam a sua marca. Armero, James Rodríguez, Cavani, Campbell, Balotelli, Pirlo, Sturridge, Drogba, Gervinho e Honda carimbaram seus nomes na primeira rodada. Alguns ainda precisam se firmar como ídolos. E alguém duvida que a Copa do Mundo possa fazer isso por eles?

Até amanhã, com a estreia da Argentina.

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