Diário #2 da Copa: O que todos nós queremos

Sexta-feira, 13 de junho de 2014 – 21h12

Todo mundo quer uma Copa com gol pra cacete. Jogo bonito, alegria, grandes caindo, muito foco de piada e sobretudo: emoção. Tivemos uma grande reviravolta, roubos aos mexicanos. O primeiro dia pra valer de Copa, aquele que não teve só a abertura, foi eletrizante. Nenhum dos jogos deixou a desejar, ainda que isso tomasse todo o meu tempo na sexta-feira.

MÉXICO 1-0 CAMARÕES:
Não nos deixam gritar gol

A sexta-feira abriu com um México e Camarões polêmico, cheio de manias e de erros de arbitragem. Os mexicanos não titubearam ao atacar os Leões Indomáveis, mas estava bem complicado fazer um gol em Itandje e valer. Afinal, o árbitro não queria de jeito nenhum ver o placar sair do zero antes do intervalo. Camarões também comemorou e viu a bandeira subir. Mas calma, não é nada disso que você está pensando, o gol não valeu. Foi depois dos dois tentos de Giovani dos Santos invalidados que Peralta apareceu para marcar. Senti uma certa relutância do atacante em festejar, mas talvez tenha sido só impressão.

Apesar da forte chuva em Natal, foi um belo jogo entre os dois adversários. Muitas porradas, é verdade, mas a bola rolou com estilo. Ninguém estava preocupado em se defender, o que tornou a partida bem dinâmica e disputada. Me encantou ver Assou-Ekotto, um cara que detesta futebol (sim, ele já assumiu isso), fazendo uma jogada maravilhosa e distribuindo DIBRES na ala esquerda camaronesa. Foi um rolinho e um chapéu pra Denílson nenhum botar defeito. Samambaias também tem ritmo, pessoal. É isso que a gente quer ver, afinal: gente querendo fazer gol e alegrar a torcida. Até mesmo porque, México e Camarões, no papel, terão de disputar a segunda vaga para as oitavas com a Croácia, na base do tapa.

ESPANHA 1-5 HOLANDA:
Um adeus emblemático

Certamente o jogo do dia. Enquanto todos esperavam 90 minutos de tédio e passes para trás por parte da Espanha, o duelo começou com iniciativa de Diego Costa, responsável por ser o último pé das jogadas da Fúria. Ele foi obrigado a conviver com vaias até ser substituído e não foi bem. A contribuição maior do atacante para o seu time foi cavar um pênalti em lance contra De Vrij. O juizão comprou o barulho do sergipano e Xabi Alonso bateu com competência. Daí em diante, deu até dó da Espanha. Não, não, pensando bem, não deu não. Foi bem engraçado ver a desacreditada Holanda surrando a campeã mundial, jogada a jogada.

Convenhamos: é mais legal torcer para o mais fraco, para o azarão. A Fúria entrou achando que poderia vencer a qualquer momento, como em quase todos os seus confrontos. Foi bom enquanto durou essa sensação de ver um novo domínio, uma alternativa ao Brasil, ao futebol da Itália, Alemanha, e os outros considerados grandes. Há quem pense que é mágica a troca de passes que impede o adversário de participar do jogo. Há quem pense que esse é o futebol ideal, uma forma quase mecânica de passar para o lado e para trás. Obrigado pela novidade, Espanha, mas é tão mais legal ver um time kamikaze…

E assim, Blind acertou o primeiro de dois passes sensacionais. O primeiro, na cabeça de Van Persie, 1 a 1. O segundo, nos pés de Robben, que cortou e humilhou Piqué antes de bater no canto, 2 a 1. Mais humilhação: Casillas sai mal, sofre carga de Van Persie na área e De Vrij toca de coxa para o gol, ao lado da trave, 3 a 1. Tá pouca zueira? Não, Casillas recebe bola na fogueira, se embanana e perde para Van Persie, 4 a 1. Robben fechou com chave de ouro a festa, com uma jogada em que arrancou até a área, deu uma ROLETA DE MARSEILLE (agora conhecida como Roleta de Salvador) e deixou Casillas duas vezes no chão. 5 a 1. Hasta luego, España.

CHILE 2-1 AUSTRÁLIA:
Tem de jogar com a alma e com o coração

Valdivia em campo. Chile contra a Austrália. Comoção nacional (e palmeirense). Muita gente achando que o Mago iria sair lesionado de campo, mas não é que o desgraçado FEZ UM GOLAÇO? La Roja saiu na frente dos Socceroos com um gol de Sánchez, e numa jogada bem fluída, o palmeirense guardou o segundo chileno.

Infelizmente, o time de Jorge Sampaoli se fechou demais e permitiu que os australianos encostassem no placar, com gol de Cahill. E a verdade é que se apertasse mais, saía o 2 a 2. Sobrou talento para o Chile, mas faltou concentração ou vontade de realmente matar os caras e resolver o jogo. Isso pode ser crucial nos duelos contra Espanha e Holanda.

Mas sabe o que foi mais legal? Não ver nenhum jogo inteiramente ruim. Todos eles tiveram grandes momentos para balancear os lances tediosos. É assim que se faz uma Copa. Dane-se se acharam que iria ser um fracasso, que iríamos passar vergonha. O esporte agradece por esses confrontos recheados de emoção.

Azar de quem não curte esse negócio de Copa. Estão perdendo uma puta diversão.

Até o sábado.

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