Diário #1 da Copa: Uma cidade colorida; um time que sua frio

Quinta-feira, 12 de junho, 23h03

A cidade estava especialmente amarela hoje. Até a linha 4 do Metrô estava especialmente amarela, em virtude do espírito da Copa. Eu? Preferi sair de verde pra complementar as ruas e não deixar ninguém esquecer que o camisa 15 da seleção já foi o 3 do meu time. Cheguei quase meio-dia na redação pra aquele que seria o primeiro dia de cobertura de Copa da minha vida. E não podia estar mais empolgado com o desafio.

Impossível não se contagiar com a euforia na rua. Passei (e você também) a tarde toda contando os minutos até o início, ri na abertura e parei quase tudo o que estava fazendo quando a bola rolou. Não, não caiu a ficha de que era uma Copa do Mundo de novo. Que era uma Copa do Mundo aqui. Foram momentos que marcam todo um ano, como aquela primeira cerveja que eu abri, a forma como estava acompanhando os amigos tuiteiros para montar um compilado para o relato da partida.

O Brasil entrou com sangue no olho em campo e eu estava tão motivado quanto. Temiam que a torcida não fosse tão compreensiva com o nervosismo da estreia, temiam que o time fosse estar pilhado demais, mas a verdade é que o jogo teve o teor ideal de emoção. Uma virada que terminou em 3 a 1 (com ajuda da arbitragem, verdade), pra nenhum analista de abertura botar defeito.

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Quem menos sofreu com a situação foram os novatos Neymar e Oscar. Que apareceram na hora certa para salvar o Brasil de um vexame caseiro na Arena Corinthians. O início, com gol contra de Marcelo, foi uma ducha de água fria na empolgação nacional em torno da Seleção. Que poderia ter muito bem ruído com a pressão que se criou após o vacilo do lateral. Ninguém entrou em pânico, ninguém cantou derrota antes da hora. Foi tudo um pequeno contratempo no caminho da equipe de Felipão.

Foram muitos passes errados, algumas falhas gritantes na marcação, a inauguração da Avenida Dani Alves no Itaquerão. Apesar desses obstáculos, o Brasil soube retomar o controle da partida diante de um adversário complicado e tão nervoso quanto. A palavra chave foi paciência. Paciência para driblar o forte bloqueio croata, paciência para suportar os afiados contragolpes adversários e sobretudo ao lidar com as bolas aéreas na cozinha brasileira.

A partida não teve aquele nível sonhado de um time supostamente redondo do Brasil e muito menos de um visitante ousado como a Croácia. No fim, poucas chances e aquele frio na barriga, característico das aberturas de Mundiais. Marcelo fez contra, Neymar empatou em grande jogada individual, Fred desabou sozinho na área e o juiz marcou pênalti (cobrado por Neymar) e Oscar fechou o placar num gol de bico que emulou quase que perfeitamente o tento de Ronaldo contra a Turquia em 2002. As coincidências marcaram o duelo diante dos axadrezados, assim como na estreia de 12 anos atrás, contra os turcos. Começo complicado, empate, virada controversa… o bico de Ronaldo na semifinal diante dos mesmos turcos.

Não é legal, esportivamente falando, ter um roteiro repetido dentro de tão pouco espaço de tempo. Não é nem questão de não querer um título brasileiro, mas o esporte é tão fabuloso e empolgante, que uma história reprisada dessa forma seria um grande desperdício. E cá pra nós, 2002  não teve tantos dramas assim. Bom mesmo é com emoção, com o risco de perder, com a sensação de estar por um fio. Só pra poder comemorar mais ainda o fato de estar vivo.

Agora está valendo pra essa tal de Copa do Mundo, amigos. E o primeiro dia foi pra lá de bom pra quem vive desse espetáculo. Vamos juntos até o dia 13 de julho.

Amanhã eu volto com o segundo dia de festividades,

Abraços.

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