Diário #1 da Copa, parte 2: O de sempre e as novidades

Décima Copa do Mundo da minha vida. Ou seja, metade das copas de toda a existência aconteceram depois que eu nasci. Me sentindo aqui quase um Calazans, vociferando pra os jovens “você não viu nada, emoção mesmo foi aquela final Argentina x Alemanha de 86” (na verdade, eu já faço isso).

Toda essa experiência acumulada já me permite antecipar algumas coisas: a cerimônia de abertura é sem graça, o jogo é nervoso, altamente propenso a zebras. E o pior, depois de 4 anos esperando (por que tanto tempo???), apenas um reles jogo no primeiro dia. Teve copa sim, mas por enquanto, pouca copa. Só amanhã começa aquele clima de primeira fase, de sentar na frente da TV e assistir jogo até cansar.

Selfie família Intrieri

Mas, dessa vez, algumas coisas foram diferentes. A primeira, e maior: jogo de copa em São Paulo. Pra quem já viu tantas, é ainda mais inacreditável jogo de Copa ali, na esquina de casa (por sinal, ainda mais emblemática a abertura em Itaquera). Mas tem outras, e a mais legal pra mim foi ter sido a primeira com minha filha, aos 6 anos, sabendo o que se passa. Tá certo, ela parecia mais preocupada com os cartões amarelos (me foge a razão), e ficou triste quando o Neymar foi substituído. Aliás, sua presença trouxe outra mudança: sempre fui muito mais torcedor da Copa do que do Brasil, mas dessa vez estava aqui de camisa do Brasil, torcendo, tudo em nome da pequena.

Mas uma coisa não muda: Copa é legal pra caramba. Futebol, da melhor qualidade, com vários jogos todo dia, e essa sensação de testemunhar o momento mais importante do futebol durante um mês inteiro. E o primeiro dia é especial: é quando você finalmente se dá conta que, depois de tanto tempo, ela está ali de volta, pronta pra te emocionar e gerar aquele tipo de lembranças sobre as quais você estará escrevendo no blog de um amigo 20 anos depois. Amigo, aliás, que você conheceu, claro, por causa do futebol.

Ah, o jogo? Muita gente melhor que eu já falou muito mais sobre o jogo: gol contra, pênalti que não foi, sufoco e vitória importante. Mas fico com um detalhe que refletiu exatamente a minha sensação dessa Copa especial: os jogadores (com a torcida) cantando a plenos pulmões o resto do hino à capela depois que ele parou de tocar, e boa parte deles chorando enquanto isso. Eu chorava aqui em casa também. Foi parecido com o choro do norte-coreano Jong-Tae Se em 2010. Mas no time do Brasil. E com os 11 jogadores chorando e cantando juntos. E no Brasil. Quem disse que um veterano de Copas não pode se surpreender?

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