Diário #0 da Copa: Uma sexta-feira complicadérrima

06 de junho de 2014, 21h59

O primeiro dia de Copa do Mundo em 2014 bem que poderia ter sido hoje. Foi muita dificuldade pra um dia só de trabalho, a começar pela demora pra chegar na redação do Yahoo. A sexta-feira prometia ser complicada quando saí de casa, aproximadamente às 11h15 da manhã, pra pegar um ônibus e descer em Pinheiros, pra daí embarcar num trem ou num táxi e chegar na Vila Olímpia. Achei um logo na saída do Terminal Sacomã, que supostamente daria uma volta menor até o destino final, sem fazer um tour por São Paulo. Cheguei quase quatro horas depois ao trabalho, minutos antes do início de Brasil x Sérvia, no Morumbi.

Todo mundo sabia que o amistoso contra a Sérvia seria uma espécie de treino para a estreia contra a Croácia, na próxima quinta-feira. Apesar da ofensa étnica e histórica de comparar os dois times, o duelo bem que serviu para que Felipão e seus 23 tivessem um teste apropriado antes de entrar de cabeça na Copa. Até mesmo porque os sérvios não vieram para brincar. O exemplo disso foi a chegada violenta que deram em Neymar com quatro segundos no relógio.

De resto, nada de mais a se comentar sobre a partida. O Brasil riu na cara do perigo durante algumas saídas erradas de bola, e Júlio César parecia que iria entregar a paçoca a qualquer momento. A insegurança transmitida pelo goleiro brasileiro foi assustadora, e os sérvios notaram isso com suas finalizações. Bem verdade que faltou pontaria quando os visitantes entravam na área, o que nem sempre vai acontecer quando o Brasil estiver de frente com Croácia, México e Camarões na primeira fase, quanto mais no mata-mata.

Vimos muita violência. Chegadas exageradas, divididas ríspidas, um clima bem hostil, característico de um Sérvia x Croácia, não um amistoso preparativo para a Copa, num contexto em que vários atletas estão sendo cortados por lesões de última hora. Só nesta sexta, o russo Shirokov, o alemão Reus, o francês Ribéry e talvez o croata Pranjic, se despediram do sonho do Mundial por contusões com certa gravidade. Muita pancadaria, sobretudo contra Neymar, que apanhou como um frango que lutava numa rinha de galo. Por sorte o camisa 10 brasileiro não saiu de campo numa maca. Mas acredite se quiser: o lance mais preocupante envolvendo o jogador do Barcelona veio numa torção de joelho, quando ele pisou errado antes de ir tentar um drible na intermediária. Se nem isso o tirou de cena, dificilmente alguma pancada o faria.

O placar, que eu tinha até esquecido de mencionar, foi 1 a 0 para o Brasil, gol de Fred, em mais uma artimanha horizontal do ex-safadão, hoje homem religioso. Frederico pode até ter parado com a saliência fora dos campos, mas dentro da área o rapaz mostrou que pode se gabar do dom de fazer gols de qualquer jeito. E fez algo além de sucesso no Morumbi, ah se fez.

No mais, fica mesmo uma boa lição para o Brasil e as outras seleções: nunca convide um país historicamente treteiro para um amistoso às vésperas de um Mundial. Nem sempre o outro time pode encarar os 90 minutos numa boa, sem stress, na paz. Até onde os outros 31 participantes da Copa podem se preocupar, seria ideal não fazer estes amistosos pouco antes da estreia no torneio. Em 2010, Holanda e Costa do Marfim sofreram baixas e viram Robben e Drogba se quebrarem. É bom lembrar que eles se recuperaram, com uma sorte diferente da de Reus, Shirokov, Ribéry e Pranjic.

Se já lamentávamos a ausência de Ibrahimovic, visto que a Suécia caiu na repescagem, agora ainda temos as baixas do colombiano Falcao, do alemão Schmelzer, do italiano Montolivo e os mexicanos Montes e Márquez, sem falar nos três cortados de hoje. Quem foi que armou um serviço pra essa rapazeada, hein?

Volto no dia da abertura da Copa, com Brasil e Croácia.

Até lá, fica o meu abraço.

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